Amor Cigano
Conquistar muitos amores é coisa fácil, banal, mas saber cativar o verdadeiro amor é valorar a plenitude da nossa existência.
Cuidado com o excesso de açúcar em suas declarações de amor. Além de soar falso, pode provocar uma crise de diabetes no seu destinatário. O melhor será mostrar os seus sentimentos com moderação e verdade.
Urge compreendermos que o amor transcende a mera esfera dos sentimentos. Amor, em sua essência, revela-se como uma sinfonia de ações entrelaçadas, uma dança harmoniosa que tecemos com o coração e executamos com a alma.
Quem ousa afirmar que podemos escapar do amor verdadeiro? Mesmo quando a admiração se desgasta pelas decepções e pelo inexorável avanço do tempo, ele persiste, escondido em algum lugar. Mesmo quando a beleza se esvai, ele resiste. Mesmo após anos de separação, ele nunca se desvanece por completo. Em algum recanto profundo da alma, ele sempre existirá. O amor verdadeiro é um enigma que desafia qualquer explicação.
Amor não é uma escolha, amor é um complexo de sensações e comportamentosestabelecidos entre duas pessoas, mantidos por serem reforçados com gestos de carinhos.
Precisamos perseverar no exercício das virtudes para que possamos refletir o amor daquele que nos criou.
O amor não precisa ser financiado para se manter. Precisa ser alimentado dia a dia com carinho, dedicação, elogios e muitos cuidados.
Muitas vezes, confundimos amor com dependência. Sentimos erroneamente que se nossos filhos voarem livres não nos amarão mais. Criamos situações desnecessárias para mostrar o quanto somos imprescindíveis. Fazemos questão de apontar alguma situação que demande um conselho ou uma orientação nossa, porque no fundo o que precisamos é sentir que ainda somos amados.
Muitas vezes confundimos amor com segurança. Por excesso de zelo ou proteção cortamos as asas de nossos filhos. Impedimos que eles busquem respostas próprias e vivam seus sonhos em vez dos nossos. Temos tanta certeza de que sabemos mais do que eles, que o porto seguro vira uma âncora que impede-os de navegar nas ondas de seu próprio destino.
Muitas vezes confundimos amor com apego. Ansiamos por congelar o tempo que tudo transforma. Ficamos grudados no medo de perder, evitando assim o fluxo natural da vida. Respiramos menos, pois não cabem em nosso corpo os ventos da mudança.
Aprendo que o amor nada tem a ver com apego, segurança ou dependência, embora tantas vezes eu me confunda. Não adianta querer que seja diferente: o amor é alado.
Aprendo que a vida é feita de constantes mortes cotidianas, lambuzadas de sabor doce e amargo. Cada fim venta um começo. Cada ponto final abre espaço para uma nova frase.
Aprendo que tudo passa menos o movimento. É nele que podemos pousar nosso descanso e nossa fé, porque ele é eterno.
Aprendo que existe uma criança em mim que, ao ver meus filhos crescidos, se assusta por não saber o que fazer. Mas é muito melhor ser livre do que imprescindível.
Aprendo que é preciso ter coragem para voar e deixar voar.
E não há estrada mais bela do que essa.
Quando a idade chegar, não deixe transparecer rancor.
Se a pele enrugar, sorria.
São rugas de amor.
TECENDO O SABER!
O amor nasce da admiração e quando perdemos, este belíssimo sentimento também vai se embora. CLARIANO DA SILVA (2017).
Ainda em tempo, aprendi algo estupendo aos olhos humanos "o amor não tem DNA" (CLARIANO DA SILVA, 2016)
