Biografia de Cruz e Sousa

Cruz e Sousa

João da Cruz e Sousa (1861-1898), conhecido como Cruz e Sousa, foi um poeta brasileiro, um dos precursores do simbolismo no Brasil.

Cruz e Sousa nasceu na província de Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis, Santa Catarina, no dia 24 de novembro de 1861. Filho de escravos alforriados foi educado pelo Marechal Guilherme Xavier de Sousa e esposa, de quem recebeu o nome e esmerada educação. Estudou línguas e ciências. Apaixonou-se pelas letras e começou a publicar versos em jornais da província.

Em 1981, fundou com Virgílio Várzea o jornalzinho literário “Colombo”. Juntou-se à companhia teatral dirigida por Julieta dos Santos e percorreu o Brasil de norte a sul. Em 1883 voltou ao sul e participou ativamente da campanha abolicionista. Tornou-se nessa época a figura central da vida literária de sua província. Em 1885 estreou com a publicação de “Tropas e Fantasias”, em parceria com Virgílio Várzea. Nesse mesmo ano, assume a direção do jornal “O Moleque”.

Em 1888, sofrendo preconceitos, muda-se para o Rio de Janeiro, passando a trabalhar como arquivista na Central do Brasil. Em 1893, publicou “Missal”, poemas em prosa e “Broquéis”, um livro de versos. Suas obras ocupam posição de destaque na literatura brasileira. Foi considerado o mais importante simbolista brasileiro. Desenvolveu uma linguagem rica e exuberante. Seus poemas são repletos de sonoridade.

Vítima da tuberculose, Cruz e Sousa morreu na Estação da cidade de Sítio, em Minas Gerais, no dia 14 de março de 1898. Em 1905, seu amigo Nestor Vítor publicou a maior obra do poeta, “Últimos Sonetos”.

Acervo: 13 frases e pensamentos de Cruz e Sousa.

Frases e Pensamentos de Cruz e Sousa

Acrobata da Dor
Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta ...

Pedem-se bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
nessas macabras piruetas d'aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço.

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O Horror dos Vivos
Ao menos junto dos mortos pode a gente
Crer e esperar n'alguma suavidade:
Crer no doce consolo da saudade
E esperar do descanso eternamente.
Junto aos mortos, por certo, a fé ardente
Não perde a sua viva claridade;
Cantam as aves do céu na intimidade
Do coração o mais indiferente.
Os mortos dão-nos paz imensa à vida,
Não a lembrança vaga, indefinida
Dos seus feitos gentis, nobres, altivos.
Nas lutas vãs do tenebroso mundo
Os mortos são ainda o bem profundo
Que nos faz esquecer o horror dos vivos.

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Ah! Toda a Alma num cárcere anda presa,
soluçando nas trevas, entre as grades
do calabouço olhando imensidades,
mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza
quando a alma entre grilhões as liberdades
sonha e sonhando, as imortalidades
rasga no etéreo Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas
nas prisões colossais e abandonadas,
da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,
que chaveiro do Céu possui as chaves
para abrir-vos as portas do Mistério?!

Cruz e Sousa
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Vida obscura

Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,
Ó ser humilde entre os humildes seres.
Embriagado, tonto dos prazeres,
O mundo para ti foi negro e duro.

Atravessaste num silêncio escuro
A vida presa a trágicos deveres
E chegaste ao saber de altos saberes
Tornando-te mais simples e mais puro.

Ninguém Te viu o sentimento inquieto,
Magoado, oculto e aterrador, secreto,
Que o coração te apunhalou no mundo.

Mas eu que sempre te segui os passos
Sei que cruz infernal prendeu-te os braços
E o teu suspiro como foi profundo!

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Nada há que me domine e que me vença
Quando a minha alma mudamente acorda...
Ela rebenta em flor, ela transborda
Nos alvoroços da emoção imensa.

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