Edna Maria - dinhainocente
“Raiz”
Eu não nasci leve.
Fui chão.
Fui barro pisado, seco, rachado…
mas nunca vazio.
Carrego nos ossos histórias
que ninguém teve coragem de contar.
E mesmo assim, olha eu aqui —
de pé, inteiro, respirando futuro.
O mundo tentou me ensinar a dobrar,
mas eu aprendi foi a criar raiz.
Porque quem cria raiz,
não sai voando à toa…
fica, resiste, cresce.
Tem dia que o silêncio pesa,
que a alma grita baixo,
que o espelho pergunta coisas
que eu ainda não sei responder.
Mas eu sigo.
Não bonito, real.
Não perfeito, vivo.
Porque viver não é sobre vencer todo dia,
é sobre não se abandonar
quando tudo dentro pede desistência.
E eu não me abandono.
Nunca mais.
Fiz um acordo com o espelho:
o mundo pode até me esquecer,
mas eu me levo pela mão
até o fim da estrada.
Desistir de mim nunca foi uma opção.
Autoria
Não me rime com o que é raso.
Sou feito de abismos,
de silêncios longos
e de uma vontade danada
de ser, cada dia mais,
o meu próprio cais.
Onde o Tempo Para
Dizem que o tempo cura,
mas o tempo, aqui, não tem ponte.
É um relógio que parou na curva,
um sol que se pôs no horizonte.
Não é ausência, é presença constante,
um amor que não tem para onde ir.
Ficou guardado no peito, latente,
na vontade eterna de te ver sorrir.
A vida seguiu, mas eu fiquei lá,
naquele abraço que o mundo roubou.
Sou a saudade que aprendeu a andar,
sou o resto do amor que o céu reservou.
