Amizade um Principio de Reciprocidade
A morte do poeta é como um sopro na escuridão que quebra o silêncio da luz, e traduz tudo que nada diz...
(Saul Beleza)
*Último brinde*
Te convido.
Nem que seja para um último brinde.
Levantamos as taças, sem esquecer do contato visual,
não pelos "e se",
mas pelos "foi bom enquanto foi".
Brindo à tua risada,
ao teu jeito de bagunçar meu silêncio,
à loucura boa que você deixou morar em mim.
Que esse brinde feche a porta
sem bater,
e abra janela
pra eu ver lá fora de novo.
Saúde.
À nós que fomos.
À mim que sigo.
(Saul Beleza)
*Se um dia a gente se encontrar de novo, o meu amor vai estar igual. Só mais vivido. E se não, ele continua aqui, sem envelhecer.*
(Saul Beleza)
Se quiser
tem um quartinho ali nos fundos,
fique à vontade.
não é o quarto principal,
não tem vista bonita,
mas tem silêncio
e cabe alguém que não quer fazer barulho.
pode deixar suas coisas espalhadas um pouco,
pode chorar baixinho se precisar,
eu já me acostumei com visitas
que ficam pouco.
só tem outra coisa,
quando sair
arrume toda a bagunça,
aquela que você fez,
e aquela que já estava antes de você.
apague as luzes,
feche as janelas,
não deixe cheiro,
não deixe recado na geladeira.
E principalmente,
não esqueça nada,
nenhum casaco,
nenhuma desculpa,
nenhum beijo pela metade.
para que não precise
vir buscar.
porque quem volta pra buscar,
volta pra ficar,
e eu já não sei mais receber mais ninguém.
Não venha me bagunçar de novo.
(Saul Beleza)
Não tenho um amor,
eu tenho uma companhia.
Talvez se fosse amor,
não seria assim.
Estou amando a tua companhia,
e o amor?
Ah, o amor me acompanha
ao teu lado.
(Saul Beleza)
*Estafeta*
Você quer algo sério?
Porque se não quer,
é melhor a gente seguir um rumo.
Não um rumo juntos.
Um rumo cada um pro seu lado.
Eu me apego fácil.
Eu já tô me apegando agora
só de escrever isso.
E isso vai me fazer mal.
Vai me fazer virar boneco de novo,
coleção, diversão.
Eu não quero ser teu quase.
Eu não quero ser teu depois a gente vê.
Então me diz agora, sem soslaio, sem arapuca:
Você quer algo sério?
Se não,
segue tua vida
que eu juro que tento seguir a minha.
Mesmo com a porta encostada.
Mesmo com teu cheiro no travesseiro.
Mesmo sendo nada pra ti.
Eu sigo.
Mas se for pra ficar,
fica direito.
Porque meu coração não sabe ficar pela metade.
Ou ele fica inteiro,
ou ele se quebra inteiro.
(Saul Beleza)
— O mundo é um espelho da sua percepção.
— Isso não é um problema. O problema é o outro ditar que tipo de percepção você vai ter.
— Faculdades e universidades servem exatamente para esse brilhante propósito.
Da corrida, do poder e da miopia oligárquica: um ensaio Geleiocratico de fomento ao uso do dicionário!
Acompanho, com não dissimulada estupefação, a celeuma que se erige em torno de um ato tão comezinho quanto o de um aspirante ao governo potiguar que, no curso de suas caminhadas eleitorais, se permite correr e pular. Sim. Correr. Há quem interprete esse gesto de trivialidade atlética como uma espécie de transgressão inominável, uma quebra dos protocolos tácitos que regem a liturgia da política tradicional, como se o ímpeto de acelerar o passo, transpor uma via ou adentrar um terreiro para um cumprimento constituísse um desvio comportamental merecedor do mais agudo escrutínio.
