Apesar da Magoa Sinto sua falta
Beijo com zelo o seu olho esquerdo,
a sua testa e o seu olho direito,
E você retribui com seus lábios,
convidativos a beijá-lo com tudo
do nadir ao ao zênite, da cabeça aos pés,
com um erotismo efusivo e profundo,
fazendo vibrar em todos os seus hemisférios,
para a partir deles estabelecer perenes
a paixão e todo o amor sem mistérios.
Deste Hemisfério Celestial Sul
o sentimento de pertença
inabalável sempre orienta,
Nas suas auroras é indelével,
o inoxidável substantivo feminino
e a leveza de ser poetisa,
onde não permite fantasia.
O meu juízo é o que me guarda
antes do tempo desabrochar
da Quaresmeira desta terra,
A minha vocação navega
entre o recolhimento e festa,
E sem nenhuma hesitação
no mesmo lugar se desterra.
O meu mundo jamais haverá
de se tornar pequeno,
encaixes não me encaixam,
Entregar poemas austrais
mesmo que não devolvam,
faz parte da caminhada
em tempos que atordoam.
Porque o brilho e a magia
são revisitadas por mim,
A chave do que guardo não
entrego para nenhum fim,
É sobre altivez e continuidade
de tudo aquilo que eleva
o corolário do que é liberdade.
Sua mansuetude desperta
meus demônios e meus anjos,
e eu dou milhares de asas
para sua imaginação e seu coração,
Meu esporte favorito é fazer
todo tipo de provocação
para testar seus limites masculinos,
para por em ferveção
e da cabeça aos pés
brindar-te com flutuação.
Colher amorosas ramas
da Jurema branca no afã
de preparar um descanso
para a sua mente cansada,
Com certeza está no meu
romântico e doce plano ---
e dele não vou desistir
nem mesmo por engano.
Facilmente no futuro
próximo entenderás
que para me alcançar,
nunca será pela força,
e sim pela mansidão;
para que te retribua
com o meu coração,
e sermos a habitação.
Não há outra maneira
de alcançar e ser
alcançado que não
seja pela cortesia
que dá e se retribui
para fazer ainda
melhor o dia-a-dia,
e nos pôr em sintonia.
Quanto mais cortesia,
mais sintonia e sinergia
acordadas forem ---
Tempos ruins passarão
por nós sem
mesmo ser percebidos,
e serão abertos todos
os nossos caminhos.
Confissões embaladoras
com o afã de submergir,
e abrigar na sua respiração,
coração com o coração
no compartilhado silêncio.
Neste tempo talvez o mais
perigoso da nossa História,
que pede mel nas palavras
por mais que a realidade
flerte com o cruel e o covarde.
Deixar por conta os intentos
das quaresmeiras e as aleluias,
e encontrar sob a floração
da época os maiores motivos
para não apagar os sentidos.
À Catalina Giraldo
Conheci a história da sua travessia,
não nos poupe de ti nesta vida.
Se eu pudesse olhar nos teus olhos,
com certeza te diria:
- Transforme toda esta dor em arte
nesta vida que desafia.
Somente a arte pode ser a ponte
interminável entre a vida e morte.
Não existe nada além da arte
com igual capacidade de conceder
a interminável sorte de morrer,
renascer e fazer-te viva permanecer.
Com a tua silente ternura
sua existência tem altura
muito maior que a de Wakhan,
montanha que desafia
o céu, o vento e as estações.
Reluz um Pulwar de ouro puro
nas tuas mãos que para mim
hão de ser absolutas em tudo,
Uma lâmina curva que não fere,
ilumina a escuridão adentro,
A sua mirada, cravou perene
no peito a Charay poética,
não como o aço frio e mortífero,
mas com verso afiado e doce.
Fez arder um fogo sem explicação,
sem dor, sem ferida, sem ardor
que nem médico ou clérigo
são capazes de fato dissolver;
Foi além do que eu ousava prever,
conquistou meu território
sem arsenal e com potência serena.
Não por beleza que ofusca,
nem por força bruta,
nem por poder que impõe
— mas por conhecer de cor
os "Noventa e Nove nomes de Allah",
um a um, como quem sussurra
segredos de Paraíso que foi
perdido revelando em meu ouvido.
Cada nome era uma flecha invisível,
cada sílaba um golpe indelével
e de graça no coração feminino.
E agora sou terra em rendição,
campos de trigo em floração,
onde esse ardor divino
permanece sem explicação.
Nascer potente em Vidal Ramos
e na sua foz em Itajaí encontrar
o meu Oceano Atlântico Sul,
É o curso do Rio Itajaí-Mirim
que enleva razões para mim:
borda sentidos e rega a vida.
Sem o nosso amado rio
é só partida, e logo garrida.
