Alessandro Macena
Não somos o erro da criação, mas a cura do Criador: somos a anomalia necessária que impede a perfeição de morrer de tédio.
Nós, e tudo o que em nós habita, não somos uma construção que se ergue, mas uma morada que sempre existiu; resta-nos apenas habitá-la. Não é sobre tornar-se algo, mas sobre ser o que se é; contudo, para manifestar essa essência, o autoconhecimento é indispensável.
Nós, e todas as coisas que existem em nosso âmago, não somos uma casa que se constrói; somos uma casa que sempre existiu. A nossa jornada, portanto, não é de aquisição, mas de remoção. Conhecer essa morada é o ato de retirar os entulhos, as lonas e as densas camadas de poeira — dogmas, medos e expectativas alheias — que o mundo jogou sobre nós.
Não existe a necessidade de "se tornar" alguém, pois já somos. O desafio real é parar de tentar ser quem não somos. Para manifestar a verdade que já habita em nós, o autoconhecimento é a chave que abre as portas: ao desconstruir o que nos foi imposto, finalmente passamos a habitar a casa que sempre nos pertenceu.
