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Se o meu olhar te despe,
é porque tua pele me chama
como o mar chama a areia
numa ressaca constante.
Não tenho pressa em percorrer-te.
Quero decorar teus atalhos,
fazer morada em teus arrepios,
e beber do silêncio
que escapa da tua boca entreaberta.
Tu dizes que conversa o desejo,
mas eu escuto a tua alma.
E quando minhas mãos desenham
o mapa do teu corpo,
não busco o caminho de volta...
Eu busco o abismo.
Onde eu termino,
onde tu começas,
e onde nós, enfim, deixamos de ser dois. Ever .. .. ...
A Geografia do Quase
Nós somos o segredo que o tempo não conta,
A linha do horizonte que o sol nunca toca.
Tu és a pergunta na ponta da língua,
Eu sou o silêncio que a boca sufoca.
Caminhamos juntos na mesma calçada,
Mas em mapas distintos, em eras rivais.
Eu vivo no "agora", tu vives no "nada",
Dois corpos vizinhos... dois mundos jamais.
Te amo no espaço onde a lógica falha,
Onde o não e o sim se confundem no ar.
És a minha derrota e a minha medalha,
O naufrágio doce de quem não quer se salvar.
E se a vida nos pune com essa distância,
Que é feita de tudo, menos de chão,
Eu te abraço na sombra, com a mesma constância,
De quem guarda um incêndio dentro do porão EVER .. .. ...
Teu olhar me despe
antes mesmo do toque,
como vento morno
que percorre a pele
e aprende meus segredos.
Teu sussurro é chama
acendendo devagar
cada curva adormecida,
cada arrepio guardado
na espera do teu abraço.
Teu cheiro me envolve
como noite sem pressa,
e no silêncio do quarto
nossos corpos conversam
num idioma feito de desejo.
Tuas mãos desenham caminhos
que minha respiração acompanha,
e no compasso do teu peito
eu me perco —
doce, inteira, tua. EVER. .. .. ...
