Biografia de Dalton Trevisan

Dalton Trevisan

Dalton Trevisan (1925) nasceu em Curitiba, Paraná, no dia 14 de junho de 1925. Formado em Direito pela Universidade de Direito do Paraná, só exerceu a advocacia durante sete anos. Estreou na literatura com a novela “Sonata ao Luar” (1945). Em 1946 lançou a revista literária “Joaquim”. Nesse mesmo ano publicou na revista seu segundo livro “Sete Anos de Pastor” (1946).

A partir de 1954 publicava sua obra em forma de folhetos. Em 1959 lançou “Novelas Exemplares”, que ganhou repercussão nacional e recebeu o Prêmio Jabuti. Sua obra reúne pequenos contos com temas do cotidiano curitibano. A obra foi o início de uma série que prosseguiu em “Cemitério dos Elefantes” (1964), “O Vampiro de Curitiba” (1965), “A Morte na Praça” (1965) e “Desastre do Amor” (1968). Nesse mesmo ano recebeu o Prêmio Literário do Brasil, no I Concurso Nacional de Contos promovido pelo Estado do Paraná.

Dedicado exclusivamente ao conto, só teve um romance publicado "A Polaquinha" (1985). Em 1996 recebeu o Prêmio Ministério da Cultura de Literatura, pelo conjunto de sua obra. Em 2003 dividiu com Bernardo de Carvalho o I Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, com o livro "Pico na Veia". Foi o vencedor da 24ª edição do Prêmio Camões de 2012, conferido pelo conjunto da obra.

Publicou também "A Guerra Conjugal" (1970), "O Rei da Terra" (1975), "Crimes da Paixão" (1978), "Quem Tem Medo de Vampiro" (1998), "Continhos Galantes" (2003), "O Maníaco do Olho Verde" (2008), "Violetas e Pavões" (2009), "Desgracida" (2010), "O Anão e a Nifesta" (2011), entre outras.

Acervo: 6 frases e pensamentos de Dalton Trevisan.

Frases e Pensamentos de Dalton Trevisan

"Não fale, amor. Cada palavra, um beijo a menos."

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Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.

Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.

Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate — meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.

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no muro o caracol
se derrete nos rabiscos
da assinatura prateada

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a cigarra anuncia
o incêndio de uma rosa
vermelhíssima

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O que não me contam eu escuto atrás das portas.

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