Amor Dolorido
Que o Amor Me Reconheça
Há uma parte de mim que se revela apenas para quem sabe ver. Não me entrego facilmente, porque meu amor, minha entrega, é algo que se cultiva com paciência. Não sou para ser admirada à distância ou compreendida apenas pela superfície. Sou feita de camadas, de sensações, de desejos, e só aqueles que têm a coragem de mergulhar nas profundezas de quem sou, poderão encontrar o que é verdadeiramente meu.
Eu espero, sim, mas não de qualquer jeito. Não espero por qualquer um. Espero por aquele que será capaz de enxergar não só o que está à mostra, mas também o que me habita de forma silenciosa, o que guardo para o momento certo. O amor que procuro não é pressa. Ele se faz em detalhes, em toques suaves que não exigem respostas imediatas, mas que se entregam sem medo do tempo.
O que eu quero é alguém que saiba me ver além do que se mostra. Que consiga ler nas entrelinhas e me reconhecer nas minhas pausas, nas minhas hesitações. Que o amor, quando vier, me encontre por inteira — com minhas reservas, meus medos, minhas ansiedades. E que, mesmo assim, ele se faça presente de forma tão profunda que nenhuma insegurança ou distâncias possam abalar.
Eu não sou uma simples entrega. Sou uma promessa, um mistério que só se revela a quem tem a coragem de ver além do que é imediato. Que o amor me reconheça não como um reflexo rápido, mas como algo que vale a pena ser descoberto lentamente, com cada toque, com cada palavra. Eu sou esperada. E, quando ele me encontrar, será como se o tempo finalmente tivesse valido a pena.
Nem sempre é a falta de amor que impede o crescimento, mas o solo onde escolhemos plantar nossas sementes. O amor pode ser intenso, dedicado, cheio de cuidado, mas se o terreno não for fértil, os esforços se perdem, e a flor nunca desabrocha.
Aprender a reconhecer onde vale a pena plantar é um ato de sabedoria e preservação. Nem todo lugar nos nutre, nem toda terra nos sustenta. Há ambientes que sufocam, relações que drenam, espaços que, por mais que tentemos, nunca serão morada para o florescer que desejamos.
Então, ao invés de insistir onde nada cresce, escolha melhor o solo. Regue onde há espaço para raízes profundas, onde a luz chega sem esforço, onde o vento não arranca aquilo que você cultiva com tanto carinho. Algumas sementes precisam de um novo lugar para finalmente florescer.
RETICÊNCIA
Ainda acredito no amor,
um amor que chega sorrateiro,
invadindo espaços que nem sabia serem meus;
instala-se sem pedir licença,
bagunça o que parecia tão certo,
derruba certezas;
às vezes vem para acalmar,
ou para inquietar,
para fazer sentir o que estava adormecido;
adianta se fechar?
quando ele quer, ele entra
e transforma tudo em morada;
como seria a vida sem ele?
sem o colo que acolhe,
sem o olhar que diz mais que palavras;
quem, pela vida, não quer provar
o gosto de gostar,
com calma, desejo e permanência?
ficar no silêncio dos braços,
na pausa de um suspiro,
no instante em que dois corações se escolhem;
amar também é isso:
continuar e confiar,
mesmo quando parece fim,
como quem abre janelas.
História de amor
Aconteceu uma vez numa ilha, onde moravam os seguintes sentimentos:
A alegria, a tristeza, a vaidade, a sabedoria, o amor e outros.
Um dia avisaram para os moradores da ilha que ela seria inundada.
Apavorado, o amor cuidou para que todos os sentimentos se salvassem, falando a todos da catástrofe que estava por vir.
Todos correram e pegaram seu barquinho para chegar a um morro bem alto.
Só o amor não se apressou, pois queria ficar um pouco mais com sua ilha.
Quando já estava se afogando correu e pediu ajuda a riqueza.
Riqueza, leve-me com você? Ela respondeu: não posso, meu barco está cheio de ouro e prata, você não vai caber.
