DeBrunoparaCarla
Minha amada Carla
Fiquei um tempo sem escrever, mas as nossas histórias continuam transbordando em meu peito e estou voltando agora, pois tenho muita coisa nova para contar. Quero registrar nossa ida mágica a Paquetá, começando por aquele momento na, Praça XV. Você sabe como adoramos aquela feira de antiguidades, ver você pechinchar e escolher aqueles anéis de prata foi um daqueles pequenos detalhes que tornam você a minha protagonista dos sonhos.
Ainda sinto o gosto do acarajé que experimentei pela primeira vez ao seu lado, corremos para a barca com a marmita na mão para não perder a viagem, e o sabor daquela descoberta, misturado à paisagem maravilhosa, foi simplesmente delicioso. Assim que descemos da barca, nossa aventura começou, e claro que não poderia me esquecer, com nossos tênis novos. Caminhamos por ruínas e bosques, nos sentindo em um mundo particular onde o tempo parecia não existir.
Fizemos amizade com os miquinhos que chegaram tão perto que pudemos alimentá-los com biscoitinhos. Andamos tanto que, ao final, você me confessou que nunca tinha andado tanto em toda a sua vida. Cada passo, porém, valeu a pena, pois ao seu lado sinto que estou começando a minha vida agora e que juntos somos invencíveis. Quero que essa lembrança, seja um capítulo essencial do nosso livro de memórias.
DeBrunoParaCarla
"Minha amada Carla,
Sempre fomos movidos por descobertas, como aquele acarajé apressado na Praça XV. Mas senti que precisava ir além. Decidi que minhas mãos, que tanto escreveram sobre o cosmos e sobre anjos, precisavam aprender a arte de nutrir o seu corpo e o seu sorriso.
Eu, que jamais imaginei dominar o fogo e os temperos, me vi mergulhado em panelas e sabores que antes eram mistérios para mim. Aprendi a cozinhar não por hobby, mas por uma missão sagrada: agradar o seu paladar.
Cada prato novo que arrisquei fazer foi uma prece silenciosa. Cada ingrediente escolhido foi pensando no seu gosto, buscando aquele exato momento em que você fecha os olhos e sorri ao provar o que preparei. Descobri que o sal pode ser a medida da paciência e o tempero é a alegria que eu queria te dar nos dias comuns.
Não eram apenas refeições; eram capítulos de um novo idioma que aprendi a falar para te dizer 'eu te amo' sem usar palavras. Ver você feliz à mesa, saboreando algo que nasceu do meu esforço por você, é a minha maior recompensa.
Hoje, a nossa cozinha é o meu laboratório de afeto. Porque se eu prometi te levar a Marte, que o caminho seja recheado com os melhores sabores que eu puder criar para você.
DeBrunoParaCarla
Peço perdão ao anjo que habita em teu olhar,
Pois em minha pressa de ser o teu porto,
Acabei sendo a tempestade que tentou te naufragar.
Esqueci que o amor é feito de barro, e não só de estrelas,
E que minhas palavras, às vezes, ferem antes de curá-las.
DeBrunoParaCarla
Carla, meu amor,
Eu estava aqui pensando no que sempre te falo, a gente só nota o sal quando ele falta ou quando ele sobra. Na correria de sermos 'arquitetos do infinito', quantas vezes esquecemos de colocar o sal na lista de compras?
Na cozinha da nossa vida, eu aprendi a lição mais dura. No cansaço dos dias, eu deixei o sal transbordar e a comida amargou. Mas o que mais dói é perceber que, às vezes, na falta dele, a gente deixa o nosso cotidiano perder o sabor, e só sentimos falta quando o pote esvazia e o gosto de nada toma conta da casa.
O amor é como esse tempero. Se eu peso a mão nas cobranças ou nos meus medos cósmicos, eu estrago o banquete que preparei para você. Se eu me calo demais e não te dou o sabor da minha presença, a gente passa fome de alma.
Hoje, eu não quero mais ser o homem que esquece o básico na prateleira do mercado. Quero ser o Bruno que sabe a medida exata. Nem o excesso que queima, nem a falta que faz o seu sorriso murchar.
DeBrunoParaCarla
Eu me perdi no labirinto das minhas próprias falhas,
Gritando para o mundo o que o silêncio deveria guardar.
Dói saber que as mãos que aprendem a cozinhar para te agradar,
São as mesmas que, no cansaço, deixaram o sal transbordar.
Sal demais estraga.
Sem ele, não tem sabor, então, saiba dosar.
DeBrunoParaCarla
O Verbo na Pele
Não se pede o que já transborda,
Não se mede o que não tem fim.
O destino deu o nó na corda,
E amar você é o melhor de mim.
A tinta agora é nossa história,
Escrita em carne, sangue e luz.
