Amo essa minha Vida Louca
Se eu sou de direita ou de esquerda? Eu sou brasileira. Minha inteligência não é adestrada. Tenho consciência política. Não tenho políticos de estimação.
BURACO NEGRO
quando minha razão é eclipsada, você aparece como a lua cheia no céu que iluminando meu caminho projeta minha sombra por veredas passadas.
sou um inseto que como por feitiço, voa em direção a essa luz inalcançável mas assaz irresistível para justificar o labor de tal busca interminável;
e por vezes sou uma mariposa que é necessariamente atraída para a fogueira e tragada pelo fogo: o calor e a luz que me encantam também trazem um fim a essa efêmera existência permeada com promessas de eternidades.
de um ponto ao outro, a ponte é sempre queimada após a passagem e o regresso encarna em fantasia;
sou o herói no labirinto, a tênue esperança suspensa no auspicioso fio do novelo cor de sangue;
se deixo as coisas como estão, já não estão como deixei; a lua se esconde, o fogo se extingue, o inseto contumaz é repelido pela lâmpada;
as flores se ocupam da sedução diurna; as cinzas são levadas, tal como o pólen, transportadas pelo sopro da curiosidade para o desconhecido;
conduzo minha atenção para o que me cerca e me torno mais uma vez testemunha contingente do perene acontecer, sempre em movimento;
quando imbuido de significado, o horizonte de eventos toma o peso do mundo, peso que o vácuo do centro se abstém de possuir, a substância é integrada e já não está em lugar algum;
quiçá os dois se entrelacem mutuamente, um é modificado, o outro permanece intocado e segue tocando a orquestra universal de forma cega e contagiosa.
Saudades de Você, Minha Querida Mãe
Mãe, sinto saudades de te abraçar
E de sentir o seu coração bater
Sinto saudades de te escutar
E de todos os conselhos que me fez entender
Sinto falta do seu amor incondicional
E da sua força sempre presente
De todas as suas demonstrações de carinho
Que me faziam sentir tão contente
Mesmo que você tenha partido
Seu amor vive em mim para sempre
Neste Dia das Mães, te honro com carinho
E agradeço por tudo que fez por mim, minha mãe querida, eternamente.
"Pedaços de Mim"
Espalhados pelo chão
Estão os cocos da minha alma
Cada um com uma parte de mim
Cada um com uma dor igual
Uns com lágrimas secas
Outros com sorrisos partidos
Uns com amor, outros com raiva
Todos com um vazio difícil de explicar
Juntei-os com cuidado
Tentei colar com amor
Mas alguns se perderam
E outros nunca mais voltaram
Agora sou um quebra-cabeça
Incompleto e desajeitado
Mas ainda assim, ainda sou eu
Com meus pedaços espalhados.
ERA
Como se fosse hoje, minha mãe partiu
Num treze de maio que o Maio sentiu
Como se fosse a mãe dele a fugir
Para outro maio de sentir
Como ele sentiu.
Era Fátima no altar do mundo
Era esse o mundo de minha mãe
Deixando os que amava em horror profundo
E a Fatinha dela, pequenina, também.
Era o desabar de vidas coloridas
Entre flores vivas, vividas
E num relâmpago destruídas
Por um raio de vidas partidas.
Era, como se fosse hoje, treze de um maio
De há quarenta e cinco idos, falidos
Nos gemidos de minha moribunda mãe
Ao ir-se sem o primogénito ver...
Meu Deus, que razão de sofrer !?
Que castigos!
Só depois de tu ires, ó Cristo é que foi a tua mãe!
Eu que tanto queria partir em vez da minha
Choro agora e sempre, pela manhãzinha
A dor que só sente quem a não tem...
ESCURO
Minha alma só tranquiliza
No negro da noite dos vendavais.
É aí que ela encontra refrigério
No sossego do mistério
Daquela brisa
Que batiza
Hipnotiza,
Acalma
E exorciza
Os espíritos malignos
Nos malfadados signos
Dos mortais.
(Carlos De Castro, in Terra onde não se faz Censura, 04-07-2022)
A MINHA CARTA A GARCIA
Neste corpo a quebrar, há sinais
De várias cores a assinalar
As etapas de uma vida de ais
E de outras mais coloridas de pintar
As telas rudes do meu mar.
De estrelas belas a brilhar
Sobre as negras ondas
Das marés longas
Deste viver sem ainda saber
Do vir, do estar e do que sou
Entre esferas de milhões por ter
Vergonha de ser
Incrédulo, sem primeiro ver.
