280985
Título: O Nazareno Passou
Jesus Cristo de Nazaré
não chegou fazendo barulho.
Não trouxe trombetas,
nem anunciou a própria grandeza.
Passou como quem conhece a rua,
como quem sabe o nome das dores
antes mesmo que elas falem.
Tinha poeira nas sandálias
e eternidade nos olhos.
Sentava-se perto dos esquecidos,
como se ali fosse o centro do mundo.
E era.
Dizem que era Deus.
Mas eu gosto de pensar
que era também silêncio —
desses que consolam
sem explicar nada.
Na cruz,
quando tudo parecia fim,
Ele apenas amou.
E desde então,
quando a tristeza me visita sem avisar,
eu imagino o Nazareno passando outra vez
pela rua estreita do meu coração —
sem barulho,
mas ficando.
Título: Presente do Céu
Deus me deu um lar
e dentro dele colocou eternidade.
Chamou de família.
Diana,
meu abrigo nos dias difíceis,
minha paz quando o mundo pesa,
presença que transforma rotina
em milagre diário.
Em teus olhos eu aprendi
que amar é decisão
e também cuidado.
Isaque, meu primogênito,
força que cresce diante dos meus olhos,
promessa viva de futuro,
eco do meu nome
caminhando mais longe que eu.
Ismael, meu pequeno raio de luz,
riso que quebra qualquer cansaço,
mãos pequenas que seguram meu dedo
como se segurassem o mundo.
Vocês três
são a resposta de muitas orações
que eu fiz em silêncio.
Família não é acaso,
é presente de Deus
embrulhado em responsabilidade,
amor
e eternidade.
Se eu tiver vocês,
tenho riqueza que não se conta,
tenho herança que não se perde,
tenho céu começando aqui.
Título: Bé Bé, Homem de Céu no Peito
Meu pai,
Josimar Pedro da Silva —
mas para nós, simplesmente
Bé Bé.
Nome pequeno,
grandeza imensa.
Homem de passos simples,
palavras poucas,
olhar honesto
e Deus morando no coração.
Não usava ouro nas mãos,
mas carregava valor na alma.
Sua riqueza era caráter,
sua herança, exemplo.
Bé Bé ensinava sem discurso,
mostrava na prática
que dignidade não se compra
e fé não se negocia.
Tinha o céu nos gestos,
a bondade no jeito de falar,
e mesmo em silêncio
sabia aconselhar.
Um dia partiu…
assim, como quem atende um chamado mais alto.
Foi para a glória,
como homem que cumpriu sua missão.
E deixou aqui
um vazio que ecoa saudade,
mas também uma força
que nos mantém de pé.
Pai,
a ausência dói,
mas o teu exemplo permanece.
Porque homens como você
não morrem —
apenas sobem
para morar mais perto de Deus.
E em cada oração nossa,
há sempre um sussurro:
obrigado, Bé Bé.
Título: Paz Interior
Quando a tormenta em fúria se levanta
E o mundo agita o pó das ilusões,
Procuro a voz que dentro em mim encanta
E aquieta as íntimas revoluções.
Não busco aplauso vão que me suplanta,
Nem glória feita de frágeis ambições;
Prefiro a paz que silenciosa canta
No templo oculto dos meus corações.
Se a dor insiste em turvar-me a estrada
E o medo sopra sombras pelo chão,
Firmo na fé minha alma já provada.
Pois descobri — na luta e solidão —
Que a paz não vem do exterior nem do nada:
Nasce de Deus e habita o coração.