Ora, essa reação, longe de significar mero escárnio, revela-se sintoma caudaloso de uma miopia estrutural — e, quiçá, de um mal-estar muito mais profundo, que reside não no ato em si, mas naquilo que ele simboliza. A vitalidade de um postulante é execrada precisamente no instante em que ele ousa disputar os proscênios do poder, espaços historicamente reservados a estirpes que nele adentram já revestidas de sobrenomes ilustres, patrimônios vultosos, capital social consolidado e uma aura de mando que se pretende incontrastável. É sintomático, outrossim, que os mesmos círculos que toleram com complacência quase obsequiosa a ostentação do privilégio mais inquinado se mostrem visceralmente incomodados diante da pujança física e da energia desmedida de alguém que construiu sua trajetória a contrapelo das circunstâncias adversas.
Duas experiências civilizacionais, pois, se contrapõem: a daqueles que aprenderam a caminhar pelos corredores do poder, amparados por estruturas de proteção que lhes suavizaram a jornada; e a daqueles que, desprovidos de tais muletas, precisaram correr para alcançar os mesmos patamares. Não se trata de erigir a pobreza em virtude ou a riqueza em vício — simplificação tosca que repudio —, mas de reconhecer que a origem social produz repertórios, sensibilidades e temporalidades distintas. Quem germinou em solo fértil de privilégios dificilmente compreenderá, em sua plenitude, a urgência de quem conhece o preço de cada degrau conquistado. E é precisamente essa incomensurável distância ontológica que parece atormentar os detratores.
Alysson Bezerra — e aqui o tomo como paradigma do que se discute — não emerge da política como produto acabado de uma engrenagem oligárquica. Sua trajetória, forjada em uma casa de taipa na zona rural de Mossoró, constitui uma ruptura simbólica com a vetusta noção de que os espaços de mando possuem donatários naturais, ungidos por berço ou por batismo social. Essa origem não o torna automaticamente superior a ninguém, mas tampouco o desabilita a ocupar qualquer posto de relevância. Distinção elementar, mas que insiste em ser repetida, pois o Brasil ainda é uma sociedade onde a desigualdade não se manifesta apenas no patrimônio, senão também na permissão tácita — ou na interdição velada — que diferentes indivíduos recebem para ocupar determinados lugares.
Quando o debate se desvia dos escólios técnicos — planos de governo, indicadores fiscais, projetos estruturantes, política orçamentária — para concentrar-se no corpo, no gingado, no fôlego ou na origem do candidato, estamos diante de um fenômeno que exige nomeação precisa: a indigência argumentativa sendo compensada pelo expediente torpe da desqualificação ad hominem. Há nisso uma sofisticação da arrogância — não a espalhafatosa, mas a mais insidiosa, aquela que se traveste de superioridade cultural ou intelectual e que, em sua essência, não passa da tacanhez de quem não suporta ver o "outro" adentrar o sancta sanctorum do poder sem haver solicitado a devida licença histórica.
É o velho pressuposto, ainda sobrevivente em nossas endogâmicas elites, de que certos indivíduos parecem predestinados a mandar, enquanto outros deveriam contentar-se em assistir, mudos e obsequiosos, ao espetáculo. Quando um desses "outros" transpõe a porteira, galga o tablado central e ainda ostenta a pujança de correr de uma residência a outra para aproveitar cada átimo de sua agenda extenuante, a reação de alguns oscila entre o riso mofado e a crítica olímpica. Talvez porque estejam diante de uma coisa que não se aprende nos manuais de administração pública: a premência de quem sabe, com todas as fibras do espírito, o peso de uma oportunidade.
Não se trata, aqui, de desmerecer a carreira pública sólida, a formação acadêmica elevada ou a estabilidade funcional de quem quer que seja. O problema germina quando o privilégio de origem é sublimado em pretensa superioridade de essência, como se o acaso do nascimento conferisse ao indivíduo um atestado de capacidade inata. Ora, ninguém escolhe a família em que nasce, mas cada qual elege, em alguma medida, o uso que faz dos dotes ou das penúrias que recebeu. É por isso que me causa estranheza ver determinados segmentos políticos, tão ciosos de suas credenciais, recorrerem a expedientes retóricos tão comezinhos para diminuir alguém. Se a crítica é política, que se exerça no terreno das propostas; se é administrativa, que se funde em dados; se há incompetência, que se demonstre; se há irregularidade, que se prove. Mas transformar o vigor físico, a origem social ou a maneira de se movimentar durante uma caminhada em instrumento de ridicularização é atestado de pobreza crítica — e não daquele tipo que dignifica.
