alemedeiros
Pingente
Na palma, um metal Frio, o elo de um amor,
Um pingente que espelha a face e a dor.
Sobre o Fundo preto e Forte da Foto reluz o brilho que não volta mais,
E o eco de uma vida se desfaz em ais. A mão, que um dia afagou o rosto infantil,
Agora treme ao tocar o aço, Frio e hostil.
Era o seu amuleto, a sua proteção,
Hoje, a única herança de uma Fatal lição. A Família, um vitral quebrado pelo horror,
Deixa cacos de Fúria, de vazio e de pavor.
Ela se agarra à Fé, essa âncora teimosa,
Para que a Ferida aberta não a faça desditosa. A Fragilidade do mundo, exposta em um clarão,
Transformou um Futuro de luz em escuridão.
Mas a Fidelidade à memória é o que a move,
E a Fraternidade por outros que a mesma dor prove. O Fantasma da justiça, um sussurro no ar,
Enquanto a mãe, no luto, busca forças para lutar.
Pois em seu peito, um amor que a morte não desfaz,
O pingente de Fernando é a sua guerra e a sua paz.