Ausencia William Shakespeare Amor
Praticamente todas as noites eu saio para ver as estrelas. Existe algo nelas que me fascina, como se sussurrassem respostas aos meus dilemas, como se pudessem escutar tudo aquilo que um homem precisa dizer e ninguém pode escutar. Eu sempre procuro a constelação de Órion, como quem procura um velho amigo com quem pode desabafar, aquele um que somente poderia ser o doador dos conselhos mais necessários. E lá está ele, a constelação do caçador, clava em mãos, feroz e combatente, ameaçando galáxias distantes. Somos feitos da mesma matéria e mesmo assim, somos muito diferentes. Minha existência passa num sopro, a dele, em bilhões de anos. E mesmo sendo tão imenso e grandioso, ainda assim essas estrelas tem uma jornada mais trivial do que a minha, cheia de altos e baixos, cheia de tanta coisa que eu gostaria de poder resolver. Ainda assim, gostaria de por pelo menos uma noite, ser essa constelação, e ela ser eu. Eu estaria acima de tudo isso que vivo, e o caçador entenderia que ser um homem pequenino, é muito mais complicado do que ser uma constelação gigantesca. Muito mais.
Tolos que somos. Vivemos acreditando ser diretores do grande teatro de nossas vidas, quando somos em verdade, meros figurantes.
Descrição axiomática dos seres humanos do século XXI: Ilhas de solidão perdidas em um oceano de pessoas.
Na grande matemática da vida, convém evitar três terríveis percalços geométricos: círculos viciosos, triângulos amorosos e bestas quadradas.
A medida que o tempo passa, a vida vai encontrando formas próprias de se organizar, como um liquido dentro de uma garrafa. As experiências vão se acumulando e nós, nos adaptando a elas. É como naquelas frases de inspiração do Taoísmo, temos de ser como o rio e deixar-se fluir. Ou talvez, seja algo bem mais forte do que isso, bem mais direto e letal, como no Darwinismo: Quem não se adapta, morre.
Nem tristes nem felizes, nem amados nem desamados. Nem ricos nem pobres, nem vazios nem plenos. Mornos, como sempre.
Quando surge a vida, o risco de morte vem anexo. Mas quem disse que é pra se preocupar? É justamente a certeza do fim que nos faz viver sem pressa, sem remorsos e com toda a intensidade. Já diz o velho lema: antes viver uns poucos anos cheios de alegrias e realizações, do que décadas e décadas de medo e covardia. Vida foi feita para ser vivida, ao máximo!
A melhor forma de aproveitar a vida é pensar continuamente na morte. Somente quem entende a inevitabilidade do fim está apto para viver o momento finito.
Eu não sou o homem mais inteligente do mundo, e nem tenho a sabedoria que muitos tem. Mas eu sei o segredo da felicidade, e descobri ele de forma muito fácil. E pensa num segredo sem segredo nenhum: comer, beber, dormir. Amar quando puder, chorar se precisar, ter amigos. Somente isso, a suma de todas as coisas mais simples que existem. Todas as coisas grandiosas que queremos, elas apenas acrescentam à felicidade, mas nem de longe a criam. A vida é verdadeiramente feita das coisas mais simplórias. E como disse o maluco beleza, para quem provar que estou errado, eu tiro meu chapéu.
A tempestade cai lá fora, e cá dentro, chove você. Dia e noite, como num dilúvio sem fim. E eu não posso fazer nada.
Nenhuma forma de respeito e aceitação é tão relevante quanto aquele que se oferece a si mesmo. Esperar que outros o validem é ter seu valor colocado nas mãos de outra pessoa, e isso é o maior ato de desprezo que existe, o desprezo contra si mesmo.
Depois de viver certos infernos, não é qualquer demônio que assusta um homem. Há versões de si mesmo que só podem existir pelo tempo e pela forja das experiências.
Não existe homem mais completo do que aquele que sabe ser sozinho e consegue viver plenamente dessa maneira. A dependência é a maior das fraquezas.
As vezes é preciso se afastar de algo ou alguém, para refletir. As vezes é preciso se afastar porque já refletimos. Perigoso mesmo é não ser capaz nem de refletir, e nem de se afastar.
A coisa importante em ciência não é tanto a obtenção dos novos fatos quanto descobrir novos meios de pensar sobre eles.
Sou filho do Nordeste, tenho orgulho do meu torrão, terra de homem valente que tira o sustento das mãos.
Terra de mulher guerreira que traz lata d'água na cabeça criando o menino de pés no chão.
Sou filho de Pernambuco, terra dos engenhos, do melado do mel da cana, da ciranda de Lia, do cantador Santana, de Capiba, Chacrinha e Lampião... Sim, sou da terra cantada nos baiões de Gonzagão.
Sou eu matuto forte não nego minhas raízes nem nego quem sou.
Na minha terra não se conta com a sorte, pois sou matuto forte nascido no Interior.
Minha escola foi cocheira, meu Professor foi o gado, fui menino Tangerino e na labuta diplomado.