Passou, então, a vaidade e ele pediu. Vaidade, leve-me com você? Não posso, você vai sujar meu barco.
Passou a tristeza. E o amor perguntou: Tristeza posso ir com você? Amor, eu estou tão triste que prefiro ir sozinha.
Passou então a alegria, mas estava tão alegre que nem ouviu o amor chamar por ela.
Já desesperado, achando que ia ficar só, o amor começou a chorar.
Dai, então, passou um barco onde estava um velhinho que lhe falou: Sobe amor, que eu te levo.
O amor ficou radiante de felicidade que até esqueceu de perguntar o nome do velhinho.
Chegando ao morro onde estavam os outros sentidos o amor perguntou para a sabedoria:
Sabedoria, quem me trouxe aqui?
Ela respondeu: Foi o tempo.
Mas por que o tempo me trouxe aqui?
Porque só o tempo é capaz de entender um grande amor.
Só o tempo é capaz de entender o que sentimos um pelo outro!
Só o tempo será capaz de explicar porque vivendo em vidas distintas, um simples gesto de um olhar nos fez desenvolver algo tão forte dentro de nós dois.
Só o tempo será capaz de explicar e fazer as pessoas entenderem que tamanho de amor é esse que nos fez, juntos, passar por tantos problemas e dificuldades que já enfrentamos e ainda enfrentaremos.
Só o tempo será capaz de explicar e fazer as pessoas entenderem porque tanto dizemos "ame e se entregue ao amor", porque atrás das dores e sofrimentos, está a sua espera a eterna felicidade.
A vida é curta, aproveite-a. O amor é raro, agarre-o. A raiva é ruim, jogue-a fora. O medo é ridículo, enfrente-o. Memórias são doces, saboreie-as. Não as jogue fora.
Que você tenha hoje e a cada dia o amor de Deus, a luz do Sol, o brilho da lua, o resplendor do fogo, a presteza dos ventos, a profundidade do mar, a estabilidade da terra, e a firmeza da rocha!
AMOR PRÓPRIO
Você seria minha única esperança
Se eu realmente fosse desistir
Mas o mundo me ensinou a lutar
E hoje luto para conseguir te esquecer
Já que as minhas armas não machucam
Nem a minha palavra te prende
Meus olhos já ficaram secos de chorar
Metade de mim já está morta
Só que não é hora de entregar os pontos
Ainda me resta um pouco de amor
E este amor é só meu
Ele me ama com força suficiente
Para nunca me deixar morrer por inteiro
Sendo eu, minha única esperança!
Talvez amor seja isso, pedir desculpas mesmo quando você não está errado, mesmo quando você não tem culpa. Porque seu relacionamento com a pessoa é bem mais importante do que o seu orgulho.
Um verso tem fim
Meu amor por você não
Um dia tem 24 h
Sem você ele nunca passa
Você pode não perceber
Mas sem você eu não vivo
AMOR PRÓPRIO
Decidi hoje
Que não vou mais sofrer de amor
Nem de dor
Nem de nada
Decidi hoje que eu me amo
Acima de tudo, de todos e de qualquer coisa
Decidi que vou fazer amor comigo
E me apaixonar por mim mesma
Antes de decidir qualquer outra coisa nessa vida
Por que já levei tanto tombo
Que aprendi a gostar da dor de cair
Decidi por mim mesma
Me amar mais
Me desejar mais
Me acarinhar mais
Por que tem dias que ninguém vai fazer isso por mim
E eu tenho boas mãos
Posso me virar sozinha
Eu tenho pés para ir
E tenho carona pra voltar
Tenho coragem de decidir
E lágrimas para chorar
Não preciso que ninguém me diga sim
O não já me pertence e eu posso aceitar
O que eu preciso é me dizer sim
E me abraçar
E dançar
E extravazar
Eu decidi hoje
Que a partir de amanhã
Não vou mais parar
Todo grande amor traz consigo o cruel pensamento de matar o objeto do amor, para subtraí-lo de uma vez por todas ao sacrílego jogo da mudança: pois o amor tem mais receio da mudança que do aniquilamento.
