Amor em Forma de poesia

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A corrupção é uma forma silenciosa de violência: poucos lucram, muitos pagam e quase ninguém vê a vítima.

“O animal abandonado é talvez a forma mais silenciosa de testemunho contra uma sociedade que aprendeu a possuir antes de aprender a cuidar.”

“O abandono animal é a forma pela qual a irresponsabilidade privada termina nas ruas e a responsabilidade pública começa a ser testada.”

“Toda injustiça é, em alguma medida, uma forma de dizer ao outro: o seu sofrimento não importa.”

A burocracia do luto é a forma que o Direito encontra para arrumar a casa depois que o morador foi despejado pela eternidade.

O Direito é uma tentativa humana de transformar a fragilidade da existência em alguma forma de proteção coletiva.

A memória é uma forma imperfeita de eternidade: aquilo que desapareceu continua existindo dentro de alguém.

A gratidão é talvez a forma mais silenciosa de justiça: devolve ao passado o reconhecimento que o presente lhe deve.

Punir o homem é fácil; compreender o sofrimento que o conduziu ao crime é uma forma mais difícil de justiça.

Toda norma produz consequências; por isso, legislar também é praticar uma forma de causalidade sobre a sociedade.

Condenar sem compreender é fácil; compreender sem absolver automaticamente é uma forma superior de rigor.

O Estado laico é a forma política de reconhecer que a consciência não pode receber sentença estatal, sobretudo sobre questões que permanecem abertas à razão humana.

A mais sofisticada forma de persuasão é aquela que desaparece dentro da própria vontade de quem foi persuadido.

Quem governa a circulação da informação exerce uma forma de poder que não precisa parecer governo para produzir efeitos políticos.

A alfabetização científica é também uma forma de cidadania jurídica, porque cidadãos incapazes de avaliar evidências tornam-se vulneráveis à autoridade de quem promete certezas fáceis.

O romantismo sonhou com a eternidade; o casamento tentou dar-lhe forma, testemunhas, assinatura e reconhecimento civil.

A dúvida disciplinada é uma forma de coragem: ela permanece diante do abismo sem preenchê-lo com ficções convenientes.

Ler pode ampliar o pensamento, mas também pode substituí-lo; há uma forma sofisticada de ignorância que consiste em conhecer milhares de pensamentos alheios para jamais enfrentar a solidão de produzir um próprio.

Questionar é admitir que aquilo que julgávamos saber talvez fosse apenas uma forma sofisticada de não perguntar.

A ciência pode explicar como uma crença se forma sem precisar decidir se aquilo em que se acredita é metafisicamente verdadeiro.