Amor de Tia
Sim, escrevi que não foi apenas um amor; quem sabe, um encontro de astros que não podiam existir no mesmo céu sem se machucar e se curar ao mesmo tempo. Eu conheci a euforia que corta a respiração, o pensamento que se torna uma vontade incessante, um sabor que ainda sinto...
Sou um homem marcado. Minha pele guarda a memória de um toque profundo. Meus pulmões ainda sabem o cheiro daquela tempestade que era ela. E a falta...
As paixões comuns? São sussurros abafados pelo barulho desse furacão que vivi...
Porque sim, eu já amei. E um amor daquele tamanho não termina; ele se transforma. Ele vira uma força sem controle que sela você. Ele forja um novo tipo de solidão: não a da carência, mas a do território conquistado. Minha alma agora descansa...
Agora, o mundo se resume a sentir, não apenas a ver. E eu sinto tudo, com a intensidade de quem sabe o preço e o prazer de estar totalmente vivo.
Esta é a vida do homem que sobreviveu ao seu próprio grande amor...
Este amor transcende o romântico; é um estado de presença que colora a existência. É a reverência pelo nascer do sol, o acolhimento das imperfeições, a mão estendida na dor. É a coragem de se doar sem garantias, de enxergar poesia no trivial e de florescer mesmo na aridez. É um verbo ativo que se faz no cuidado, no respeito e na celebração do simples fato de estar vivo. No fim, toda essa entrega e encantamento se revelam como uma única e profunda verdade: é um amor pela Vida.
O verdadeiro amor é uma força que se revela nos gestos mais sutis: no cuidado com que se olha, no abraço que acolhe sem pressa, no silêncio que compreende. É a escolha diária de enxergar beleza no ordinário e de celebrar cada pequeno milagre cotidiano. É a coragem de se entregar, de florescer mesmo em tempos áridos e de transformar existências. Esse sentimento, que nos conecta ao outro e ao mundo, é a mais pura e resiliente forma de amar. No que é difícil, é um profundo e eterno amor pela Vida.
Amor doido de amar sem limite, sem peso na consciência e sem pensar no que vai sobrar no fim. Um amor sem noção e fora da casinha, daqueles que tocam a campainha de madrugada, que vivem fazendo promessas de amor a qualquer hora, em qualquer dia. Que abandonam tudo, enfrentam o chefe e um trânsito caótico só para passar algumas horas grudados.
Uma mulher de amor tão grande que parece ter um pouco de D'us. Mesmo jovem, seu cuidado constante lhe dá a sabedoria calma dos mais velhos.
Na velhice, ela guarda a força da juventude. Se não estudou muito, entende a vida por um sentimento profundo; se é instruída, age com simplicidade de criança. Sendo pobre, sua riqueza é a alegria da família. Sendo rica, daria tudo para não sofrer ingratidão.
É forte, mas treme com o choro de um bebê. É frágil, mas pode lutar como um leão.
Em vida, muitas vezes não a valorizamos, pois perto dela a dor some. Quando parte, daríamos tudo para tê-la de volta, mesmo que por um instante.
O amor acalma, acalma de verdade, e põe fim àquela fome sem fim do corpo que sonhamos ter.
O amor é a última resposta, vai além do que vemos e até da morte. Ele é a maneira como aceitamos e celebramos o corpo de verdade, o corpo que temos aqui e agora. Talvez seja a única resposta que temos de fato.
O amor cala, acalma e para a fome do corpo que não existe.
O amor é a última resposta, depois do espelho e da morte.
Ele é o nosso jeito de celebrar o corpo de verdade, o corpo aqui e agora.
Talvez seja a nossa única resposta.
És tão bela morena
Razão do meu cantar.
Inspiração dos versos
Que vivo a recitar.
Se o amor eu canto
É por muito te amar
Formas de demonstrar amor!
Ouvir sem interromper,
Falar sem acusar,
Doar sem reclamar,
Ensinar e aprender,
Falar, ver, ouvir após respirar,
Perdoar, ser grato e amar!
Cuide do seu jardim, regue com sorrisos, amor, cuidados que os pássaros e as borboletas virão até você.
Perdidos estão o vento, o tempo e a vida. Perdidos de amor, de cor, de intensidade. Segure nas asas do tempo, pegue uma carona com a vida e corra na direção do vento para alcançar os sonhos idealizados.
Se preciso de amor? Lógico! O amor está enraizado em mim. Ele vive em aqui dentro e eu sobrevivo dele.
Carta sem endereço
Escrevi em linhas abertas o meu sentimento. Mostrei em palavras o amor que sinto. Escolhi um papel delicado, adornado com borboletas – símbolo de despertar, de alma e de espírito. Minhas mãos tremiam enquanto eu derramava sobre a folha todo meu afeto, meu carinho, minhas intenções.
A carta ficou pronta.
O problema é o endereço.
Não sei onde ele mora.
Talvez more nas lacunas escondidas do tempo, em algum canto perdido entre o momento e espera. Talvez viva dentro do meu peito, oculto nas entrelinhas do que ainda não foi dito.
Dobrei o papel com cuidado, coloquei-o em um envelope e guardei. Quem sabe, um dia, ele entre em contato – e eu possa entregar pessoalmente. Cartas assim, sem data, podem esperar em uma gaveta. E, se não chegar ao destinatário, ao menos aliviam o peso da alma que ama silenciosamente.
Rita Padoin
Escritora
Há um amor
Há um amor dentro de mim
Dentro de mim há um amor
Ele grita querendo sair
Eu o alimento para não morrer
As cortinas do tempo abriram-se
E o palco da vida se iluminou
Transformando o espaço
Em um grande cenário mágico.
Fechei os olhos para te imaginar
E trazer-te para junto de mim;
Vieste, trouxeste teu sorriso maroto.
Meu coração dedicou-te todo meu sentimento.
A bruma da manhã divide seu aroma,
A cortina se fecha guarnecendo a cena
Deste amor que guardei
Esperando-te chegar.
Proporcionei conforto, dei meu colo, carinho, amor. Dei um lar para as horas vagas. Desliguei-me do mundo. Construí castelos de areia para agradar. Meus anos foram materializados para doação. Deixei meu mundo e vivi o mundo da matéria. Hoje, procuro resgatar o imaterial.
