Amor Impossivel Martha Medeiros
Resistência.
Te peço chuva Senhor
que a terra está tão sofrida
sem água não nasce vida
sem vida não nasce amor
me manda um pé de flor
pra que eu enfeite meu jarro
minha casinha de barro
já não suporta o calor
é tanta gente indo embora
e eu resistindo na tora
me contorcendo de dor.
Ardor.
O sertanejo lamenta
por este chão sofredor
que a seca traz violenta
derrete o pasto em calor
sem ter o grão que alimenta
nenhuma terra sustenta
um talo ardendo de dor.
Sua benção.
O respeito aqui é demais
no nordeste é tradição
o menino vira rapaz
a menina um mulherão
mas não esquecem jamais
e pedir a benção aos pais
vem da nossa educação.
Um novo ano!
Que esse ano se plante
e que brote todo grão
e que cresça verdejante
cada palmo deste chão
que a seca fique distante
e a água seja constante
pelas terras do sertão
Novos tempos.
Sertanejo meu irmão
meu amigo de verdade
tenha fé no coração
onde não entra maldade
a chuva tem compaixão
e este ano nosso sertão
será a sua prioridade.
Um novo nordeste.
Esse ano vai ser demais
com a semente do ano novo
fartura para os animais
e chuva pro nosso povo
terá verde nos matagais
e o nordeste ganhando mais
do que pão, cuscuz e ovo.
Nordeste produtivo.
O nordeste me seduz
vai do simples ao granfino
das roupas de Santa Cruz
e das obras de Vitalino
porque tudo se produz
e não é só de cuscuz
que se vive o nordestino.
Sertanejo Nordestino.
O sertanejo se dá bem
em qualquer parte que for
vive do pouco que tem
e não reclama a sua dor
trabalha por mais de cem
e não nega pra ninguém
que o nordeste é seu amor.
Abandono.
Já não suporto essa briga
e apareça quem conteste
enquanto a seca castiga
por aqui ninguém investe
não se vê uma mão amiga
e o governo pouco liga
pra quem vive no nordeste.
Homem do tempo.
Um olhar firme e sisudo
de quem já foi peregrino
a esperança é o escudo
que protege o nordestino
quem na vida fez de tudo
se forma sem ter estudo
nas escolas do destino.
Bons tempos.
As vezes sinto saudade
dos tempos de garanhão
do vigor da mocidade
de correr de pé no chão
mas o peso da idade
só pede a tranquilidade
que hoje tenho no sertão.
Riqueza.
Eu pensei que a felicidade
fosse morar num paraíso
ter roupas de qualidade
usar joias em vez de friso
mas ter dinheiro a vontade
não se paga uma saudade
e não se compra um sorriso.
Chapéu de couro!
Nossa terra vale ouro
onde Deus está presente
o trabalho é duradouro
mas o vaqueiro é valente
corre, cuida, pega o touro
e só tira o chapéu de couro
em respeito a nossa gente.
A chuva e o verde.
Quando chove no sertão
o verde é quem predomina
cada semente no chão
uma por uma germina
pra colher na plantação
o melhor de cada grão
da culinária nordestina.
O sertanejo.
O sertanejo de verdade
é aquele que ara o chão
mostra a sua dignidade
por cada calo na mão
da chuva sente saudade
enfrenta a dificuldade
mas não deixa seu sertão.
O seu relacionamento com outra pessoa, depende de abos os lados, já o seu relacionamento com Deus depende somente de você.
País próprio.
A vida é um cenário
as vezes um picadeiro
o mínimo é o salário
que atinge o brasileiro
a você que é mercenário
há quem seja milionário
mesmo sem ter dinheiro.
Tinta verde.
Que a seca faminta
não tire o que veste
do couro e da sinta
do pouco que reste
antes que seja extinta
o verde da tinta
que pinta o nordeste.
O tempo me levou a um lugar
completamente desconhecido
onde jamais imaginei me encontrar.
O tempo me levou os amados,
alguns entes queridos,
sorrisos,
amigos
mas também levou minha tristeza
e a sensação de não pertencer,
de não estar.
E honestamente se houvesse algo
que eu pudesse pedir ao tempo,
seria que continuasse a tudo e todos levar,
que arrancasse as raízes,
revirasse as florestas
e deixasse às sementes
a missão de recomeçar.
O tempo já foi meu inimigo,
meu amigo também,
apagou feridas incuráveis,
e abriu algumas que acreditava estarem fechadas,
usando de uma crueldade
que cheguei a achar
que não poderia ir além.
A maldição e o dom
entrelaçados
nas estrelas,
derramando em sua poeira
a queimadura e o refrescar,
um coral que dedica sua vida inteira
a uma canção,
que anuncie a morte,
a vida,
o recomeçar.
