Diego Godoy
Quanto da minha vida foi escolha minha, ou uma tentativa de caber no desejo dos outros?
Apesar de dolorosa, talvez essa seja a pergunta mais importante da vida adulta. Porque chega um momento em que precisamos distinguir aquilo que realmente queremos daquilo que aprendemos a querer para sermos aceitos, amados ou aprovados.
Quantas decisões tomamos por vontade própria, e quantas nasceram do medo de decepcionar alguém?
Quantas vezes permanecemos em lugares, relações, profissões ou versões de nós mesmos apenas porque sair dali significaria contrariar expectativas?
Talvez amadurecer seja perceber quantas vezes chamamos de escolha aquilo que, na verdade, era apenas medo de decepcionar os outros.
Passamos tanto tempo tentando corresponder às expectativas alheias, evitando conflitos e buscando aprovação, que podemos acabar construindo uma vida que agrada a todos, menos a nós mesmos.
Talvez uma das descobertas mais dolorosas da vida adulta seja perceber que, de tanto tentar caber no mundo dos outros, acabamos nos tornando estranhos dentro da nossa própria história.
Liberdade, então, talvez seja descobrir quais desejos são realmente nossos.
No fim, a pergunta já não é quanto da minha vida vivi pelos outros, mas quanto da vida que me resta estou disposto a viver por mim.
De tanto ser mal interpretado e ter minhas falas concluídas por mim, sempre supondo o pior, o silêncio tornou-se o lugar mais seguro.
Não por falta de sentimentos ou de coisas a dizer, mas porque cansei de explicar minhas intenções a quem já decidiu enxergar em mim aquilo que queria condenar.
Algumas mulheres dizem querer mais comunicação e honestidade, mas só quando a verdade vem embalada em voz suave, acompanhada de elogios e pedidos de desculpas.
Se para ser ouvido, alguém precisa suavizar constantemente o que pensa para não incomodar, isso deixa de ser comunicação e passa a ser controle, manipulação.
Não se pode cobrar responsabilidade e se fechar quando chega a hora de responder pelas próprias atitudes.
A verdade nem sempre é agradável. Às vezes, incomoda e confronta. Mas desconforto não é desrespeito, assim como firmeza não é agressão.
Antes de criticar a forma, reflita sobre a mensagem. Transformar uma conversa difícil em uma discussão sobre “o seu tom” pode ser apenas uma maneira conveniente de fugir do verdadeiro assunto.
Comunicação exige maturidade para ouvir também o que não se gostaria de escutar.
Preocupe-se menos com o tom que feriu seu ego e mais com a verdade que atingiu sua consciência.
