As Pessoas Sao como Ondas

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Aprovado ou reprovei do seu amor?


Entreguei meu coração como quem faz prova final, sem cola, sem defesa, só verdade no olhar.
Estudei teus silêncios, decorei teu sorriso, mas teu resultado nunca quis se revelar.


Esperei a correção no intervalo dos dias, cada mensagem tua era um ponto a mais em mim.
Quando demorava, o medo me reprovava por dentro,
e eu refazia a esperança,
mesmo perto do fim.


Se eu errei, foi por amar além do permitido, por responder com alma o que pedias em razão.
Se acertei, foi por nunca desistir de você, mesmo com o coração em recuperação.


Então diz, sem rodeios,
sem nota escondida:
passei nessa matéria chamada
“nós dois”?
Ou sigo refazendo essa prova da vida, até teu amor me dizer se fico…
ou se vou.

Enquanto te olhava


Enquanto te olhava
Eu pensava como o
silêncio entre nós dizia tudo,
no jeito simples do teu sorriso
que fazia o mundo desacelerar só pra eu te sentir.


Enquanto te olhava
eu pensava que alguns
encontros não pedem pressa,
pedem coragem —
porque o coração reconhece
antes da razão.


Enquanto te olhava
eu pensava se você também
sentia esse nó doce no peito,
essa vontade contida de ficar,
mesmo quando o tempo
insistia em ir embora.


Enquanto te olhava
eu pensava que amar
às vezes é só isso:
guardar alguém no pensamento
como quem guarda um segredo bonito demais pra perder.

Sob o capuz da noite, teu olhar me encontra, tenso como a corda do arco antes do destino.
Não miras apenas o alvo distante
— miras o que em mim
ainda não sabe fugir.


Teus dedos firmes seguram o silêncio, e a flecha, hesitante, aprende o caminho do desejo.
Entre guerra e sombra,
teu peito bate como quem
ama sem pedir permissão.


És guardião do que não se diz,
herói de um amor que caminha
às escondidas.
E se um dia tua flecha me atingir,
que seja no ponto exato onde
mora o “fica”.


Porque mesmo em meio à luta,
teu gesto revela:
há corações que só se rendem
a quem sabe mirar com cuidado.

Atrai o meu coração


Atrai o meu coração
como a lua puxa o mar,
sem fazer força, sem prometer ficar.
É um chamado mudo, um doce perigo, teu olhar me encontra
antes mesmo do abrigo.


Atrai o meu coração
no silêncio do teu nome,
onde a saudade nasce
antes que a falta se some.
Te penso inteiro em pequenos detalhes, no tempo que para
quando o mundo falha.


Atrai o meu coração
com gestos tão leves,
como quem ama sem fazer alardes.
Teu toque é verso que não sei fugir,
é porto e naufrágio querendo existir.


Atrai o meu coração
— e eu deixo levar, porque
amar você é não resistir ao mar.
Se for queda, que seja no teu chão,
se for amor, que seja tua direção.

Assim como o oleiro molda o barro, Ele molda nosso coração, nossas atitudes e no nosso caráter.

O Nosso Verão


O sol caía como ouro derretido sobre nossas peles,
E a brisa trazia cheiro de mar e de mangueira,
Risos escorriam pelos becos da cidade antiga,
Enquanto a música do verão tocava em cada esquina.


O vento embalava histórias que ninguém contava,
Veleiros de papel flutuavam nos rios da lembrança,
E nossas mãos, cúmplices, desenhavam no ar
Mapas secretos de cidades, de amores, de esperanças.


As cores do entardecer tingiam nossas sombras,
Laranjas, violetas e vermelhos de promessa,
Enquanto o cheiro de café e pão quente da rua
Misturava-se ao perfume dos nossos sonhos.


Mesmo quando o inverno tentou apagar a memória,
O calor voltou em lembranças de ruas e risos,
Guardando o nosso verão em versos e saudade,
Como quem transforma o tempo em poesia viva.

O caráter morreu como uma casa abandonada, onde as paredes ainda estão de pé, mas o eco da verdade já não mora; foi enterrado sob aplausos falsos, qual uma moeda enferrujada no fundo do bolso, esquecida pelo valor e lembrada apenas pelo barulho; e hoje caminha entre nós feito um espelho quebrado, refletindo rostos inteiros em fragmentos convenientes, enquanto a consciência aprende a sobreviver sem se olhar.

Amor de História


Nos apaixonamos como quem descobre um manuscrito antigo,
com cuidado para não rasgar o tempo, folheando silêncios,
lendo sentimentos escritos à margem.


Teu olhar era linha do tempo,
me levando do agora ao sempre,
cada palavra tua uma data marcada
no calendário secreto do meu coração.


Havia batalhas internas, tratados não assinados, um amor vivendo entre capítulos proibidos, como se o destino pedisse notas de rodapé para explicar o que não podia ser vivido.


E mesmo sem final oficial,
nos tornamos fato histórico
um no outro:
um amor que não se apaga,
apenas muda de século dentro da memória.

O auto-Perdão


Ele incendiou o coração dela
como quem risca fósforo em noite de vento, e no clarão do erro,
queimou as próprias mãos
sem perceber que o fogo também volta.


