Ate o Mel mais Puro em um Recipiente
JOSÉ — O SONHO QUE NINGUÉM CONSEGUIU MATAR
Havia um menino vestido de promessa,
carregando nos olhos o brilho do impossível.
Seu pai o amava com ternura rara,
e o céu já sussurrava seu destino.
Bíblia Sagrada
José sonhava…
e os sonhos não eram comuns.
Eram sementes eternas
plantadas pelas mãos de Deus.
Mas nem todo irmão suporta
ver alguém carregando luz.
O ciúme transformou sangue em distância,
e o abraço virou conspiração.
No silêncio do deserto,
o filho amado foi lançado numa cisterna.
Escura… fria… profunda…
como ficam os corações feridos pela traição.
E enquanto os irmãos vendiam seu sangue por moedas,
o céu continuava escrevendo capítulos invisíveis.
José foi levado como escravo,
pisando terras estrangeiras
com correntes nos pés
e fé no espírito.
Na casa de Potifar,
trabalhou sem perder a dignidade.
Porque quem anda com Deus
não precisa perder a alma
mesmo quando perde a liberdade.
Então veio a prova do desejo.
A mulher de Potifar tentou seduzi-lo,
mas José preferiu a prisão
do que trair sua santidade.
Foi acusado injustamente.
Esquecido pelos homens.
Trancado entre grades
sem entender o relógio de Deus.
Mas até na prisão
o céu encontrava José.
Ali interpretou sonhos,
falou ao copeiro, falou ao padeiro,
e cada palavra carregava
a assinatura do Altíssimo.
O tempo passou…
até que o rei teve um sonho
que ninguém conseguia entender.
Então lembraram do homem preso.
José saiu da prisão
sem ódio, sem vingança, sem revolta.
Saiu carregando sabedoria.
Diante do faraó,
interpretou o futuro das nações.
E aquele que dormia no chão da prisão
foi colocado sobre o trono do governo.
De escravo… a governador.
De rejeitado… a instrumento de salvação.
De vendido… a escolhido.
Porque quando Deus escreve a história,
a cisterna não é o fim,
a prisão não é derrota,
e a traição não consegue matar o propósito.
Então veio o reencontro.
Os irmãos, agora quebrados pela fome,
ajoelharam-se diante daquele
que um dia haviam desprezado.
José chorou.
Não chorou pela dor antiga…
mas porque entendeu
que Deus transformou feridas
em caminho de vida.
E ao reencontrar seu pai,
o menino dos sonhos voltou a ser filho.
Os braços envelhecidos de Jacó
abraçaram o milagre que o tempo não destruiu.
José entendeu enfim:
Quem anda com Deus
pode atravessar cisternas, prisões e desertos…
mas jamais caminhará sozinho.
Porque sonhos nascidos no céu
podem até ser perseguidos pelos homens,
mas nunca serão vencidos.
O Amor
O amor é a força poderosa que existe,
É um sentimento por demais complexo,
Que nos leva a desejar o bem que resiste,
E ilumina a alma com terno reflexo.
O amor é algo que não se explica:
Demonstra-se com gestos e atitudes.
Não força a barra nem se justifica,
Trazendo consigo apenas virtudes.
O amor é emoção que cria vínculos,
É uma decisão diária e doação.
São elos que unem os nossos círculos,
Trazendo o amor de dois ao coração.
O amor é também resposta inconsciente
Que ativa áreas do cérebro em recompensa,
Ao prazer e vínculos afetivos permanentes.
É o motivo de manter sempre a presença.
O amor é o motivo por trás da sensação
Da euforia no início de uma paixão.
Desperta aos poucos essa motivação
Até vincular os laços do coração.
O amor vai também muito além da paixão,
Exige empatia, cuidado e cumplicidade
São bases fundamentais na relação,
E que levam o casal à maior intimidade.
O amor é também paciente,
É bondoso e não egoísta
Escolhe ser sempre altruísta
Apoiador, perdoador e realista.
O amor é mais forte que a morte,
Embora a morte seja o fim narural;
O afeto e a ligação transpassam o norte,
Superando esse limite terreno e final.
O amor vai além da paixão passageira,
Até mesmo de um estado emocional.
Na verdade, ele traduz, de maneira inteira,
Uma escolha diária incondicional.
O amor é um comprometimento ativo.
Envolve respeito, cuidado, e estar presente,
Ainda que a rotina saia do controle cativo
E as emoções se esfriem na mente.
O amor se sustenta na parceria,
E também no propósito da partilha.
Enquanto os sentimentos buscam harmonia,
Tentando pôr o amor na sua trilha.
Finalmente, no sentido espiritual,
O amor é o pilar de toda crença,
Da filosofia humanista e real,
Que o ser humano eleva a presença,
E o mantém na postura ideal.
Raimundo Nonato Ferreira
Maio/2026
Arames Farpados
No mundo das ilusoes eu estava
Partindo de um sistema frustrado
Nessa caminhada tive que vencer
No beco da emoção eu tive eu crescer
Cercada de arames farpados
Me protegendo dos ventos
Frios, sem coberta, sem alentos
O sol me aquecia no mundo que eu não existia
Em contos de fadas lindos e poéticos
Meu corpo não acha se quer um afago, um afeto
Olhares de sentir
Sentir-se pena, dó, nojo, medo, repudia
Tive que ser, antes mesmo de crescer
Eu vou sem medo, com força
Ditando quem eu sou
Eu vou voando nos sonhos de ser
Encontrando quem sou no meu viver
Não adianta tentar fechar um buraco usando areia de outro buraco que está a cavar. Se tornará um ciclo vicioso.
