Danielle Rosate

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Às vezes o medo me rasga por dentro
e eu já não sei distinguir
o que é intuição
do que é trauma gritando alto demais.

Eu gosto.
E isso me apavora.

Hoje eu quis chorar até faltar ar,
não por drama,
mas porque as lágrimas são a única água
capaz de atravessar os muros que levantei.
Eu queria que elas lavassem
o peso das dúvidas,
o cansaço de ter que ser forte o tempo todo.

Eu tive medo.
Medo do caminho,
medo de apostar,
medo de cair outra vez
no mesmo abismo com nome de amor.

Quando foi que amar virou ameaça?
Quando foi que sentir passou a doer
antes mesmo de acontecer?

Em que ponto a gente desaprende
a confiar?
A se entregar sem medir o risco,
sem contar as chances de perder,
sem calcular a dor futura?

Eu quero amar com a alma em carne viva,
com o corpo que treme,
com o coração que sangra,
mas ainda escolhe ficar.

Quero o amor nos detalhes,
no toque que não machuca,
no silêncio que acolhe,
no olhar que não foge
quando vê minhas cicatrizes.

Quero que o amor volte a nascer em mim
como um sol que não pede licença,
rasgando o céu cinza,
aquecendo o que ficou frio,
provando que nem tudo o que queima
destrói.

Eu queria renascer.
Sem defesas.
Sem medo.
Sem passado mandando em mim.

Renascer para amar sem barreiras,
mesmo sabendo que amar
é sempre um risco.

Mas é o único risco
que faz a vida pulsar



Poderia eu mudar o destino?
Se nasci para curar os outros
e aprender a deixá-los ir,
há algo de cruel nesse acordo silencioso
entre o amor e a despedida.

Carrego mãos que saram,
mas um coração que sangra em segredo.
Nunca foi fácil.
E, às vezes, compreender
é a forma mais profunda de sofrer.

Eu queria dizer ao destino
que, só desta vez, me permitisse ficar.
Ser amada sem medida,
sem medo,
sem partida.

Não mereci as lágrimas que caíram de mim,
mas ainda assim, nunca deixei de amar.
Se toda luz que espalhei tiver algum peso,
peço apenas isso, em silêncio:

que ele fique.
E que, dessa vez,
o amor não seja cura —
seja lar.