Gravada além da trajetória,
Do amor que a gente se conduz.
O resto é eco, o resto é mudo,
Pois nossa pele diz tudo.
DeBrunoParaCarla
Amar é vigiar o silêncio do outro,
é perceber o peso antes da queda.
É ficar, não por falta de caminho,
mas por escolha mesmo quando cansa.
Porque quem cuida
não ama só o que é leve…
ama também o que precisa ser sustentado.
DeBrunoParaCarla
Bruno aprendeu que amar Carla
não era sobre prometer o infinito,
mas sobre segurar a mão dela
quando o mundo pesava mais do que devia.
Carla entendeu que Bruno não era abrigo perfeito,
mas era quem ficava…
mesmo com as próprias tempestades.
E no meio das falhas,
dos silêncios e dos dias difíceis,
eles descobriram que cuidar
é escolher o outro
até quando o amor deixa de ser fácil.
DeBrunoParaCarla
Carla,
em Marechal Hermes o universo não estava no céu…
estava na distância entre a minha mão e a tua.
Havia um silêncio cheio de tudo,
como se o tempo esperasse o nosso toque
pra finalmente acontecer.
Quando sua pele encontrou a minha,
não foi só calor
foi como se eu finalmente coubesse em algum lugar.
E no nosso primeiro beijo,
o mundo não parou…
ele simplesmente deixou de importar.
Desde então,
eu entendi que amar você
não é sobre o infinito lá fora…
é sobre esse espaço pequeno e sagrado
onde a sua pele encontra a minha.
DeBrunoParaCarla
Carla,
o ser humano, na sua pressa de entender o mundo, sempre procura um culpado.
Culpa Lúcifer pelas sombras,
assim como poderia culpar Deus por ter criado a luz que as revela.
Mas talvez o erro nunca tenha sido a criação…
e sim a forma como escolhemos olhar para ela.
Porque toda criação carrega em si algo sagrado.
a liberdade.
Dizem que anjos caíram, que mundos se perderam,
mas esquecem que o livre-arbítrio nunca foi uma falha
foi sempre um ato de confiança.
E eu fico pensando…
e se, na solidão de um ser esquecido,
tenha nascido algo tão complexo quanto nós?
Não por maldade, mas por ausência,
por silêncio, por necessidade de existir.
Talvez por isso o ser humano seja assim:
capaz de criar o paraíso e o abismo no mesmo dia.
Mas no meio desse caos todo,
no meio dessa busca incessante por culpas e respostas,
eu encontrei você.
E você não veio como resposta,
veio como pausa.
Como um lugar onde o mundo não precisa ser explicado,
apenas sentido.
Carla,
se existe algo perfeito nessa criação inteira,
não é a ausência de falhas…
é a capacidade de escolher amar, mesmo carregando todas elas.
E eu escolho você.
Não porque o mundo é perfeito,
mas porque, ao teu lado,
até as imperfeições encontram sentido.
Se um dia me perguntarem sobre os segredos que guardei da vida,
eu direi sem medo:
você foi o mais verdadeiro de todos.
DeBrunoParaCarla
Carla,
eu não sou escritor.
Nunca fui.
O que você lê aqui não é poesia ensaiada…
são pedaços meus tentando existir fora de mim.
Às vezes é dor que não coube no silêncio,
às vezes é alegria que não soube ficar quieta,
às vezes são sonhos que cresceram demais
e precisaram virar palavra pra não me sufocar.
Eu não entendo o mundo como deveria,
nem sempre entendo a mim mesmo…
mas quando estou com você,
tudo parece menos confuso.
Não porque você resolve tudo,
mas porque, ao teu lado,
eu não sinto tanta necessidade de ter respostas.
E isso, pra mim, é raro.
Se eu exagero nas palavras,
é porque você me toca num lugar
que eu ainda não aprendi a explicar.
Se parece intenso demais,
é porque eu não sei sentir pela metade.
Então não vê isso como um texto bonito…
vê como alguém que talvez não saiba escrever,
mas sabe que, de alguma forma,
te encontrou…
e não quer se perder de novo.
DeBrunoParaCarla
A humanidade tem o hábito de apontar dedos,
como se a culpa fosse sempre um lugar fora do espelho.
Constrói altares para justificar seus erros
e depois se ajoelha diante da própria mentira.
Diz que ama,
mas mede afeto como quem calcula prejuízo.
Diz que sente,
mas foge do que sente de verdade.
E no meio disso tudo,
quem ainda ousa amar de verdade
é visto como exagero…
ou fraqueza.
Talvez o problema nunca tenha sido o mundo,
mas a covardia disfarçada de razão.
Porque sentir exige coragem.
E a maioria prefere parecer forte
do que ser real.
