Amor Pintura Eterna Mario Quintana
É o amor que faz com que casais se respeitem mutuamente e aprendam no relacionamento a acolher no espaço interior do coração as dores e labutas diárias da vida.
Eu te amava, e isso era verdade.
Mas o amor não sustentava o peso
das noites em que eu perdia a mim mesma
tentando te carregar.
Entre meus filhos, meu trabalho, meu mundo
você ocupava espaços que não preenchia.
Poucas eram as coisas boas,
mas eu me agarrava a elas
como quem segura um fósforo aceso
no meio de um vendaval.
Bonitas, sim.
Mas pequenas demais pra iluminar
o tanto de sombra que você espalhava.
Hoje estou triste, mas aliviada.
É estranho como o peito dói
e respira ao mesmo tempo.
Eu sei que vou sentir sua falta —
mas sinto mais falta ainda de mim.
E é por isso que fui embora.
Não por falta de amor,
mas por falta de vida ao seu lado.
O amor incondicional pode ser dignificante para quem o dá, mas nada meritório para quem o recebe. Ainda que revele inquestionável capacidade de caridade e compaixão de seu doador, não contribui para retirar o beneficiado de sua pequenez, antes condenando-o a permanecer em perene processo de vermificação por conta da relação de dependência doador/receptor. A plenitude do amor é atingida quando o oferecemos àqueles que nos despertam admiração tal que simplesmente não conseguimos represá-lo dentro de nós, pois que o conquistaram por seus próprios méritos. E como tal, este tipo de amor se faz muito mais legítimo, pois que invariavelmente tanto irá despertar quanto oferecer mutuamente o que houver de melhor em ambos.
Amor, respeito e confiança não se comportam de forma idêntica:
- O respeito é consciente, permitindo-se conviver com quem não ama ou até não confia;
- O amor é condescendente e não se recusa a dar-se mesmo quando não há confiança nem respeito.
- Já a confiança é cautelosa: ela até aceita o convívio com quem não ama, mas jamais o admite onde não enxerga respeito.
Por mais que a Justiça teime em dar a Verdade para alguém, o Amor ensina que a igualdade não tem lados.
Admiração é uma quarta forma de amor, que é quando a gente gosta, apaixona-se e ama, mas como a uma obra de arte de inestimável valor que nos veio para ser extremadamente cuidada, mas exibida ao mundo sem qualquer egoísmo, por se entender que ela nasceu para fazer a todos felizes!
O amor – seja de pais, filhos, amigos ou parceiros de vida – não deve ser reclamado. Muito menos mendigado. Simplesmente se traduz por alegria em cada encontro e em saudade nos intervalos entre dois reencontros.
Amor e Chimarrão
Quando bem preparados
Te fazem bem a alma
Te aquecem e mandam embora
Qualquer solidão.
Procura-se uma prenda..
Pra viver comigo num rancho feito de amor e de madeira.
Que queira ouvir milongas pra se amar a noite inteira.
Tomar chima, comer pipoca, contar causos em volta do fogão.
Ter um cusco, um baio e uns filhos pra alegrar ainda mais a nossa junção.
Jogar truco, comer pinhão, viver juntinhos pra sempre aqui no rincão.
— Procura-se uma prenda que queira esse tipo de peão,
pois a quero amar a vida inteira, e entregar o meu coração.
Seu amor é uma mentira
Sinuosa maneira de agir
Estar a passos largos
Atiradas em falas
Mostra opaco vestígios.
Quando eu me encontrei no amor... tive que perder meus sonhos... partir... carregando no peito apenas a tristeza por não poder ficar...
