Ate o Mel mais Puro em um Recipiente
A dor mais profunda não vem da perda, mas do reconhecimento de que nunca se teve o que se protegeu com tanto zelo. É olhar para as mãos cheias de afeto e perceber que não há onde depositá-lo.
Há uma forma de existência que nasce depois do colapso, uma existência que não depende mais de sentido, apenas de permanência.
A vida tem essa mania de nos despir nos momentos mais impróprios, deixando a carne exposta e a alma no frio, mas é justamente no tremor do corpo que descobrimos que a nossa pele é feita de uma resistência que nenhum inverno conseguiu, atéhoje, congelar por completo.
Há uma beleza trágica em perceber que as pessoas que mais amamos são as que mais têm o poder de nos ferir, e que o perdão não é um favor que fazemos ao outro, mas uma cirurgia de emergência que realizamos em nós mesmos para remover o projétil da mágoa.
A busca por sentido é uma estrada sem fim onde as paradas são mais importantes que o destino, pois é nos momentos de pausa, contemplando a poeira da estrada, que percebemos que o caminho em si é a resposta que tanto procurávamos em mapas inexistentes.
Olhar para o espelho e não reconhecer quem nos tornámos é o preço mais cruel que pagamos pelas feridas que o mundo nos causou.
O momento mais devastador não é quando o mundo te quebra, mas quando você percebe que a pessoa gentil que você costumava ser morreu nas mãos de quem você mais amou, e agora, no lugar dela, resta apenas uma carcaça fria que sorri para o próprio desastre enquanto enterra, em silêncio, os restos do que um dia foi o seu coração.
- Tiago Scheimann
A saúde mental começa no exato momento em que você decide que não vai mais trair a sua essência para saciar a sede de uma sociedade que te substitui em minutos, mas ignora o peso dos seus lutos. O corpo é um templo que não deve ser tratado como depósito de lixo emocional, honrar o próprio cansaço e os limites da carne é o primeiro passo para quem deseja, enfim, habitar a própria paz sem sentir culpa por precisar de silêncio.
- Tiago Scheimann
Resistir, muitas vezes, não tem nada de heroico. É apenas permanecer no dia mais difícil. É levantar sem acreditar. É seguir mesmo sem sentido. É existir apesar de tudo aquilo que tenta apagar o que ainda resta.
Nem todo silêncio é paz. Às vezes ele é o som mais alto que eu não consegui dar. É o acúmulo de tudo que ficou preso. É o eco de sentimentos sem saída. E o que não foi dito acaba vivendo, pesado, dentro de mim.
Sobreviver me ensinou mais do que viver. Porque viver é leve quando tudo está em ordem. Mas sobreviver exige luz onde há escuro, fé onde já não sobra certeza, e coragem onde a alma já teria desistido.
Em silêncio, imploro. Almejo o que nunca será meu. Talvez o que mais rejeito seja o que tenho de sobra, esse excesso de pensamentos, vagando como sombras num silêncio gritante, me prendendo às noites que não sabem dormir.
A nossa vida é comparada, a uma estrada para caminhar, mas quem lá no fim chegou, nunca mais voltou e nem voltará.
A escrita me encontra na noite, instante em que a melancolia se aproxima e se torna minha mais fiel companhia.
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