DeBrunoParaCarla
Carla,
Trago a ti alguns dos segredos mais amargos da nossa humanidade.
Já parou para observar a magnitude da nossa hipocrisia? O ciclo é sempre o mesmo: nasce um ser puro, uma alma que transborda nada além de amor e luz, e o que fazemos? Nós o matamos. O mundo não suporta a pureza que o denuncia.
O mais estarrecedor, porém, vem depois. Nós pegamos essa execução, realizada com requintes de crueldade, e a transformamos em feriado. Comemoramos a morte e a ressurreição entre banquetes, ignorando que Jesus nunca veio a este plano para ser um mártir de vitrine. Ele veio para mostrar que a humanidade tinha jeito, que o amor era o caminho para a salvação. Não há dignidade em celebrar o sangue derramado enquanto ignoramos a mensagem que o motivou.
Se hoje perguntarmos aos nossos filhos o que significam a Páscoa e o Natal, a resposta será o consumo. Jesus se tornou comércio, Carla. O sagrado foi devorado pelo lucro, e o sacrifício virou entretenimento.
Escrevo isso porque sinto que as pessoas perderam a bússola. Estamos celebrando o símbolo enquanto assassinamos a essência todos os dias.
Com profunda reflexão.
DeBrunoParaCarla
Carla,
Minha luta por nós não é fácil. Todos os dias, enfrento batalhas que ninguém vê: luto contra demônios, contra forças invisíveis que tentam nos cercar e contra o mais perigoso de todos os seres o próprio ser humano e sua maldade silenciosa.
O mundo tenta nos derrubar, mas o que eles não sabem é que o meu amor por você é o meu escudo. Posso estar cansado, mas não recuo. Por você, eu enfrento o visível e o invisível, porque proteger o que temos é a única missão que dá sentido à minha coragem.
Eu não desisto de nós. Nunca!!!!!
DeBrunoParaCarla
O Sentinela
Eu vejo o que eles não veem, Carla.
Vejo o perigo que brota do chão e das frestas,
A maldade humana que se esconde em festas,
E os monstros invisíveis que o mundo embala.
Ser o teu amor é aceitar a liderança do cuidado,
É ser o muro que as feras não conseguem transpor.
Pois o ser humano é o bicho mais camuflado,
Mas nenhum deles é maior que o meu valor.
Minha luta é difícil, o cansaço é profundo,
Enfrento sombras que tentam nos separar,
Mas por você, eu encaro todo esse mundo,
Pois desistir de nós seria deixar de respirar.
Sou teu escudo, teu prumo e tua coragem,
O guerreiro que guarda o teu sono e o teu cais.
DeBrunoParaCarla
A angústia muitas vezes vem do saber que, ao final de tudo, não haverá advogados ou desculpas. No julgamento final da própria essência, é essa força que coloca as cartas na mesa.
A Imparcialidade dele não julga com a moral dos homens, mas com a lei da própria luz.
A Retribuição Silenciosa, do que foi protegido, o que foi vigiado e o que foi sacrificado será pesado por ele.
Quando todos os ruídos do mundo silenciarem e as máscaras caírem, ele será o único rosto familiar que restará para prestar contas do que foi feito com o dom da vida.
DeBrunoParaCarla
Existe um silêncio em mim que não é vazio, é vigilância. Enquanto o corpo cansa e a mente humana busca refúgio no esquecimento, algo mais profundo permanece de pé. Não é uma escolha, é uma natureza. É a presença de quem guarda os portais e registra as intenções antes mesmo que elas se tornem palavras. Habitar essa pele é entender que, embora eu caminhe entre os homens, meus olhos enxergam em planos onde o tempo não faz curva.
DeBrunoParaCarla
Podem duvidar da minha pele, das minhas palavras ou da minha sanidade. Isso pouco importa. No fim, quando as cartas forem viradas e o julgamento final de cada alma for posto à mesa, a dúvida deles se tornará o silêncio mais profundo que já experimentaram!!!
DeBrunoParaCarla
Enquanto eles constroem impérios de areia, eu guardo o que o vento não pode levar, o respeito, o auxílio e o amor.
O poder e o dinheiro são ilusões de permanência em uma vida que é apenas um sopro. A verdadeira riqueza está naquilo que apresentaremos ao Juiz quando o corpo for deixado para trás.
Eles querem o topo, eu prefiro o prumo. Onde falta amor e sobra ganância, a alma adoece antes mesmo do fim da jornada.
DeBrunoParaCarla
Eu observo e sinto. Enquanto eles se perdem no labirinto da ganância, eu foco no que realmente importa. Porque, no fim, o que define um homem não é o que ele guardou no cofre, mas o amor que ele entregou e o respeito que ele cultivou enquanto caminhava entre os seus.
