Ate o Mel mais Puro em um Recipiente
Eu tendo a me considerar um agnóstico; mas, para todos os propósitos práticos, sou um ateísta. Eu não vejo a existência do Deus cristão como sendo nem um pouco mais provável que a existência dos Deuses do Olimpo ou de Valhalla. Ilustrando de outra forma: ninguém pode provar que não existe, entre a Terra e Marte, um bule de porcelana girando em uma órbita elíptica, e no entanto ninguém vê este fato como provável o suficiente para ser levado em conta na prática. Eu vejo o Deus Cristão como igualmente improvável.
Lixo
Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.
- Bom-dia.
- Bom-dia.
- A senhora é do 610.
- E o senhor do 612
- É...
- Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente...
- Pois é...
- Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo...
- O meu o quê?
- O seu lixo.
- Ah...
- Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena...
- Na verdade sou só eu.
- Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
- É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar...
- Entendo.
- A senhora também...
- Me chame de você.
- Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim...
- É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra...
- A senhora... Você não tem família?
- Tenho, mas não aqui.
- No Espírito Santo.
- Como é que você sabe?
- Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
- É. Mamãe escreve todas as semanas.
- Ela é professora?
- Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
- Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
- O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
- Pois é...
- No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
- É.
- Más notícias?
- Meu pai. Morreu.
- Sinto muito.
- Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
- Foi por isso que você recomeçou a fumar?
- Como é que você sabe?
- De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
- É verdade. Mas consegui parar outra vez.
- Eu, graças a Deus, nunca fumei.
- Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo...
- Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou.
- Você brigou com o namorado, certo?
- Isso você também descobriu no lixo?
- Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
- É, chorei bastante, mas já passou.
- Mas hoje ainda tem uns lencinhos...
- É que eu estou com um pouco de coriza.
- Ah.
- Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
- É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
- Namorada?
- Não.
- Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
- Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
- Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
- Você já está analisando o meu lixo!
- Não posso negar que o seu lixo me interessou.
- Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
- Não! Você viu meus poemas?
- Vi e gostei muito.
- Mas são muito ruins!
- Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
- Se eu soubesse que você ia ler...
- Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
- Acho que não. Lixo é domínio público.
- Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
- Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que...
- Ontem, no seu lixo...
- O quê?
- Me enganei, ou eram cascas de camarão?
- Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
- Eu adoro camarão.
- Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode...
- Jantar juntos?
- É.
- Não quero dar trabalho.
- Trabalho nenhum.
- Vai sujar a sua cozinha?
- Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
- No seu lixo ou no meu?
Cada um que encare a morte do seu jeito.
É livre arbítrio, um direito.
Não vou a velório por um porém
Cultuar a partida é morrer também
É triste, é penoso, chega a doer,
Ver a dor do outro sem nada poder fazer.
Enterrei meus pais outro dia.
E dói até hoje a saudade, a agonia.
É inesperado, o adeus, o ponto final
Na morte não há poesia, é tudo real...
Por essa e por outras, sempre me recusei a ver gente morta.
Não por medo. Os mortos não traem, não matam.
Prefiro celebrar a vida, os momentos felizes, os sorrisos, as boas histórias, as lembranças.
Eu apenas choro. Calado. Por dentro.
Choro e deixo ir!
Vai pai! Vai mãe!
Vai tia, tio, irmã, irmão, vai amigo, amiga.
Vai na paz.
Sejam luz!
se um dia por um motivo qualquer, estiver
triste, desconsolada (o), na fossa,
peça ao céu um pouco de silencio
e procure conversar com a noite
faça de cada ilusão uma saudade,
e repita mil vezes para si mesmo
Tudo passou porque passou.
Ignore essa amargura e transforme em uma sombra fútil
e lembre se haverá sempre
um amanhá para hoje
Não adianta tentar transformar o instante em felicidade,
nem mesmo pensar que a saudade um dia ira passar.
Amigos, verdades,
Paixão e desejo, que se perdem por falta do que se falta.
vai entender um ser chamado mulher . .
nem sempre, nem presente,
um instante que me rompe a sanidade.
Algumas pessoas se separam outras apenas se afastam.
Sem perceber você foi me tirando um pouco de você por vez . .
Até que tocar em voce era algo raro, assim como sentir seu gosto.
Me recordo do seu perfume do nosso ultimo abraço, porque ele ficou em meu peito.
Era mais facil sonhar com voce do que poder olhar voce.
por fim me sobrou sua voz que sufocada pelo silêncio me deixou sem nada.
então apenas aconteceu . . existiu em um instante . . e foi foi no que não houve . . o esquecimento .
adjetivos e preposições são usadas em conjecturas de um instante passado, aonde a saudade é comparada com o mero acaso
em um desses momentos . . acabo domando essa saudade, me perco desse sentimento e quem sabe com alegria eu possa te achar.
Vivo um momento inédito,
no qual o deslumbre
se funde com o sentimento,
mesclando com a doce saudade
e dizendo que nada é vaidade.
Por ventura descarto o prazer,
agrego tudo que mais
me faz sofrer,
E como se não bastasse
a sua vaidade,
me vem a vontade de eu tentar ser feliz.
sopro palavras ao vento
em um instante de vaidade.
leio saudades de vida
em versos vazios
nada que me reflita a delicia perdida.
ciclo da vida.
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