Créusio Kizua

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Estou cansado de conversar apenas com meus pensamentos e transformar minha verdade em silêncio.


Também não quero ser visto como caos só por dizer o que penso. É só isso.


Não podemos passar o que ainda temos de vida assumindo responsabilidades que não são nossas em nome de uma aliança. A vida pede parceria, não sobrecarga. Pede reconhecimento, não teatro. Pede que o significado de um para o outro seja visto sem máscaras, sem fuga, sem deboche, sem a covardia elegante de fingir que nada aconteceu.


É isso que dita o ritmo da escolha.


Porque permanecer não pode ser apenas resistir. Permanecer precisa ter presença, reciprocidade e verdade.


No fim, o amor não se mede pelo quanto alguém suporta calado, mas pelo quanto duas pessoas conseguem se enxergar sem transformar a dor do outro em ameaça.

Queria viver um sorriso tão lindo quanto aquele que inventei nas memórias da minha mãe.


Um sorriso que talvez nem tenha acontecido exatamente assim, mas que minha alma precisou criar para continuar acreditando na ternura.


Queria sentir algo tão glorioso quanto o abraço que imaginei ganhar do meu pai no dia da minha formatura. Um abraço inteiro, sem pressa, sem dívida, sem ausência. Um daqueles abraços que dizem, sem dizer: “eu vi você chegar até aqui”.


Queria um colo com gosto de lar.


Um lar com aroma de lavanda, janelas abertas para a paz, silêncio criativo repousando no canto da sala e uma playlist que parece não ter fim, como se o tempo tivesse decidido parar só para me deixar respirar.


Talvez eu não queira luxo.


Talvez eu só queira presença.


Um lugar onde a alma não precise se explicar tanto. Onde o coração possa tirar os sapatos, pousar suas guerras no chão e existir sem pedir licença.


Talvez eu só queira, por um instante, viver dentro da beleza que um dia precisei imaginar para sobreviver.

O homem amadurece quando para de perguntar apenas “o que me dá prazer?” e começa a perguntar:
“Que tipo de homem nasce das recompensas que eu continuo perseguindo?”

Ôxe, cabra...


Tu só vai amadurecer de verdade
quando parar de perguntar só:


“Eita, isso aqui me dá prazer?”


e começar a perguntar, com o juízo sentado na cadeira:


“Que tipo de homem eu tô virando
com essas recompensa que eu vivo correndo atrás?”


Porque prazer, meu fi,
até vento em porta velha faz barulho.


Mas maturidade mesmo
é saber se aquilo que tu persegue
tá te fazendo homem inteiro
ou só menino grande
com fome usando roupa de adulto.

O primeiro som que sucede o silêncio não deve ser um estrondo, mas uma pulsação. A verdadeira paz não exige a imobilidade de quem respira; ela apenas pede que o movimento não seja uma fuga, mas um ancorar contínuo. Ao atravessar as cortinas recém-abertas, o cenário que se revela não nos apressa. Ele exige presença. É na cadência minuciosa dos passos, no atrito suave da sola contra o cascalho da própria jornada, que a identidade deixa de ser uma ideia no espelho e passa a ser o chão que pisamos. O silêncio nos ensinou a olhar para o centro; agora, o ritmo nos ensinará a caminhar a partir dele.

[Verso 1]


Olhar-se no espelho deveria ser
o mais simples gesto de amor,
não o altar secreto do ego,
nem um julgamento sobre a cor,
sobre o corpo, o rosto ou a idade,
sobre tudo o que o tempo tocou.


O espelho não conhece a alma,
só devolve aquilo que encontrou.
Mas existe um rosto atrás do rosto,
uma história atrás do que restou,
uma criança pedindo cuidado
e um adulto dizendo: “Eu aqui estou”.

Você não foi feito para acertar tudo de primeira. Foi feito para aprender, ajustar a rota, amadurecer e participar ativamente daquilo que deseja ver dar certo.


Tenha os pés no chão, os olhos lúcidos e a alma alinhada.


Porque acreditar em si não é imaginar que tudo será fácil. É decidir que as dificuldades não terão autoridade para escrever o último capítulo.