Ela o perdoou como chuva mansa
caindo sobre terra rachada,
lavando as cinzas, oferecendo verde novo, acreditando que até solo ferido
pode voltar a florescer.


Mas dentro dele morava um espelho quebrado:
toda vez que se olhava, via o erro em cacos.
Mesmo com o céu limpo que ela oferecia, ele insistia em caminhar sob tempestade,
incapaz de se dar abrigo.


E assim,
ele naufragava em porto seguro.
Tinha perdão como farol aceso,
mas preferia a culpa como âncora.
Porque às vezes o amor salva —
mas o auto-perdão é quem ensina a voltar à superfície.

há corações que não sabem mais pulsar sozinhos, precisam de verdade, cuidado e presença, como flores que só se abrem quando alguém fica.

E no fogo,
A bandeira ainda brilha,
não como símbolo,
mas como desafio.
Que arda o que precisa arder,
para que o amanhã renasça das cinzas, intacto e audaz.

É fase


Que seja o vento,
se for pra tocar,
mas que toque como
quem aprende o caminho da pele,
manso e inevitável,
feito segredo que só o coração entende.


Se for pra esperar,
que seja como a lua,
inteira mesmo quando
parece metade,
brilhando paciente sobre
telhados de silêncio,
sabendo que toda ausência
também é fase.


Se for pra amar,
que seja como rio em deságue,
sem medo das curvas,
sem medo do mar,
levando nas águas
o excesso
dos sonhos
e devolvendo ao mundo
a coragem de ficar.


E se for pra viver,
que seja como chama,
dessas que dançam
mesmo sob tempestade,
iluminando o escuro com riso aceso —eterna centelha de felicidade.

Você


Hoje acordei com teu nome pousado na boca,
como quem sussurra um segredo ao amanhecer.
Abri a janela e o vento perguntou por ti,
e eu respondi com silêncio… mas pensando em você.


Pensei em dançar na chuva sem medo do frio,
em rir alto só porque o dia nasceu bonito,
em procurar no mundo um cheiro que me lembrasse
o abraço que só encontro quando te imagino comigo.


Por um instante doeu lembrar tua ausência,
esse espaço vazio na cadeira ao lado.
Mas até a saudade tem teu jeito manso —
ela me visita e diz que você nunca foi passado.


Porque mesmo distante dos meus braços,
você mora onde ninguém pode arrancar:
na parte mais viva do meu peito,
onde cada batida aprende a te amar.

Nós dois em um


Você me chamou de seu,
e o mundo inteiro mudou de endereço.
Como se eu deixasse de ser apenas passagem evirasse porto no seu peito.


Depois me chamou de sua,
e eu senti o cuidado
escondido na palavra.
Não como posse
— mas como promessa,
como quem diz “fica”
semprecisar falar.


Ser seu é repousar na sua certeza,
é ter abrigo no tom da sua voz.
Ser sua é florir nos seus braços,
é pertencer ao instante que é só de nós.


E entre “seu” e “sua” eu me encontro,
inteiro, entregue, sem medo algum.
Porque quando você me nomeia assim, amor deixa de ser verbo


— e vira nós dois em um.

Quando o ontem fica aberto como ferida mal costurada,
o amanhã vira palco de ensaio —
não porque superamos,
mas porque ainda tentamos entender onde sangrou.

Eu digo que tô bem
como quem fecha a porta devagar.


Por dentro,
tudo faz barulho.


Não é dor,
é cansaço de existir acesa.


Queria um lugar sem nome,
onde eu pudesse cair
sem ninguém me pedir força.


Se eu ficar em silêncio,
talvez eu me encontre.

Existem histórias



Ela chega como luz de fim de tarde,
dessas que atravessam a janela
sem pedir licença
e mudam o clima do dia inteiro.


Nos olhos, mora um silêncio bonito,
daqueles que não afastam,
aproximam.
Um mistério calmo,
que dá vontade de ficar.


O sorriso não grita,
ele sussurra.
E nesse sussurro
existe aconchego,
existem histórias que ainda não foram contadas.


Ela é dessas presenças raras:
não precisa chamar atenção —
ela simplesmente acontece.
E quem vê, sente.

Pausa (Entre Nós)


Quando estamos juntos,
o tempo aprende a ser delicado conosco,
como se cada segundo soubesse
que o amor também precisa de suavidade.


Entre teus gestos e o meu silêncio,
tudo ao redor perde a pressa de existir,
e a vida faz uma pausa para nos olhar,
reconhecendo em nós um instante raro.


Então entendemos, sem dizer nada,
que não é o amor que corre atrás do tempo,
é o tempo que se curva diante de nós,
respeitando aquilo que nasceu para ficar.

Os óleos das plantas misturam-se ao nosso querer,
Como se o mundo conspirasse só pra nos ver.
Meu coração pulsa no ritmo da chuva e do teu perfume,
E tudo se transforma em paixão que consome

Teu olhar guarda o infinito,
como céu sereno que acolhe a alma.
Cada sorriso teu acende meu espírito, teu abraço é refúgio, tua presença é calma.