O que mata um relacionamento não é a distância física é a distância emocional. É o abismo da indiferença que se cria entre o casal e os faz sentir sozinhos mesmo estando perto um do outro.
Já parou pra pensar e reparou que a saudade é a necessidade de algo ou de alguém que um dia nos fez bem ou feliz, entretanto se não lembramos, se não vemos, acabamos não sentindo falta, com tudo não sentimos saudades nem muito menos necessidade, reviva, relembre, reveja, lugares,pessoas,viagens, paisagens, mesmo estando distante ou sem acesso assim por um momento serás feliz e darás um espanto naquilo que quando lembra faz o peito apertar ou faz com venha a se animar, sua energia te apresenta antes mesmo que venha a dar uma só palavra em algum lugar...
-Por João Elivaldo-
E se o amor e a morte se encontrassem
Em um abraço infinito .
O amor morre
Ou a morte se apaixona
Talvez a morte , acabava com o amor
Ou o amor amaria até a morte ?
E se o amor e a morte se encontrassem
Lado a lado andariam ?
Ou logo com um beijo
Essa união selaria .
Talvez , só talvez ...
Findo o enlace
Findo a agonia.
Sombra e luz
Dizem que todos nascem com a semente da sombra, um traço silencioso escondido no fundo da alma.
Mas eu me pergunto por que regá-la, se também carregamos luz?
Caminho entre rostos e gestos,
vendo bondade e crueldade dividirem o mesmo peito.
Há mãos que acolhem
há mãos que ferem
e ambas pertencem à mesma humanidade.
Às vezes me pergunto se realmente pertenço a este lugar.
Talvez eu seja apenas um anjo cansado
não expulsa,
mas enviada.
Não vim salvar nem julgar…
apenas observar
Observar os excessos, a frieza disfarçada de força,
os absurdos humanos, a dor atrás do orgulho, a pressa em ferir, o medo,
a escolha constante entre construir ou destruir.
Se todos carregam a sombra,
também carregam a luz.
E talvez minha existência seja só isso:
lembrar, em silêncio,
que nem toda sombra precisa virar escuridão
Sou abrigo de um amor que não mora em mim;
ele olha para outra, enquanto eu olho para ele.
Somos desencontros caminhando juntos:
eu, querendo ser escolhida;
ele, querendo esquecer quem não o quis
O Meu Tormento
Todos esses dias têm sido um tormento em minha vida,
A incerteza dos sentimentos e o silêncio
Têm me tirado o sono e a vontade de viver.
Os dias se passam,
E eu estou ali, no meio de todos,
E ao mesmo tempo não estou.
Assim estou,
Perdida em meus próprios pensamentos.
Ela surgiu de mansinho. Com um olhar cativante e um sorriso suave, envolta em uma aura quase angelical.
Sem perceber, entrei em um mundo proibido. Meu coração foi roubado pelo brilho do seu sorriso.
Agora, sem o seu “bom dia”, o mundo perderia toda a cor.
Ela possui a doçura de uma menina, mas carrega o charme de uma mulher madura. Apaixonada, genuína, fala exatamente o que pensa. Ainda assim, atrai as pessoas ainda mais.
Ela é única. Um charme enlouquecedor, um desejo e, ao mesmo tempo, uma ternura. Tão deslumbrante quanto o sol, e, ao mesmo tempo, tão melancólica quanto a chuva.
Ela é perfeita. Até mesmo os seus defeitos são belos. Geniosa, cheia de manias, às vezes batemos de frente, ela bate o pé firme...
Mesmo assim, nela — tão intensa e indecifrável — eu me perdi… e já não sei se desejo encontrar a saída.
Existem variados conflitos internos que, somente cada um sabe em si, outros, somente os outros sabem só de olhar de fora.
“Por muito tempo, achei que a dor era um castigo. Algo que eu merecia por ser fraco, por errar, por não conseguir ser como os outros queriam. Mas com o tempo — e com muita cicatriz — entendi uma coisa que mudou tudo: a dor nunca foi a minha inimiga.
Ela não veio para me destruir. Veio para me esculpir. Cada lágrima que engoli, cada noite em que pensei em desistir, cada vez que fui ao chão e demorei a levantar… tudo isso foi me ensinando uma língua que só quem sofre de verdade aprende: a língua da resistência.
Hoje eu sei. A dor era o meu teste. E a minha resposta foi não me tornar amargo, mas profundo. Não me tornar cruel, mas forte de verdade.
E foi aí que eu descobri: a minha dor era, na verdade, a minha vocação para a grandeza.
Porque grandeza não é nunca ter caído. É ter caído, levantado, e ainda assim escolhido seguir. É transformar ferida em direção. É olhar para o que tentou te matar e dizer: ‘você me fez mais difícil de ser quebrado.’
Se você está sofrendo agora, escuta: você não está sendo punido. Você está sendo preparado. A sua dor não é o fim da sua história — ela é o início da versão mais poderosa de você mesmo.
Aceite. Ela não é sua inimiga. Ela é sua chamada para algo maior.”
Verdade não é a soma da quantidade de pessoas que acreditam em um determinado fato. Ir na direção que está indo o rebanho sem questionar pode ser muito perigoso. Eu vou é na direção contrária, não acredito em unanimidade. Como dizia Nelson Rodrigues: "toda unanimidade é burra".
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