Brunna Brito
Não te espero, porque sei que você só vai me fazer sofrer; mas te quero bem mais do que eu deveria querer.
E se o mundo acabasse hoje, eu seria salva? Gosto de pensar que sim, apesar das minhas transgressões, espero ser perdoada.
Era você no dia em que os meus olhos encontraram os seus, e é você todos os dias depois daquele. Sempre será sobre você...
SEGUNDA PELE
É tarde. Mais uma noite inteira sem dormir. A farda tornou-se parte de mim. Cheguei esgotada; não vi meus filhos, não toquei na comida. Sem forças para qualquer gesto, me jogo na cama e grito para o teto: até quando vou viver apenas para o trabalho?
As pessoas dizem que eu sou poeta; às vezes eu acredito.
Mas aí olho para a minha escrita e duvido.
Ela é simples e direta, sem a beleza dos grandes poetas, daqueles textos que despertam até inveja.
A minha escrita tem rima, tem honestidade — é a minha verdade, nua e crua.
São versos cheios de sentimento, alguns bons, outros ruins.
É arte de rua: sem frescura.
Outra pessoa vai recitar aquilo que eu criei pensando em você, para outra pessoa que não é você, outra pessoa vai fazer coisas que eu queria estar fazendo com você.
