Da

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Era uma rosa branca
Pintei-me de vermelha
Queria ser tão bela quanto ela
vestida na cor do amor.

Antes era rosa branca bonita
Depois rosa branca sem brilho
Agora vermelha querendo ser bela
No final sempre serei quem sou.

Fiz o que pude para ser quem não sou
Quando percebi que não era quem queria
Nunca serei rosa vermelha mesmo rubra
Minhas pétalas por dentro são neve.

Não posso voltar a ser quem era
Nem sei mais quem sou
Perdida entre o vermelho e o branco
Só queria simbolizar o amor.

O tempo se torna longo quando a ansiedade fica perto.Rouba a luz do caminho e remove o que há de mais belo.

O presente nunca é puro:
há sempre as nódoas do passado.

Um dia, volveremos ao infinito.
Onde estaremos? E o que seremos?
O nada do infinito não responde,
pois não há ninguém para escutar.

De tudo somos possuídos:
coisas, pessoas e idéias.
Mas só a morte nos possui de vez.

O passado cresce como musgo
nas paredes do presente,
até que não haja paredes
livres para o presente.
Até que não haja presente
e nem existam paredes.

Nada há que segurar.
O vazio é que sustenta
mundos,
seres
e coisas.

Os livros estão extinguindo
as árvores.
Temos livros de mais
e árvores de menos.

O homem inventou a igualdade.
Na natureza tudo é desigual.
A perfeição é invenção geométrica.
A ordem do mundo é o caos mutante.
A criação é sempre nova:
só acontece uma vez.
Se você aprender a ver
nunca mais dirá que o mundo
é o mesmo o tempo todo.

Um dia, morreremos
(ou acordaremos?).
E, se acordarmos,
o que seremos?

O acaso é um deus imprevisível.

Mas Deus é previsível?

Tortura tecnológica
para manter quase vivo
o que quase morto está.

Todos vigiam e são vigiados.
Eis o que é segurança.

E a liberdade?

A cada dia basta a sua própria verdade.

Da janela do presente
observa-se o presente
com os olhos do passado.

Da janela do presente
observa-sse o futuro
como extensão do passado.

Quando somos o presente,
não há futuro e passado,
porque só há o presente
observando o presente.

O que será do guerreiro
se ninguém quiser lutar?!

O espírito é um sonho
que, um dia, se fez carne
e pensou que era carne,
até voltar a ser sonho.

O tempo vazio.
O espaço vazio.
O coração vazio.

Um oco que não tem fim.

A solidão sem fronteiras.

Um silêncio surdo-mudo
é testemunha do nada.

O futuro é o próximo ato,
o próximo passo,
o próximo fato.
Ele existe enquanto não existe
e morre logo que se torna hoje.

Há muitos mundos possíveis.

Há muitos de nós possíveis:
só esperam acontecer.

Procuramos Deus no cosmo.
Procuramos Deus no átomo>

Onde o seu esconderijo?

O real nos parece um fluxo e no fluxo não há modelos. Daí, a eterna controvérsia dos que admitem, como Heráclito, que o fluxo ou devir é a realidade e dos que entendem, como Parmênides, que o real é imutável e o devir é aparência. Os modelos, portanto, são nossas formas perceptuais e transitórias de apreender, a cada momento, o fluxo. Assim, cada forma perceptual do fluxo só é real em relação ao percebedor no momento da percepção e só se torna aparência ou Maya se prossegue além da percepção.
O real é o agora. O agora é sempre inédito. Quem vê, não precisa de palavras, pois só se fala para aqueles que não viram. E o que se diz, já não é: o presente é mais rápido que o laço da palavra. Por isso, quem fala, não vê, porque, se fala, fala do que já não vê. O eu não existe no presente: surge, quando a experiência já terminou. O eu é o passado.
Cada percepção do real é única e irrepetível. Jamais saberemos o que perdemos, ja-
mais repetiremos o que experimentamos. A riqueza do viver não consiste na acumulação do vivido, mas na capacidade de viver plenamente o momento que passa. Nenhuma experiência deve deixar restos ou saldos, pois eles deformam as novas percepções da realidade.

Cada vez mais se constata que a atividade psíquica não é um produto exclusivamente fisiológico. Sabe-se, experimentalmente, que a ausência da atividade onírica provoca estados psicóticos, os quais, inclusive, podem levar é morte, caso persistam por muito tempo. A importância da vida mental para o organismo ficou comprovada nesses experimentos.
O homem, quando dorme, apenas muda o nível de sua atividade psíquica. Se o que ele percebe, em estado de vigília, é real, por que real seria o que ele percebe oniricamente?
Qual, na verdade, a diferença entre o que passou e o sonho? A memória não prova o que aconteceu, pois o presente, agindo sobre o passado, o modifica. Só o presente, então, parece real. Mas, o presente é instantâneo e está influenciado pela memória e pelas expectativas do futuro.
O sonho é o que não se tornou fato e o passado é o fato que se tornou sonho, pois a memória tem a mesma estrutura do sonho.

A dúvida é a ginástica da inteligência.
Duvidar não é apenas negar o que existe, mas negar que o que existe seja a única coisa que existe. Negar, assim, é ampliar a visão da realidade. A dúvida que apenas nega é destrutiva.
O dogma é o cansaço da razão.
O homem que não duvida, cansou de crescer.
A dúvida é a saúde do espirito. Duvida-se, porque se quer mais. Porque se sabe que o que se sabe é provisoriamente necessário e necessariamente provisório. Porque o saber não tem fim. E o provisório não é irreal, enquanto provisório.
A dúvida é a fé de que há algo mais além do que se crê e a fé é a dúvida de que todo
real é só o que conhecemos.

Aonde vai quem morreu,
quando o seu onde perdeu?

Onde está quem não está
seja aqui ou seja lá?

Se o quem se fez invisível,
agora é carne impossível,
sem onde e quando, desfeito
no nada de que foi feito.