Então, quero antes desaparecer
Entre as brumas
De espumas
Sem ler
O epitáfio já reservado:
"Aqui jaz um inconformado
Que da vida só leva um fado,
A sua carta a Garcia,
Na escura noite da luz do dia."
(Carlos De Castro, in Poesia Só e Chega, em 16-07-2022)
O FLAMENCO DA POVEIRA
Como ela dançava e cantava o flamenco
Nas praças da minha infância,
À compita com Juvenço
Moço tropa de bota alta
Tipo peralta,
Mas homem sem substância.
Rodopiava louca
E batia em sincronia
O tacão
Dos sapatos da ilusão
E cantava com voz rouca,
Já com energia pouca,
Nos tempos de servidão.
Emília, a ti Poveira,
Mulher de raça
Sem trapaça
E dos copos
Só, sem tremoços,
Que a esmola não dava trocos
Para mais que o copito
Absorvido
Engolido
De súpeto
Feito ímpeto
Na garganta ressequida,
Ferida,
Naquela tarde de esfolar o pito.
(Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 30-07-2022)
DORME MINH'ALMA
Que felicidade, que maldita sorte!
Conseguir que a minha durma!
Mesmo sem ser já na morte
Nem nas vésperas da soturna!
Dorme, minha alma, dorme
Em teus lençóis, tão tranquila
Enquanto descansa a fome,
Da minha miséria sibila.
Ó, forças da natureza,
Deixai minh'alma dormir
Em silêncio e singeleza,
Na incerteza do que há de vir...
Lá, pelas encostas da vida,
Naquelas montanhas de calma,
Eu peço, eu rogo à gente dormida,
Que deixem dormir a minh'alma!
(Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 02-08-2022)
DOU-VOS
A minha tonta cabeça.
Fazei dela bola de futebóis
Nas vossas disputas de álcoois.
Dou-vos os olhos quase mortos
Tristes e absortos.
Dou-vos o peito magoado
Sem jeito de construção
De um novo estrado
Para tapete de chão.
Dou-vos barriga e vísceras
Algumas com úlceras.
Dou-vos os braços e pernas
Já de ossos com cavernas.
Só não vos dou o meu coração
Esse órgão de eleição -
Já o dei a alguém
Que Deus tem -
Desde que nasci até então,
Àquela que me deu a vida
Sofrida,
À minha querida
Mãe!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 26-09-2022)
NA TERRA DOS ESTARRECIDOS
Lá, na minha terra, gostam de mim,
Mas muito ao de longe,
Porque ao longe,
Assim
Feito num monge,
Não lhes calco os calcanhares
Nem lhes corto os discursos,
Iguais aos dos ursos
Arraçados de muares.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 23-11-2022)
VINTE ANOS E
Contei os natais com ela
Maria, minha mãe.
Vinte e tantos no presépio
Comigo, José filho,
Em nome de meu pai, Manuel.
Era a Gruta de Belém,
Porém,
Quase parecendo a outra,
Era o meu Natal puro,
Que os meus de agora esconjuro,
Neste destino cruel!
Foi-se a mãe;
Meu pai, seguiu-a além,
Fiquei eu, menino patético!
Que natal tão estépico,
Mais senil que poético,
Este de agora meu
Pobre que sou pigmeu,
Desde que minha mãe morreu
Há distância de esperanças mil,
Depois das águas de Abril.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 22-12-2022)
A ANDORINHA
Poisou uma andorinha
Tão mansinha
No parapeito,
Mesmo a jeito,
Da minha janela.
Era um sinal de vida
E eu pela minha sofrida,
Meti conversa com ela
Por gestos de simpatia
Em plena sinfonia,
Pintando com alegria,
A mesma paisagem da tela.
A amizade pura,
Cura
E supera
A mais dolorosa ferida,
Quando ela me disse ao
ouvido
Num silêncio estabelecido,
Sempre que haja primavera:
É sinal que renasce a vida!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 21-03-2023)
- Relacionados
- Frases da vida para transformar os seus dias ✨
- 67 frases para pessoas especiais que iluminam a vida
- Charles Chaplin sobre a Vida
- Frases de efeito que vão te fazer olhar para a vida de um novo jeito
- Charles Chaplin Poemas sobre a Vida
- Mensagens de reflexão para encarar a vida de outra forma
- Eu sou assim: frases que definem a minha essência
