Aplausos
Quando a ilusão confortante ganha mais aplausos que a realidade crua, a verdade passa a ser tratada como uma humilhação desnecessária.
"A verdadeira nobreza de uma vida não se mede pelos aplausos do mundo, mas pelo amor sincero cultivado no silêncio do lar."
"Um coração habitado pela bondade de Deus não busca aplausos; seu único desejo é ser um canal de paz, compaixão e restauração na vida do próximo."
Enfermagem, cuidar sem aplausos, viver sem aumento
A enfermagem grita, mas o eco têm sido o silêncio.
Fomos a linha da frente quando todos recuaram...
E agora, somos a última linha na folha de proventos.
Estamos adoecendo não de vírus, mas de esquecimento.
Cuidamos dos corpos que governam...
Somos as mãos que amparam a vida e acalmam a partida.
Aquelas que trocam fraldas, limpam feridas, e ainda assim
recebem proventos que doem mais doque qualquer ferida.
Enquanto o pais dorme, estamos cuidando dos que respiram
com a ajuda das nossas mãos...
Enquanto as autoridades discursam, estamos trocando curativos,
enxugando lágrimas e sustentando a vida.
Quando a velhice bater á porta dos poderosos...
e a soberba já não servir de abrigo, serão as mãos da enfermagem
que cuidarão das suas feridas, trocarão as suas fraldas frias...
Talvez descubram nesse momento o valor de ser cuidado.
E quando o tempo cobrar a fatura, seremos nós... as mesmas que ignoram...
quem estarão ali, trocando suas fraldas, curando suas feridas...
e mostrando mais uma vez que aprendemos a curar mesmo sem remédios.
Apesar do cansaço, continuamos firmes, mesmo diante de tantas promessas vazias.
Antes eu pensava que precisava de muito,
de conquistas, de bens, de aplausos do mundo.
Hoje percebo que o simples ato de acordar
já me faz inteira, já me faz profunda.
O vazio tentou me convencer do contrário,
mas descobri que até o silêncio tem valor.
Sou feliz por existir, por respirar,
e sei que muitos desejariam estar em meu lugar.
A autoestima, antes frágil, agora é sentença,
registrada em cartório, sem possibilidade de recurso.
Minha alegria é cláusula pétrea,
ninguém pode revogar o que é luz no meu curso.
O amor, em todas as formas, é meu advogado,
a esperança, meu juiz imparcial.
No tribunal da vida, fui absolvida,
por excesso de fé no essencial.
Hoje sou feliz sem precisar de muito,
sou feliz porque despertei outra vez.
E se a vida fosse contrato eterno,
minha assinatura seria: gratidão e paz.
O pastor não foi chamado para ser celebridade, mas pastor.
Seu papel não é buscar aplausos, e sim proteger, guiar e alimentar o rebanho, mesmo diante dos perigos.
Essa é a essência do verdadeiro pastorado.
#PalavraQueConfronta
O homem que aprendeu a viver sem aplausos começa finalmente a perceber a diferença entre reconhecimento e valor.
Introdução a um escritor — Quando os aplausos terminam
Por um momento , ele se afastou daquele instante de êxtase.
Ainda havia pessoas ao seu redor. Os colegas de faculdade conversavam animadamente, os sorrisos se multiplicavam, e os elogios continuavam ecoando pelos corredores. Naquele momento, ele era alguém reconhecido. Alguém que havia chegado até ali, que vencera dificuldades, que tinha motivos para sentir orgulho da própria trajetória.
E, por alguns instantes, sentiu-se feliz.
Não era uma felicidade fingida. Era verdadeira. Sentiu orgulho de si mesmo, daquilo que havia conquistado, das noites em que precisou insistir quando tudo dentro dele parecia pedir desistência. Por um breve momento, teve a sensação de que todo o esforço havia valido a pena.
Mas, então, os aplausos cessaram.
Os elogios deram lugar a outros assuntos. Os olhares se desviaram, as pessoas começaram a seguir seus próprios caminhos, e aquela pequena celebração da sua existência foi, pouco a pouco, desaparecendo.
Foi quando ele se percebeu sozinho.
Não necessariamente porque estivesse sem ninguém por perto, mas porque, no meio de tantas pessoas, não encontrou alguém para quem pudesse voltar quando tudo terminasse.
E aquela percepção doeu.
