DietrichLohan
O Lúgubre Aposento
Daquele quarto escuro, uma alma tão fria quanto os extremos.
Do dia, sua noite. Da noite, sua fantasia.
Taças vazias, jogadas de canto, pelas escolhas não encaminhadas.
Do verbo, a dor manifesta neste lúgubre aposento.
Reações, de forma exacerbada, jamais encontradas em parâmetros ideais, tão tolas quanto aqueles que se dizem iguais.
Miragens e paranoias de certezas incorretas, dadas por uma intuição desesperada pela ausência do próprio amor.
Atração divina, essa medida de se despir, abaixando a cabeça e deduzindo suas ideologias como universais, para uma realidade de tão falsa completude que já não se tem certeza do que mais se faz.
A cromática situação dos pensamentos atrofiados naquele medo surreal da solidão, do homem que se faz e é julgado por quem fora, o fere como se fosse o culpado.
Destes lúgubres aposentos onde se encontra, há aqueles sonhos jamais esquecidos, infaustos, de modo algum compreendidos.
Ah! O que há de sentir?!
É este amarelo que não cabe nos olhos e transborda,
uma febre de girassóis golpeando o peito até que ele se abra.
Não é o ar que entra, é a própria luz que nos invade,
com o peso de mil borboletas em pânico dentro das veias.
Sentir é o fim da distância.
É ver a flor e não saber onde termina o perfume e onde começa o seu fôlego.
É esta urgência de ser tudo ao mesmo tempo:
a pétala que cai, a asa que hesita, o sol que devora o horizonte.
Há um incêndio silencioso nas cores.
O mundo brilha com uma crueldade bela,
e nós, náufragos dessa claridade,
sentimos o universo pulsar sob a pele como um coração alheio.
O que há de sentir?! Tudo.
O espanto de estar vivo enquanto o tempo desmorona,
e a glória de ser apenas este instante,
dourado,
frágil,
absoluto.
