Antonio CD Justo

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SOCIEDADE
Enquanto os do Olimpo se alimentam da claridade que fabricam, os da Névoa navegam na bruma que lhes deixam e ambos, sem o saber, são reflexo um do outro: o poder feito mito, o povo feito abstração, numa dança onde o alto e o baixo são dois movimentos do mesmo rio parado.

⁠“Vejo a política, esquerda e direita,
a discutir a margem do rio
enquanto milhões de seres humanos
se afogam no centro da corrente.”

Em Poesia “Fotografia da Ferida” de António CD Justo

Perdoa para que a mágoa não te envenene, mas não confundas a paz que conquistaste com a inocência que o outro perdeu.

VERDADE E IMAGEM

A verdade tornou-se um espelho partido; cada fragmento reflete a vontade de quem o segura, e a imagem do todo é apenas a soma das nossas solidões.
No reino da imagem fabricada, o maior acto de rebeldia é ainda procurar a porta da realidade, mesmo sabendo que, para a abrir, talvez seja preciso derrubar a nossa própria imagem refletida.


LEITURA


Quem lê só por um livro, ou só livros de que goste, depende demasiado da própria convicção.

⁠PROPAGANDA

A melhor propaganda é aquela que nos faz esquecer que estamos a ser convencidos. A TV torna-se no próprio écran.

DECLÍNIO
A sociedade arde e os especialistas procuram nas cinzas os fósforos já queimados.

DISFUNÇÃO POLÍTICA
Um Estado que vive sobretudo de serviços (turismo, hotelaria, beleza) está condenado à subserviência face a países com indústria de ponta e a ver os seus governantes reduzidos a meros administradores de diretrizes e agendas externas.

⁠CULTURA DE PAZ

Numa cultura de paz, os conflitos resolvem-se como no desporto: vence-se, mas não se aniquila o adversário.

⁠POLÍTICA-MORAL-JUTIÇA


Na política, a justiça e a moral obedecem ao Estado e às elites que o forjam. A regra é dura; mas a única brandura possível é que os homens bons ascendam aos cimos do mando.

PARA LÁ DA ESPUMA DA ONDA

A verdadeira felicidade nasce da transparência. Nasce de sabermos quem somos, o que nos envolve e o que nos condiciona. Mas não basta conhecer esses limites, é preciso tentar ir além deles, com a lupa dos sentidos, da intuição e da alma. Só assim poderemos intuir a luminosidade que, como um véu, ainda os encobre. E só então trilharemos um caminho verdadeiramente nosso.
António da Cunha Duarte Justo