Havia algo de profundamente triste em descobrir que, depois de um momento tão bonito, a vida continuava esperando por ele do mesmo jeito: silenciosa, indiferente, sem uma presença que tornasse a alegria maior ou a tristeza mais suportável.
Para quem poderia contar o que havia sentido? Com quem dividiria o orgulho daquela conquista? Quem perceberia, para além dos sorrisos, o menino que ainda existia dentro daquele homem e que, apesar de todas as suas tentativas de ser forte, desejava apenas encontrar um lugar onde pudesse descansar o coração?
Talvez a solidão não fosse exatamente a ausência de pessoas. Talvez fosse a ausência de pertencimento. A sensação de atravessar a própria vida sem ter a quem recorrer quando as luzes se apagassem, quando as portas se fechassem e quando já não houvesse ninguém para testemunhar aquilo que, para nós, significou tanto.
Afinal, de que nos serviriam todas as conquistas do mundo se, ao chegarmos ao topo, não encontrássemos ninguém com quem contemplar a paisagem?
Poderíamos escalar o Everest, alcançar o cume mais alto, tocar simbolicamente o céu e contemplar, lá de cima, a imensidão daquilo que fomos capazes de vencer. Poderíamos receber medalhas, títulos, homenagens e reconhecimento. Poderíamos provar a todos — e a nós mesmos — que éramos capazes.
Mas, se ao final da jornada não houvesse alguém com quem dividir o silêncio daquela vitória, alguma coisa ainda pareceria faltar.
Não porque nossas conquistas perdessem o valor, mas porque existe uma dimensão da felicidade que não se completa apenas na experiência individual. Há alegrias que parecem crescer quando são compartilhadas, dores que se tornam menos pesadas quando encontram acolhimento e vitórias que ganham um significado diferente quando alguém olha nos nossos olhos e diz: eu sei o quanto isso foi importante para você.
Naquela noite, ele compreendeu que o reconhecimento podia aquecer o orgulho, mas não necessariamente aquecia a alma. Que ser admirado não era o mesmo que ser conhecido. E que estar cercado de pessoas não significava, necessariamente, ter para onde voltar.
Talvez o que mais lhe doesse não fosse estar sozinho naquele instante, mas perceber há quanto tempo procurava, em tantas conquistas, uma resposta para uma pergunta que nenhuma delas conseguia responder:
De que vale chegar tão longe se não temos com quem compartilhar a chegada?
E foi ali, depois que os aplausos terminaram, que começou a sua verdadeira jornada. Não mais em busca de reconhecimento, de títulos ou de provas de que era capaz, mas na tentativa de compreender por que, mesmo quando a vida lhe oferecia motivos para sorrir, ainda havia dentro dele um espaço que permanecia vazio.
Um espaço que talvez não pudesse ser preenchido por mais uma conquista.
Talvez precisasse de algo muito mais simples — e, ao mesmo tempo, muito mais difícil de encontrar.
Alguém com quem voltar para casa.
Eu sendo escritor !
Arquitetura da Alma
Não sigo trilhas feitas de fumaça,
nem busco o eco de aplausos vazios;
minha jornada tem o peso da graça,
da fé que molda os meus próprios caminhos.
Cada degrau foi ganho com suor,
no plantio firme de quem sabe o que faz;
minha colheita tem um brilho maior,
pois traz na essência o silêncio que traz.
Minhas raízes se fincam no afeto,
no riso claro que aquece o meu lar;
ser fortaleza é proteger este teto
e ter a mão sempre pronta a ajudar.
Quem vive de cópias não lê os bastidores,
não entende a força de quem se construiu;
sigo blindada, colhendo as minhas flores,
na melodia mais linda que a alma sentiu.
Há uma versão sua que nasceu no meio do caos, sem aplausos, sem testemunhas e sem garantias; talvez seja justamente essa versão silenciosa a mais forte de todas as que você já conheceu.
"Sua luz não existe para depender de quem a agradece. O sol não brilha esperando aplausos, ele brilha porque é sua essência. Apenas aprenda: não empreste seu brilho a quem não sabe sequer acender a própria vela."
A vida é curta demais para ser vivida como uma busca incessante por aplausos. O verdadeiro aplauso que liberta é aquele que damos a nós mesmos, em silêncio, quando escolhemos ser fiéis ao que somos.
Tatianne Ernesto S. Passaes
