Amo porque te Amo Poema William Shakespeare
Quem quer, precisa conhecê-lo à noite
porque durante o dia, ele esconde preciosidades
e fica azul, tingindo o mar
entretanto à noite, se despe
e na nudez da verdade, mostra a sutileza e a grandiosidade
sem imitar ninguém, rouba a cena
faz do espetáculo, poesia à parte
e encanta quem sabe
que nele, nem tudo é escuridão
Há de ser feliz
contra tudo e contra todos
porque felicidade é uma cidade
onde vive quem quer e aprende
dissolver qualquer tristeza
e ver na vida a beleza
mesmo que algum espelho, diga que não...
Porque é assim
na ausência
ouviras falar
e quando nada puderes fazer
saberás o que não morre
no coração...
nenhum poeta é
porque poeta é feito do nada
e quem o constrói
não são os versos
são as almas que recebem
o nada transformado em poesia
Hoje eu começo a entender, que tudo que acontece de bom e ruim em nossas vidas tem um porque.
Já questionei muito a Deus porque deixou coisas ruim me acontecer, mesmo eu sendo inocente das acusações feitas e mesmo assim pagar pelo fato que não fiz.
Graças as coisas ruins que aconteceram eu posso enxergar minhas deficiências e concerta, não acho que mudei todas elas mais tenho certa da que irei prestar a atenção em todas.
Não tenho raiva dos meus acusadores e nem uma outro sentimento, mas também não quero do meu lado.
Espero que eles sejam felizes e assim eu terei paz.
A vida é ingrata para quem deseja fazer o bem, porque muitas vezes é mais fácil seguir o fluxo da indiferença, do que agir de acordo com o que realmente precisa ser feito. Aqueles que têm a capacidade de transformar, de agir, muitas vezes permanecem em silêncio, aguardando uma mudança que nunca chega. Eles veem o mundo ao redor e se calam, esperando que alguém faça o primeiro movimento, como se a responsabilidade fosse dos outros.
E é assim, em um ciclo constante, onde os que podem ajudar ficam parados, esperando o fim. Mas o fim nunca chega. Ele é sempre adiado por aqueles que se acomodam na inação, acreditando que o problema está sempre "lá fora" e nunca dentro de si.
Mas talvez a grande lição seja essa: o silêncio não muda nada. A ação, por menor que seja, é o primeiro passo. O medo, a dúvida e a falta de coragem não vão trazer respostas, e quem espera demais pelo momento certo, muitas vezes perde as oportunidades.
A mudança começa dentro de cada um, mesmo que o mundo ao redor pareça continuar o mesmo.
SAUDAÇÃO DE UM BICHO
Nunca eu vos enganei
Ó gentes do meu amar
Porque haveria eu de vos lograr
Se não sei o que sequer serei?
Tal e sempre por bem vos amarei
Com raízes espetadas no coração
Que alimentam como se fosse o pão
Vivo de esperança, ai, eu o hei!
Trago-vos vivos no meu olhar
Aqueço-vos na minha fogueira
Mesmo que ela apague a noite inteira.
É este o bicho homem a saudar
Outros da mesma massa de amassar
O pão da vida ainda por levedar...
Carlos De Castro
Finisterra, 26-05-2022.
DIZ-ME NUM VÓMITO
Diz-me, porque estás triste ?
Amor rebelde, sem meu coração
Do sangue que pedias
Com a tua espada em riste,
Nessa mão,
Tremulando
Velhinha de emoção
Como a minha ficando
Apalpando o que não existe.
Diz-me, porque estás triste ?
Assombramento meu,
Sempre ao cimo da minha cama
De penas,
Tão apenas
Nas noites claras de breu,
Quando eu tinha medo de mim
Ao subir as escadas da cama musical
De bacanais infernal,
Que dizem ser ruim,
Até a do Orfeu.
Maldito seja eu
E quem me desafia
Em euforia,
Nesta noite tão só, tão fria,
Em que vou, sem vir
Mais que tempo de ir
Sem pena
Nem pensar
De voltar.
Diz-me, porque estás triste?...
(Carlos De Castro, " in Portugal Sem Censura, No Brasil, Sim", Em 06-09-2022)
Não sei como nem porque, troco muitas vezes o nome, a graça, a pessoas como eu.
Mas quando se trata de bois, nunca lhes troco o nome, pelo contrário: anuncio-os aos quatro ventos, sem medos, comichões ou outros pruridos.
NÃO SEI
Não sei
O porquê
Da tua altivez.
Da tua barriga
De rei.
Só sei,
Que uma rosa
Com espinhos
É mais apetecível que tu.
Ela,
Tem flor
E espinhos.
Tu,
Só tens espinhos.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 04-10-2022)
F A R TO
De ter esperança em mim,
Fartei-me de ti.
Esperança de mim em ti,
Nem assim, porque sim.
Nunca mais acredito
Na bonança
De uma esperança
Feita rito
Que dizem, sem saber
Porque é a última a morrer,
Se calhar, num grito!
Como se eu não estivesse
E ao demais não parece
Farto,
Infarto,
De crer.
(Carlos De Castro, in Há um Livro Por Escrever, em 21-10-2022)
C O N V I T E
Apareça, quem de mim gostar
Só hoje, sem choros, à beira do rio,
Porque amanhã cedo, o navio
Parte comigo para outro lugar.
