Eduarda Leite Costa Martins
Me disseram que eu sou um farol,
que guia os barcos, mas se mantém sempre em movimento.
Que um farol não fica parado.
Ele gira.
E que quando a luz não está refletindo na direção do barco,
ele precisa seguir em frente, sem medo e sem mudar o rumo.
Porque, na ausência de luz
quando o barco está no escuro
ele precisa lembrar que o farol continua lá.
Mesmo que não consiga enxergar a luz.
Eu sou guia.
Mas também sou movimento.
Também sou individualidade.
E quando minha luz não está apontada para um barco,
não é abandono.
É apenas o meu movimento natural.
Eu continuo sendo luz.
Só não posso parar de ser eu.
Eu não sou complicada.
Eu sou profunda.
E quem vive de superfície sempre acha profundidade exagero.
Eu agradeço.
Principalmente pelo que me doeu.
Porque Deus nunca me entregou força pronta.
Ele me entregou situações que me obrigaram a crescer.
Quando pedi por paciência,
me deu espera.
Quando pedi por maturidade,
me deu responsabilidade.
Quando pedi por poder,
me deu processos.
E foi atravessando tudo isso
que eu me tornei quem sou.
Hoje eu sei:
eu sou uma mulher muito forte.
Muito poderosa.
Não porque nada me abalou,
mas porque nada conseguiu me destruir.
Eu me basto.
Eu me sei.
Eu me sou.
Isto não é soberba.
É consciência.
É o reconhecimento da obra que foi feita em mim.
Pois a minha força não nasceu do conforto,
mas da resistência.
A minha luz não brotou da ausência de dor,
mas da coragem de atravessá-la.
Fui moldada no fogo das circunstâncias.
Fui lapidada pelo que me feriu.
Minha mãe me gerou,
mas foi a vida que me forjou.
E se fui destinada a algo,
foi a permanecer de pé.
Porque o mundo sempre foi pequeno demais
para aquilo que habita em mim.