Prefiro, pois, a política que se movimenta, que suarenta e ofegante alcança o povo, àquela que, enclausurada em sua ufania estática, contempla o próprio umbigo enquanto a realidade se esvai em desigualdades. Não é a corrida, em si, o pomo da discórdia; é a quebra do protocolo invisível que ancora a crasta endogâmica do poder. A democracia possui essa característica subversiva e ingente: permite que pessoas oriundas de lugares que jamais frequentaram os salões áulicos adentrem pela porta da frente. E, quando adentram, não precisam assimilar os trejeitos, os vícios e os tiques daqueles que estavam lá antes. Podem continuar sendo o que são. Inclusive correr.
Ao fim, a diferença monumental reside entre quem corre para chegar mais longe e quem precisa correr apenas para não ser alcançado e tragado pela própria história. Eu, particularmente, alinho-me com os primeiros — com aqueles que, em vez de se imobilizarem na contemplação narcísica do poder, preferem o fôlego, o suor e o movimento perpétuo de quem sabe que o chão se conquista com os pés, não com os títulos. Porque o corpo em movimento é, em última instância, a única antítese possível à estagnação do espírito e à paralisia das estruturas que teimam em permanecer imóveis enquanto o país corre — para trás ou para frente, conforme o vento da história.
“A maior habilidade de um verdadeiro líder não é mostrar o quanto ele é extraordinário, mas desenvolver habilidades extraordinárias em pessoas comuns. Liderar é enxergar potencial onde outros veem apenas limitações, inspirar, ensinar e transformar pessoas em versões melhores de si mesmas.”
A derrota é um mal necessário, pois é através dela que aprendemos, amadurecemos e descobrimos o caminho para vencer.
Quando cientes
de nossa missão nesse mundo, deixamos de ser
um símbolode resistência
e nos tornamosum
modelo desuperação!
Entre concordar ou discordar; crer ou não crer, mais salutar o argumento. Sobretudo porque, sem um justo argumento, também não encontraremos qualquer razão para
crer ou não crer, concordar ou discordar!
... um gesto de perdão
evidencia a virtuosa estatura
de um Ser... E, aos ora acolhidos por
misericordioso aceno, a chance de
remediar suas criadas demandas e
deslizes - ainda que, em muitos casos,
resgatados mediante o amoroso
bálsamo da contrariedade
e da dor!
... não é
preciso ser perfeito
para que um bem maiorpossa
acontecer; prevaleça!
Necessário é reconhecer e viver
o bem por todos meioseeficiência
que sejas capaz - e,por tal
atitudealcances a
perfeição!
... aos dispersos
de um cordial e estimulante
gesto de gratidão,decerto
não faltarão os rasos
pretextospor não
expressá-lo!
... desejar
um viver sem culpas
é render-se ao inconcebível -
refreando possibilidades; quando
não ,o próprio destino - na verdade,
cada homem vive sob os limites
de sua própria índole
sempre carente de
reparos!
AMOR SEM FRONTEIRAS
Uma noite de amor, um momento mágico
No encontro da paixão e do desejo, relaxo
Na entrega do meu corpo no teu corpo, me encaixo
No compasso do teu jeito, no abraço me enlaço
No toque de amor de cada gesto
O prazer no meu corpo manifesto
Te procuro e no teu beijo me acho
Ouço tua voz que murmura,
palavras de amor com ternura
Teu olhar me chama e diz que me ama
Envolve e me enrola na cama
De repente me vejo por cima
Sedução que anima e em mim descortina
O amor sem fronteiras, o amor sem barreiras
Feliz Ano Novo a todos com muita paz, solidariedade, fé, esperança no porvir de novos tempos.
Um novo ano se aproxima e com ele toda nossa ansiedade na expectativa, que seja um ano rompente, de transformações e envolvente.
Rompendo todas as barreiras que afasta o homem de si mesmo.
Que transforme a magia dos sonhos em realidade, e a vontade de fazer em ação.
Que envolva cada coração na emoção do amor, na simplicidade de ser feliz, na abundância de se doar e na humildade de receber. Na espontaneidade de ser luz e estender a mão.
Deixar de ser povo, para ser constelação.
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