E eu não sei se lá vou chegar.
Pode até o navio ao longe, naufragar.
Ou dar-me vontade de defecar
De pé, em cima das ondas do mar.
Aqui vos deixo o convite.
Depois, não me venham dizer
Por palpite,
Que era melhor eu ser
Sem parecer
O Eu,
Que não o Outro,
Que vos enviou o convite.
(Carlos De Castro, in Há um Livro Por Escrever, em 04-11-2022)
CRUEL DESTINO
Pedem-me amor
E eu não sei o que isso é;
Porque nunca o tive ao pé
De mim.
Assim,
Não sei se ele é dor
Ou prazer do início ao fim.
Pedem-me poemas
E eu não sei o que isso é;
Porque, malditas as minhas penas:
Poemas, será gente de fé?
Não quero nada,
Porque nada sei dar
Desde menino,
A não ser meu cruel destino
De querer amar
No já,
A quem nada me dá.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 08-11-2022)
NA TERRA DOS ESTARRECIDOS
Lá, na minha terra, gostam de mim,
Mas muito ao de longe,
Porque ao longe,
Assim
Feito num monge,
Não lhes calco os calcanhares
Nem lhes corto os discursos,
Iguais aos dos ursos
Arraçados de muares.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 23-11-2022)
PORQUE ME LÊS
Tem cuidado,
redobrado.
É a mesma coisa que perderes-te
No emaranhado das coisas da vida,
Ou gastares cera com tão fraco defunto.
Nunca conseguirás agir e dizer-me
Ou desarmar a ratoeira preferida
Dos poetas menores de corrente suicida
Que na vida da morte, caçam o verme.
Tantas vezes as parábolas minhas esquisitas,
Digo-o, sem rebuço ou falsas conquistas,
Fazem da minha figura em termo antigo,
Aquele que ainda diz: Só sou teu amigo,
Quando me deres, o que muito me apraz,
O teu cumprimento de frente e nunca detrás...
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 22-09-2023)
DIVAGAÇÕES
Eu já nem sei o que sou,
Porque vim e aqui estou,
Para onde vou
Neste barco que me castrou
Sem remos de princípio ao fim.
Só sei que não vim por mim...
Se viesse, não estaria aqui,
Neste degredo,
De vos revelar o segredo
De uma vida que vivi,
Sempre na escuridão do medo.
E é por isso que vou
Com meu pincel e apenas,
Borrar um quadro de penas
Na tela que Deus traçou.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 21-10-2023)
ESPERANÇA E VIDA
Ando por cá, pela esperança,
Já porque a vida
Prometida,
Foi-se esvaindo
Desde o passado findo,
Rumo a um sonho de mudança.
Um poeta jamais descansa,
Sempre que descreve as dores
Que o espetam como uma lança,
No peito dos seus fervores.
Foi uma vida de dissabores,
De desgostos e alguns amores,
Num nascimento talhado
Debaixo dum pobre telhado,
Numa noite fria e breve
E dizem que caía neve
Gélida, branca e borralheira,
Nas mãos da minha parteira.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 26-11-2023)
NATAL DA REVOLUÇÃO
Natal. Que revolução
Vai dentro de mim, agora:
Porque não veio o nevão
Da neve cinzenta de outrora?
Falo pelo país de mim,
Gente pobre e tão feliz,
De ser pobre e mesmo assim,
Numa esperança sem raiz.
Mesmo sem o tal nevão,
Do frio da nostalgia,
Eu prefiro ser chorão,
Que profeta da idolatria.
Haverá Natal de conceito
Sem aquela representação
Dum presépio tosco e feito,
Pela minha própria mão?
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 09-12-2023)
SEM RESPOSTA
Te salvo, princesa morena,
Aquela dos olhos tristes,
Diz-me, porque resistes
À minha triste novena?
Nove dias sem te ver...
Ou vens ter comigo
Aos quereres
Dos nossos apeteceres
Fatais,
Ou então já eu te digo:
Não acreditarei jamais
Nos infiéis juramentos
E no feitiço do teu olhar,
Nos cheiros de embriagar
Dos perfumes de enfeitiçar,
Que me trazem sofrimentos.
Não respondes?
Oh, não precisas de o fazer...
Basta-te só compreender
Que mais esse teu açoite
Não evita que o meu dia
Mesmo sem o teu querer,
Já começa à meia-noite,
Na luz que a lua irradia.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 17-02-2024)
RESISTÊNCIAS sei lá quantas já escrevi
Resisto,
Porque quero
E não por acaso mero,
Porque sou tão teimoso
Que até as pedras da rua
Quando me sentem mancando
Pelas dores negras e cruas
Que me vão martirizando,
E mostrando que nada valho,
Dizem em jeito jocoso:
- Que resistente bandalho!
Resisti,
A promessas de riquezas vãs,
Prometidas por gentalhas
Canalhas, com olhos de rãs;
Seres avaros, repugnantes
Com cartões de governantes,
Sei lá por graça de quem
Foi o santo que os pôs na cripta
De donos de tantas parvónias
Que mencioná-las irrita
E revolta até também
Algumas orquestras sinfónicas.
Continuo a resistir,
Ao meu relógio sem horas
Porque só me traz a desoras,
Sem saber que mal lhe fiz,
As notícias mais pandoras
Deste meu ledo País.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 17-11-2024)
