Amor de Tia pela Sobrinha
Tal qual a Flor da Araucária
traz a primícia para o Pinhão,
Todo o meu amor anuncia
a chegada no seu coração,
Os teus olhos observadores
como os da Gralha-Azul
nos meus já são senhores.
A ironia do destino revela
a cada instante que criei
em ti a estação eterna,
Como devoradora terna
capaz capturar a tua pulsação
com amabilidade, sedução
e aconchegante possessão.
Molécula do Amor
Este sintoma que atormenta
o sono e o apetite: insónias e mariposas.
Provocam arrepios de porcelana
e sobressaltos nas artérias
preenchem todos os orgasmos
com metáforas de voluptuosidade.
Fragmenta a dor nos labirintos da carne
desperta o arrebol escancarado
iluminando a escuridão incolor do vazio
fermenta a cadência do infinito sonho
alucina a concentração das pupilas.
Rodopia a sístole e a diástole
organizam um bailado de pensamentos no estômago.
Neste estado de imperfeita salubridade
e de perfeita insanidade
movimenta-se a molécula do Amor
na anatomia do poema.
"Sem medo, sem filtros. O amor para mim não é idealizado, é vivido: o que é imaturo é breve, o que é infinito não conhece fim."
"Não temo o amor nem o idealizo. Recuso a covardia das paixões passageiras: se é infinito, que seja eterno; se é imaturo, nem vale a pena."
"Não sou covarde diante do amor, pois não vivo de ilusões. O que é infinito nasce eterno; o que é imaturo, o tempo consome em um instante."
"Há uma crueldade silenciosa em quem termina dizendo que 'o brilho sumiu', como se o amor fosse uma lâmpada com defeito e não um fogo que ambos esqueceram de alimentar."
"A pressa quer o fruto, mas o amor pela vida rega a raiz; sem honrar o tempo de maturação, o que colhemos nunca tem o sabor da plenitude."
"Que o seu amor próprio seja tão sólido que qualquer afeto externo venha para transbordar, e nunca para preencher buracos."
"E o amor chega como uma certeza tranquila: a de que, entre tantos lugares, existe um onde a gente não quer apenas estar — quer permanecer."
