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Comodoro

Encontrados 8 pensamentos de Comodoro

“Véspera de Ano Novo é um rito de passagem que adoramos celebrar. Existe um fascínio quase mágico em vestir uma roupa nova, brindar com palavras de esperança e desejar "um novo tempo" aos outros. No entanto, o tecido novo no corpo não tem o poder de costurar o caráter, e os fogos de artifício não iluminam mentes que escolheram permanecer no escuro. O verniz da aparência, não substitui o mofo da alma.”
(Mário Luíz)

“Quem julga baseado em apenas uma versão da história, comete antes de tudo, um equívoco de perspectiva. Ao ouvir um relato apaixonado, tem a tendência natural a empatia com quem narra, mas é justamente nesse ponto que a justiça se perde em favor da narrativa e em desfavor ao contraditório da outra parte. A verdadeira justiça prefere o silêncio da incerteza ao ruído de uma sentença injusta. Logo, quem julgar pela metade, condena a si mesmo ao engano.”
(Mário Luíz)

"O Reino do Silêncio Povoado
Dizem que o silêncio é o som da solidão, mas na minha casa, ele é apenas o palco onde a vida acontece sem pedir licença. Viver sozinho não é um retiro; é uma curadoria. Aqui, o relógio não dita ordens, e a geografia da sala é um mapa de afetos que não exigem explicações.
Pela manhã, a primeira saudação não vem em palavras, mas no peso morno de um gato que decidiu que meu peito é o melhor lugar do mundo. Logo, o som das patas dos cães no assoalho cria uma percussão alegre, um ritmo que me lembra que, embora eu seja o único humano, nunca estou desacompanhado. Eles não julgam meus pijamas, nem questionam o fato de eu tomar café olhando para a luz que atravessa o vitral que pendurei na janela.
As paredes não são apenas concreto; são janelas para outros mundos. Há uma pinacoteca particular crescendo nos cantos, uma tela a óleo comprada em um sebo, uma fotografia de rua, um esboço que eu mesmo ousei riscar num domingo de chuva. Entre elas, as estantes transbordam. Meus livros são amigos que não interrompem; ficam ali, pacientes, oferecendo o lombo colorido para que eu escolha qual voz quero ouvir naquela noite.
À noite, o ritual se completa com o brilho azulado da tela. Ver um filme sozinho é um ato de entrega total. Posso chorar sem pudor, pausar para analisar a fotografia de uma cena ou simplesmente deixar que a trilha sonora preencha os espaços vazios entre as prateleiras.
Viver assim não é falta de gente, é excesso de si. É descobrir que a liberdade tem o cheiro de papel antigo e o calor de um focinho gelado encostado no tornozelo. No meu pequeno reino, a arte me explica, os bichos me amparam e a solidão, essa velha incompreendida, é apenas o nome que os outros dão para a minha paz."
(Mário Luíz)

"A estratégia de Donald Trump reflete preceitos de Sun Tzu ao utilizar o caos e a imprevisibilidade como ferramentas de negociação. Em A Arte da Guerra, a máxima "toda guerra é baseada no engano" sustenta a criação de tensões para desestabilizar adversários e forçar concessões. Ao projetar poder e discórdia, ele busca fortalecer sua posição política e econômica, transformando o conflito em uma vantagem estratégica pessoal."
(Mário Luíz)

"O Absoluto é relativo?
​Moisés trouxe a pedra, mas o fiel moderno faz "Self-Service da Fé": curte a promessa, ignora o sacrifício e cria sua própria igreja mental. ​A Constituição dos EUA segue o baile. Um texto curto, 50 interpretações. O que é lei na Califórnia vira crime no Texas.​Seja no púlpito ou no tribunal, o "Texto Sagrado" é só o rascunho. No fim, a verdade não é o que está escrito, mas o que a sua conveniência decide ler. Jazz jurídico, improviso espiritual. "
(Mário Luíz)

Para quem defende o regime de 64, fica o convite:
leiam'A Casa da Vovó', de Marcelo Godoy. O livro revela que a repressão não escolhia apenas 'inimigos externos'; militares legalistas e oficiais que discordavam da tortura também foram caçados, presos e sumiram nos porões.
A história de homens como o Capitão Carlos Lamarca mostra que a consciência falou mais alto que a farda diante das atrocidades cometidas. A ditadura não poupou nem os seus próprios soldados."


(Mário Luíz)

"Enquanto o topo do Judiciário se perde em influências e processos intermináveis, a solução real seria levar a justiça para a porta do cidadão: juízes, promotores e defensores de plantão em cada município para resolver conflitos na hora. Resolver o "pequeno" com punições imediatas e mediação direta não apenas acabaria com as montanhas de processos que travam o país, mas também tiraria o foco das regalias de Brasília para devolvê-lo ao respeito e à ordem no dia a dia de cada brasileiro."
(Mário Luíz)

Inserida por Comodoro

"Como policial de rádio patrulha por mais de 20 anos, vi de perto milhares de ocorrências pequenas que poderiam ter sido resolvidas na hora se tivéssemos juízes, promotores e defensores de plantão em cada município. Enquanto o topo do Judiciário se perde em influências e processos intermináveis (como mostra a imagem), o sistema trava porque não resolve o básico na base. Se puníssemos o pequeno conflito com agilidade e mediação direta, acabaríamos com as montanhas de processos que geram impunidade e libertaríamos as forças de segurança para o que realmente importa. A justiça precisa sair dos gabinetes de Brasília e voltar para o dia a dia do cidadão comum."
(Mário Luíz)