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Mudamos de paixões, mas não vivemos sem elas.

Sem os males que contrastam os bens, não nos creríamos jamais felizes por maior que fosse nossa felicidade.

A religião supre o juízo e a razão que falta em muita gente.

O meio mais eficaz de nos vingarmos dos nossos inimigos é fazendo-nos mais justos e virtuosos do que eles.

Causam menos danos cem delinquentes do que um mau juiz.

Queixam-se muitos de pouco dinheiro, outros de pouca sorte, alguns de pouca memória, nenhum de pouco juízo.

Uma coisa não é justa porque é lei, mas deve ser lei porque é justa.

As grandes livrarias são monumentos da ignorância humana. Bem poucos seriam os livros se contivessem somente verdades. Os erros dos homens abastecem as estantes.

É que a sabedoria é um trabalho, e sermos apenas sensatos custa muito, pois para se fazerem asneiras basta deixarmo-nos ir.

Deus, arquitecto do universo, proibiu o homem de provar os frutos da árvore da ciência, como se a ciência fosse um veneno para a felicidade.

Um homem só está seguro daquilo que possui.

A vingança comprimida aumenta em violência e intensidade.

Pouco saber exalta o nosso amor-próprio, muito saber humilha-o.

Tendo a ser, mas pouco:
resta ainda um tempo
que me espera e reclama.

Fábula: A Raposa e a Cegonha

A Raposa convidou a Cegonha para jantar e lhe serviu sopa em um prato raso.

-Você não está gostando de minha sopa? - Perguntou, enquanto a cegonha bicava o líquido sem sucesso.

- Como posso gostar? - A Cegonha respondeu, vendo a Raposa lamber a sopa que lhe pareceu deliciosa.

Dias depois foi a vez da cegonha convidar a Raposa para comer na beira da Lagoa, serviu então a sopa num jarro largo embaixo e estreito em cima.

- Hummmm, deliciosa! - Exclamou a Cegonha, enfiando o comprido bico pelo gargalo - Você não acha?

A Raposa não achava nada nem podia achar, pois seu focinho não passava pelo gargalo estreito do jarro. Tentou mais uma ou duas vezes e se despediu de mau humor, achando que por algum motivo aquilo não era nada engraçado.

MORAL: às vezes recebemos na mesma moeda por tudo aquilo que fazemos.

O que é uma grande vida senão um pensamento da juventude realizado pela idade madura?

Um homem desonrado é pior que um homem morto.

O vento é o tempo:
sopra varre levanta lambe
desfaz o que foi feito.

O corpo é um caminho:
ponte, e neste efêmero abraço
busco transpor o abismo.

É na idade da ambição que se prova a têmpera dos homens.

A ignorância que se conhece, se julga e se condena não é uma ignorância completa: para que o seja, é preciso que se ignore a si mesma.

O temor da morte é a sentinela da vida.

A devoção encontra, para praticar uma má ação, razões que um simples homem jamais encontraria.

Sabei escusar o supérfluo, e não vos faltará o necessário.

Cuide de vossa graça, pois aqueles ali não são gigantes, mas moinhos de vento, e aquilo que pensais serem braços são as pás que, girando o vento, movem a mó.