CARTASPARANINGUEM
— Mas é justamente isso — disse Frieda. — É disso que estou falando, é o que me faz infeliz, que me afasta de você, ao passo que não conheço felicidade maior do que estar com você sempre, sem interrupção, sem fim; embora nem em meus sonhos eu imagine que exista na Terra um lugar calmo para o nosso amor, seja na aldeia ou em qualquer outra parte, e por isso imagino um túmulo profundo e apertado onde fiquemos abraçados como se fosse com tenazes, onde eu esconda meu rosto em você e você o seu em mim e ninguém nunca mais nos veja.
Tenho vindo pouco aqui, porque a maxima acontece na minha mente... Enquanto durmo, enquanto tento. Enquanto é quanto tempo ?
Vejo nos nos meus pensamentos, encontro voce em todas as partes, cenarios, frases e textos. Hoje ouvi que quem amamos, nunca se vai, mas vive dentro da gente. Enxergo tal pensamento dentro da saudade, dentro da lagrima, do vazio que ecoa com um grito de socorro.
Parece tragico, mas è o que me deu sentido, é a razão pela qual ainda respiro.
Nosso amor é materia, é fisico, como negar a existencia daquilo que doi.
Aperto minhas maos na busca incessante de conter meu nervosismo e ansiedade, na qual nenhum remedio me alivia, droga ou bebida.
Ah meu bem... se a gente pudesse na vida, reorganizar todos os equivocos que cometemos, nao todos mas os nossos.
Se houvesse algum tipo mistico de recuperar todas as noites, que eu insistia em ficar acordado so pra te olhar, e admirar aquilo que foi um feito divino, sem duvidas a maior obra de Deus, tu!
Sinto a urgência de dizer as coisas antes que se percam.
A vida me parece uma despedida escrita em movimento,
capítulo após capítulo, sem rascunho definitivo.
Posso crer no que quiser — eternidade, alma, paraísos.
Mas, de concreto, só me foi dada esta travessia:
começo, meio e um único desfecho.
É o limite que torna tudo raro.
Existir uma vez exige atenção às muitas chances do agora.
Por isso, não deposito fé cega na promessa do amanhã.
Trocar o presente por uma possibilidade futura
é um investimento frágil demais para algo tão sério quanto viver.
Não adio palavras necessárias.
Digo meus “sins”, sustento meus “nãos”.
Cuido do que merece memória
e deixo o resto ir sem alarde.
Arrisco-me.
Lanço meus dados diariamente.
Escrevo-me, risco-me, reescrevo-me —
até que a carta, enfim, encontre seu ponto final.