O Rio Itajaí-Mirim eu sou,
e ele obviamente é para mim,
que sou filha da Mata Atlântica
praticamente desaparecida.
Até quando a poesia azul
da amada Santa Catarina,
pelo Rio Itajaí-Mirim falo,
canto, reclamo e declamo,
Porque eu preciso mais dele,
do que ele precisa de mim,
Sabe-se que existe um tipo
de gente que não pense assim.
Nos jogos entre caçador
e a sua caça perfeita não
tenho o formidável encaixe,
porque sou na verdade
no deserto da existência
e n'amplidão o autêntico oásis.
Foram e sempre serão postas
demonstrações de seda,
como um banquete na mesa.
isso não significa acesso fácil,
sou poeta, não se esqueça.
Tudo vira algum tipo de poema,
para quem quer tudo no mundo,
e só não quer ter razão;
para não se perder no labirinto
do tédio e perder a emoção.
Porque algo de Amu Darya
também corre nas veias,
e para lidar comigo é preciso
prestar atenção no curso,
para não ser levado pelo turbilhão,
e perder o rumo do seu coração.
Não preciso de permissão
para tomar conta da sua
consciência íntima toda.
Por ter a senha e a chave,
entro a qualquer hora,
com calma, porque moro
no coração e no pensamento,
certa de que já me esperava.
E não me desculparei nunca
por te desejar inteiro:
tornei-me o adorável tormento.
O mundo lá fora implora
por sua atenção.
Com tato de senhora
do que a sua mente quer,
mostro lado a lado
tudo o que você sempre
sonhou e nunca vivenciou;
porque, sem volta,
nos sagramos atlânticos.
No abandono luxurioso
a dois, em banho dourado
pelo preguiçoso sol de junho
cortando o guanandi,
sem perder o embalo
alucinatório com os rubis
íntimos totalmente pulsantes,
trocamos os lábios coralíneos
bailantes, vivos e famintos,
por plânctons místicos.
Somos a continuidade
do romantismo proibido.
Na minha boca só mantenho
a sua pele, os seus beijos
e as melhores e mais finas palavras
misturadas com o aroma
do chá da macela reservada da colheita;
E não o que desejam incutir
para nos manter desorientados;
para nos fazer distanciados.
Os lábios e a carícias veneram
tudo o que se descobre em veios
de ágata deste nosso sul brasileiro
com o norte molhados de desejo
pelos teus lábios bonitos e capazes
de fundir com arte elevada o ródio.
Porque se eu for me perder
que seja na perfeição dos teus traços,
para que o prêmio nos tornemos laços
entre trocas e voluptuosos abraços.
O alucinante, o arrebatador e o viciante
definirão rumo aos nossos passos.
O flerte com a imprevisibilidade,
dissolução de um no outro,
a elegância, a abertura e a multiplicação,
trazendo à tona a inevitabilidade
das polaridades em perfeita rendição.
No painel ordinário dos dias
escrever, pintar e desenhar,
para no cotidiano formas dar
com as nossas cores suntuosas,
inspiradoras e inesquecíveis,
para que nos sintamos incríveis.
O corpo e a mente merecem
a concessão de alternância
para que o amor e o auge liderem,
e a intimidade escreva bela,
reservada e totalmente protegida
ao som do balanço das araucárias.
Para que a hierarquia natural
de quem dá e recebe prazer seja
preservada das influências externas,
para que a reverência não se perca.
Da elegância e rendição existencial
alcancem a pavimentação perfeita,
para que a polaridade se afine
de forma a entender e só responder
os nossos códigos de prazer
sensoriais, secretos e sagrados.
Completa e sem nenhuma variação,
deixo-me levar pelo alto impacto
da sua existência e da sua sedução,
sem precisar de manual de instrução.
Como a capororoca está para o sanhaço
não lutar diante da entrega, será fato.
Que venha no tempo de permanecer
integralmente meu e apaixonado.
Contigo, sentir o tempo parando lá fora,
viver a rendição acontecendo agora;
ser corpo e a alma que conhecem
a real ordem natural e hipnótica.
Permitir o coração pleno e aberto
para o amor profundo tomar conta...
Feito és para a veneração elegante,
e não apenas para um instante.
Incorporar a energia preenchendo,
com o inevitável sentir mesmo tocar;
existo para você inteiro morar,
não preciso pelo seu amor implorar.
Nadar, se desviar dos clichês,
ter o poder de entregar e envolver
com a capacidade real de empolgar
você para oceanos inteiros cruzar.
Não preciso te pedir: a tua guarda
facilmente diante de mim se põe.
A reverência somos, ímpar sem negar,
e rendição mútua sem sequer lutar.
Ter a rua totalmente livre,
patinar na sua direção,
Fazer loucas acrobacias
para chamar atenção,
e quem sabe conquistar
um espaço no seu coração.
