Dudo Sancar
Tomar aquela decisão difícil te jogará em mar incerto e confuso, mas, a curiosidade pela sua versão desconhecida do outro lado não te faz querer?
Fizeram tempestades em mim e apesar disso aprendi a buscar o mar calmo. Vai ver viver é sobre isso: navegar até onde a paz trânsita.
É preciso mais que aprender a respeitar a presença do azul. Tem que deixá-lo ser pintado. A tristeza também é digna de nos preencher.
Nem na ponta do lápis
Nem na ponta da língua
Daquilo que me disse
Daquilo que me escreveu
Pouco de ti eu vi
Muito de ti morreu
Se há medo
em decisões
enfiadas na gaveta
Abuse da curiosidade
sobre quem você se torna
se arrancá-las de lá
Somos sortudos.
Cobertos da incerteza,
desconhecemos o dia da partida.
Se aqui não buscarmos quem somos,
de nada terá valido tamanha teimosia em ficar.
Fecho a porta do quarto
Capturo o silêncio
Risco faíscas de paz
Assim crio espaço em mim mesmo
O inverno já beijou minha testa
Ainda assim é urgente ter onde habitar
Gosto quando,
com cheiro de grama cortada
perto do fim do domingo,
o Cotidiano me presenteia
com pequena pausa e leveza.
A vida é um convite
Pra um baile muito doido.
Entre no salão
Trate de se divertir
E não se importe tanto
Pelo modo que os olhos julgam
O movimento do teu corpo.
Porque -- meu bem,
Um dia, tu, eu,
E todo mundo nessa festa
Vai parar de dançar.
Pra que o amor
te encontre
outra vez
é preciso
Morrer de novo
Nascer de novo
Se apaixonar de novo
— Não por outros, por você mesmo.
Andei a noite
senti saudades,
da minha amiga,
do café que ela fazia,
do sofá em que a gente ria
Facilmente
voava da nossa boca
pequenas, novas palavras
Inventamos verbo “ paranoiando “
— Que saudade de paranoiar
