Apenas
Resistir, muitas vezes, não tem nada de heroico. É apenas permanecer no dia mais difícil. É levantar sem acreditar. É seguir mesmo sem sentido. É existir apesar de tudo aquilo que tenta apagar o que ainda resta.
Aprendi que algumas feridas não cicatrizam por completo. Elas apenas aprendem a coexistir com a minha presença. São hóspedes antigos de uma casa cansada. E eu sigo arrumando os escombros para que ainda seja possível chamar isso de vida.
Há dias em que eu não quero ser forte. Quero apenas descansar de mim mesmo. Mas a vida não oferece pausa para a alma cansada. Então sigo, mesmo exausto, porque desistir nunca foi uma possibilidade que o destino me permitiu.
O tempo não cura tudo. Ele apenas nos ensina a conviver com o que sobrou. Aprendemos a reorganizar os cacos, a dar novos nomes às antigas dores, e a continuar, ainda que incompletos.
Quem vive entregue apenas aos próprios impulsos acaba se tornando estrangeiro dentro do próprio destino. Os desejos mudam, as emoções oscilam e o coração humano frequentemente se perde de si mesmo. Mas aquele que aprende o peso do dever começa a caminhar com direção, porque descobre que a alma também precisa de disciplina para não se afogar nos excessos do mundo.
- Tiago Scheimann
A educação não transforma apenas a inteligência. Ela molda sensibilidades, organiza o caráter e ensina a alma a caminhar com dignidade diante da vida. Porque aprender não é apenas acumular conhecimento, mas tornar-se alguém capaz de carregar luz suficiente para não se perder na própria escuridão.
- Tiago Scheimann
Nem toda dor ensina alguma coisa.
Algumas apenas machucam, atravessam a alma e deixam cicatrizes difíceis de nomear. Mas toda consciência que desperta depois da escuridão já não aceita mais viver curvada diante daquilo que a diminui, porque quem desperta verdadeiramente nunca volta a caber dentro das antigas prisões.
- Tiago Scheimann
A maturidade chega quando percebemos que nem toda ausência faz barulho, algumas apenas retiram lentamente a luz das coisas.
Com o tempo, percebi que algumas feridas não cicatrizam, elas apenas aprendem a respirar dentro de nós sem chamar tanta atenção.
Escrevo porque há dores que não sabem gritar, apenas se transformam em palavras. Sou feito desse homem que sofre, observa, reza, recorda e continua, convertendo abandono em linguagem e fragilidade em algo que o tempo não consegue destruir.
Transformei minhas fragilidades em tinta para que a dor não fosse apenas sofrimento. Entre a lembrança e a fé, entre a queda e a permanência, fui aprendendo que algumas cicatrizes não pedem cura, pedem significado.
Há tristezas que não pedem consolo, apenas uma cadeira vazia e o respeito de quem aprendeu a ouvir o próprio ruído interno.
O que me fere não é apenas perder, mas descobrir que parte de mim já havia se despedido antes de eu perceber.
Existem dias em que o coração não quebra, apenas se torna mais nítido, e essa nitidez dói como luz em olhos cansados.
Há solidões que não expulsam, apenas iluminam o contorno exato daquilo que eu nunca tive coragem de admitir.
Em certos dias, estar vivo é apenas sustentar a consciência de que o mundo segue enquanto minha alma negocia com o próprio eco.
O arrependimento é uma espécie de fantasma: não grita, não corre, não ameaça. Apenas senta ao nosso lado nas madrugadas e nos obriga a lembrar.
