Apesar da Magoa Sinto sua falta

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Se a sua oração não muda o seu jeito de tratar quem te serve, você não está falando com Deus, está apenas ensaiando um monólogo.

O caráter é o que você faz quando o líder da sua comunidade não está olhando.

Sua bíblia deve ser de ouro, de tanto que você a usa para bater nos outros em vez de usá-la para se iluminar.

Se a sua crítica tem alvo certo por denominação, mas se torna mudez diante dos erros dos seus, o seu problema não é com o pecado, é com a liberdade alheia.

Para o narcisista religioso, o 'Espírito Santo' é apenas o nome que ele dá à sua própria intuição e vontade.

O próprio narcisista se esconde sob o manto da religião para que sua arrogância seja confundida com autoridade espiritual.

No palanque do narcisista religioso, o Evangelho é o roteiro e o fiel é o financiador de sua sede de poder.

O líder narcisista não quer salvar almas, ele quer somar votos para validar sua própria grandeza.

O amor da sua vida não é necessariamente a pessoa com quem você vai envelhecer, mas aquela que te deu os olhos certos para você enxergar o seu próprio valor.

Amar não é encontrar alguém que nunca vai te ferir, mas alguém que se importa com a sua dor. É a calmaria de saber que, mesmo nos dias de tempestade, o abraço daquela pessoa continua sendo o porto mais seguro do mundo.

A carência quer um dono para a sua dor; o amor de verdade quer uma testemunha para a sua paz. Quem está carente aceita qualquer abraço, mesmo que ele aperte as costelas até faltar o ar. O amor de verdade não aperta, não sufoca e não cobra resgate. Ele é o único lugar do mundo onde você pode desarmar o peito e, finalmente, respirar fundo.

Lembre-se: é muito melhor perder um traidor do que a sua liberdade e a sua paz, pois elas valem ouro.

A influência saudável inspira o indivíduo a buscar sua própria conexão com o divino. Já a manipulação cria uma dependência espiritual doentia, onde o fiel acredita que Deus só fala através da boca daquele líder específico. Esse é o maior perigo para a religião: quando o intermediário se torna mais importante do que a própria mensagem.

Desilusão não é o fim. É apenas o momento exato onde a sua vida real finalmente recomeça.

Há quem queira apenas o seu riso, mas o amor verdadeiro se apaixona pela sua cura.

O mundo vai te dar motivos para ser frio e desconfiado. A sua mente vai implorar para você pagar o mal com o mal. Mas a sua única salvação é decidir, por pura força de vontade, não deixar que a maldade dos outros estrague a bondade que existe dentro de você.

Nem todo amor de cinema serve para pagar as contas, dividir o teto e segurar a sua mão no hospital, no luto ou no momento mais difícil.

A viúva não tinha filhos. Sua fidelidade parecia moldada em ferro. Sem o marido há dez anos, trazia a bíblia gasta como única herança. O dízimo era sua prioridade absoluta. Apertava o orçamento da pensão mínima. Pulava refeições cotidianas. Mesmo assim, a igrejinha do bairro recebia suas notas amassadas pontualmente. Todo início de mês era igual.
Até que o corpo cansou. Uma pneumonia severa a acamou. Roubou-lhe as forças e a voz. Sem conseguir andar, a idosa olhou ao redor. Só encontrou o deserto absoluto. Nenhuma mulher do círculo de oração bateu à porta.
O único que estendeu a mão foi o vizinho ao lado. O jovem usava roupas coloridas. Tinha trejeitos que o líder usava como exemplo de erro no altar. Era alvo de sussurros maldosos na calçada do templo.
Nas primeiras semanas de cama, a senhora preocupou-se com a obrigação religiosa. Apontou com o dedo trêmulo para a caixinha de madeira. Ali guardava o dinheiro suado. Sem julgar, o rapaz pegou o envelope. Sabia da escassez da idosa. Tirou do próprio bolso o triplo daquele valor. Colocou tudo dentro do papel.
Ele foi até a igreja. Suportou os olhares de nojo da liderança no fundo do salão. Entregou a contribuição dela e saiu. Fez isso três vezes seguidas.
No quarto mês, o estado de saúde agravou-se. A mulher já não falava. Comunicava-se apenas pelo brilho marejado dos olhos. O rapaz percebeu a realidade. Notou que o sagrado não morava no gazofilácio daquele templo. Parou de enviar as notas.
Usou cada centavo para comprar os remédios caros. Comprou fraldas geriátricas e sopas batidas. O jovem limpava o suor da testa da senhora. Trocava seus lençóis com paciência. Segurava sua mão nas noites de febre alta.
Enquanto isso, o banco dela na igreja permanecia vazio. O silêncio da liderança era ensurdecedor. Nenhum clamor aconteceu. Nenhuma visita foi feita. Nenhum telefonema ocorreu. A ausência do envelope cancelara a existência daquela ovelha.
Meses depois, a viúva estava em lenta recuperação. O rapaz cruzou com o líder em uma avenida movimentada. O homem caminhava em seu terno bem cortado. Carregava uma pasta de couro luxuosa. Ao avistar o jovem, o religioso tentou desviar o caminho. O rapaz postou-se à sua frente.
O homem engoliu em seco. Tentou manter a pose formal. Disparou o jargão conhecido:
— A paz, rapaz. Como vai a nossa irmã? Estamos orando por ela. Ela sumiu. Até a tesouraria sentiu a falta dela.
O jovem não gritou. O tom de voz foi baixo e cortante. Parou o tempo ao redor:
— O senhor sentiu falta da contribuição. Nunca da mulher que a entregava. Há meses ela perdeu a voz. Há meses o prato dela é garantido por quem o senhor condena no altar. Enquanto o senhor preparava sermões sobre o amor, eu limpava a urina dela.
Ele respirou fundo e continuou:
— Enquanto suas ovelhas puras se afastavam com medo da doença, o rejeitado aqui alimentou a viúva que sua teologia descartou. O dízimo dela não foi cortado. Ele só mudou de endereço. Deus cansou de financiar o seu teto de gesso. Ele desceu para comprar remédios. Passe bem.
O homem permaneceu estático na calçada. Ficou com a boca semiaberta. Foi engolido pelo peso da própria insignificância. O rapaz deu as costas. Voltou para a casa simples. Ali o verdadeiro culto acontecia. No silêncio de um quarto que cheirava a desinfetante e amor puro.

O homem de verdade mede sua força pela capacidade de respeitar e cultivar um único amor, pois construir um império com várias mulheres é apenas o disfarce de quem não tem estrutura para sustentar o coração de nenhuma.

A sua cicatriz é a única tatuagem que a vida desenha à força para provar que a sua pele venceu a guerra.