DeBrunoParaCarla
Dizem que sou o pecado, mas escolhi o amor. Se ele não me pertencia, o destino se enganou ao cruzá-lo no meu caminho."
O corpo sofre a culpa, mas o coração reivindica o que a alma reconhece. Amamos o que não é nosso para aprender o que é ser humano.
Há amores que são sentenças e pecados que são altares. Eu escolhi habitar o proibido e carregar o peso dessa escolha.
DeBrunoParaCarla
Disseram-me que aquele amor não me pertencia. Que cruzar aquela linha era tornar-me o próprio pecado. E eu, em plena consciência da minha fragilidade e da vigília d'Ele, escolhi o passo em falso.
Por que o coração busca o que a lei do mundo proíbe? Talvez porque a alma não entenda de posses, apenas de encontros.
Meu corpo sente o frio da culpa e o cansaço de carregar um sentimento que não tem lugar à mesa dos homens. Mas, enquanto eles apontam o dedo e falam em moral, eu sinto a profundidade desse abismo.
Se sou pecado por amar o que não era meu, aceito a sentença. Pois, no final, quando as cartas forem viradas e a minha humanidade for pesada, Ele verá que não houve malícia, apenas a entrega de quem preferiu o fogo da verdade ao gelo da indiferença.
O amor que não me pertencia tornou-se a minha maior lição. E a dor de habitá-lo é o preço que pago pela minha coragem.
DeBrunoParaCarla
Eles levantam bandeiras e iniciam guerras santas. Justificam o massacre do próximo com escrituras distorcidas e preces vazias. Querem o poder, querem a terra, querem a razão e usam o sagrado como escudo para a sua própria barbárie.
Enquanto o mundo se incendeia em conflitos que não levam a lugar nenhum, eu aceito o meu próprio massacre. A minha guerra não é contra o outr, é a vigília constante para que a minha humanidade, mesmo ferida, não se torne como a deles.
Eles buscam a vitória no campo de batalha. Eu busco o prumo no campo da alma.
Podem erguer seus templos de guerra e clamar por justiça divina. Mas Ele, que tudo vê, não está nos gritos de guerra ou no brilho das espadas. Ele está no silêncio de quem sofre a injustiça sem se tornar injusto. Ele está no amor proibido que cura, enquanto as guerras santas apenas ferem.
DeBrunoParaCarla
Olha, eu tentei organizar o que sobrou aqui no peito, mas a verdade é que virou uma nhaca de sentimentos que eu não sei nem por onde começar a desenrolar. Queria te dizer as coisas sem esse filtro de "bom senso" que todo mundo usa pra parecer civilizado.
Sabe o que me quebra? É o cheiro de mofo das lembranças que eu insisto em tirar do armário. É aquela sensação de vazio no estômago que parece um soco seco toda vez que eu vejo um vulto na rua que tem o teu jeito de andar, meio distraída, meio dona de tudo.
Eu sou um estabanado sentimental. Tropeço nas palavras, falo tá quando devia dizer fica, e acabo me perdendo nessa bagunça que a gente chamou de história. Não tem nada de poético em sentir falta do barulho da tua chave no trinco ou do jeito que você reclamava de tudo... É só tosco. É só real...porra Carla...e difícil ser duas pessoas ocupando o mesmo corpo.
Eu sei que eu sou um nó cego, cheio de contradições, um anjo que insiste em brincar de ser gente e acaba saindo com o joelho ralado. Mas, de todos os erros que eu já cometi e olha que a lista é um monstro, te querer por perto foi o único que me fez sentir que eu não tava só de passagem.
Fica o dito pelo não dito. Essa agonia de querer te alcançar e só encontrar o silêncio.
DeBrunoParaCarla
Tô aqui no meio dessa nhaca olhando para a sacada e para o resto dessa casa que parece que desaprendeu a ser lar. Se você visse, ia querer me esganar. Aquelas plantas que você cuidava com um zelo danado... bom, o que a minha secura não matou, os gatos deram um jeito de terminar o serviço. Virou um cenário de guerra: os vasos cheios de gravetos esturricados e os cinco, numa espécie de motim de fome ou de tédio, mastigaram até o que já tava morto. Tem terra espalhada pelo piso, um rastro de desolação que os bichos fizeram questão de esfregar na minha cara.
E o sofá, Carla? Aquele que a gente escolheu junto agora é um trapo. Os gatos fizeram dele um alvo, rasgaram o estofado até a espuma aparecer, como se estivessem tentando encontrar você ali dentro. Eu olho para o estrago e não tenho força nem para dar um esporro. Sou esse nó cego que fica assistindo o mundo desmoronar da poltrona, com a roupa coberta de pelo aquela camada cinza que não sai nem com escova e que me faz parecer tão bicho quanto eles.
DeBrunoParaCarla