Querer a sua versão original
jamais será exigir demais
a confortável versão indomável
que te deixa realmente em paz;
traz para mim o teu dom primaz,
te respondei com o mais audaz.
Vem, ensinar como é que se faz!
Depois que me conheceu,
entrei e estou onde devo estar;
em ti sou o caminho que
o seu coração deseja se aninhar,
com a inocência do começar,
para juntos aprender a voar.
Vem, não temo o cortejar!
Feito amor-agarrado em flor,
sentir entre os teus abraços
o seu aroma único e inequívoco;
para viver o silêncio que dialoga
com a dádiva que terei no seu peito,
a referência total de fortaleza
com a celebratória real de leveza.
Porque o que está nos desígnios
é mais do que sonhamos;
confio que o meu aroma,
minha voz poética e a cadência
estão destinadas à pertença
plena em transbordamento,
e por imenso teu merecimento.
...é só questão de tempo!
Amar a sua melhor versão e a pior,
e a sua versão que não conheço,
e, mesmo assim, querer continuar.
Porque em ti como eterna viajante,
não pretendo nenhum pouco parar,
mesmo nascendo diariamente.
A tua existência está a convidar,
por ela não tenho conseguido,
não me permito sossegar,
e nem pretendo jamais parar;
mesmo quando não for tempo
de itaúba em florescimento.
Não precisarei criar subterfúgios,
porque tua alma é feita de liberdade
de ave assim como a minha,
Dos ruídos do mundo elegemos
o que é o melhor porque fica;
sinto que o nosso dia se aproxima.
Viver para os cânones da poesia
não me causam empolgação,
simplesmente tocar o seu coração
é a minha bonita obstinação,
Sonho inspirar os amores eternos
que depois de nós dois virão.
Na tua madrugada
surjo como galáxia,
A sua atenção trago
toda concentrada.
Balança a ventania
a Canela-sassafrás,
A aurora em sintonia
solene acompanha.
O aroma das flores
paira e aqui fica,
e de mim não desliga.
Trago o carinhoso
sopro de harmonia,
paz, fé e amor para a sua vida.
Tornar-me o sol pela manhã,
o caminho ao ar livre,
a sua alimentação, a gratidão
e a razão da sua satisfação,
que aumenta a sua serotonina.
Ser tudo isso com equilíbrio e alegria,
para que eleja todos os dias
viver com a minha companhia.
Deixar que a Timbuva cresça
onde quer que ela eleja,
para quando o verão chegar
tenhamos uma boa sombra fresca;
jamais deixar perder o espírito
de diversão, aconteça o que aconteça.
Que o amor nos colha como
a queda d'água que desce a serra,
para que venha em cheias,
e encontre, com bondade, a terra.
Permitindo eleger orgulhosamente
o que vale à aferra, e nada encerra;
para que sejamos naturalmente
o curso e o ciclo intermináveis onde
só há emergência pela matéria;
buscando ser o que somos entre dogmas,
sem entrar no campo do comum
de gente habituada a fazer guerra.
Honre a sua ancestralidade
e o quanto tiveram que caminhar
na vida e cruzar o mar,
para até aqui chegar
e a gente vir a nos encontrar.
Nasceste brasileiro,
aqui é o seu abençoado lar;
muitos gostariam de ter
o privilégio de ter uma Pátria
como a nossa para morar,
onde a guerra de alta intensidade
não teve o poder de nos alcançar.
Sem abandonar quem você é,
não apenas pela influência
do nosso idioma bonito,
não se esqueça que você
nasceu latino pelo convívio,
pela construção histórica
e pelo resultado geopolítico.
E isso acaba moldando
o consciente, o inconsciente
e o seu jeito de se comportar,
sem nada teu subtrair ou erosionar.
Tu tens muito o que se orgulhar,
sem esperar que a satisfação
venha independentemente
de quem está a nos governar.
És filho do Pampa, da Mata Atlântica,
do Pantanal, do Cerrado,
da Caatinga e da Amazônia —
e tens o Oceano Atlântico
para estar com ele à beira-mar.
Todas as vezes que tentarem
as ideias distorcer e nublar,
sempre se lembre que tens
todos os motivos para se orgulhar.
Se fores meu, eu hei sim
de acarinhar a sua nuca
quando menos esperar.
O melhor banquete irei
entregar do jeito que você
nunca esperou receber;
o amor e a paixão iremos
proveitosamente colher.
Ao redor da mais bela
Guanacaste em baile
solto contigo irei dançar
o Punto Guanacasteco
e seduzir-te sem parar.
Diante da testemunha
do magnífico Rio Térraba,
o amor iremos jurar.
Se fores meu, não haverá
nada neste mundo
para alterar a hora do amor.
Seja na Costa Rica
ou em qualquer outro lugar
da América Latina,
não haverá nada para nos parar.
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