Amizade um Principio de Reciprocidade
Deixando um recadinho na porta da geladeira:
"Fui mas volto, deixo a doçura dos meus sentimentos por ti!
Quando voltar, trarei flores para sua alma enfeitar!"
Joelma Siqueira
22/09/2015
Se eu ingerir flores
nasce um poema assim?
Poema de amores,
de amores sem fim??
Será?
Joelma Siqueira
A confiança é igual a um castelo feito de cartas: a gente leva tempo para construir, devagar, com cuidado. Mas basta uma carta fora do lugar para tudo desabar.
Quanto maior o castelo, maior a queda e a decepção.
Depois que ele cai, reconstruir demora ainda mais, porque cada carta nova é colocada com medo de errar.
E tem vezes que a gente já se decepcionou tanto, que nem vale a pena tentar construir de novo.
Alexandre Sefardi
Houve um TEMPO em que o Rei exigiu sua coroa de ouro cravejada por diamantes, rubi, esmeraldas.
Em outro TEMPO o Rei dos Reis, mesmo sem pedir recebeu uma coroa de espinhos.
Se sua passagem nesta vida for rápida, que seja como a passagem de um cometa, cortando e marcando o céu da vida de alguém.
Se me pedisse um conselho, te diria: “Não importa quanto tempo você esteja vivendo ou tenha vivido com alguém… cuidado com a verdadeira face dessa pessoa.”
Hoje acordei sorrindo e sabem porque? Porque Deus me deu a graça de viver mais um dia e me permitiu abrir meus olhos e contemplar a VIDA... "simbora viver esse novo dia que acabou de raiar?" (Priscilla Rodigheiro)
A rua da memória sempre me recebe do mesmo jeito:
um beco torto, desses que fingem não conhecer ninguém.
As minhas pegadas — educadas como sempre
apontam discretamente para mim,
como quem indica o culpado que já nasceu pronto.
O alvo mudou, claro.
Mas a corda bamba continua ali,
com aquela generosidade silenciosa
que oferece tropeços como lembranças grátis.
E eu, que já fui pele exposta querendo posar de metal,
ainda caio no truque.
Dizem por aí que esforço salva, silêncio ilumina, amor acerta.
Engraçado.
A verdade vem com farpas e ainda querem que a gente sorria ao morder.
Aprendi a trancar a língua antes que ela fale demais.
E a coragem… bem, essa eu mantenho no bolso, dobrada.
Troco trevas por tropeços, puxo o prumo para o fundo,
faço aquela coreografia conhecida:
nada firma, nada fixa.
Até meu rosto erra o próprio caminho
quando eu digo “tanto fez”,
sabendo que foi exatamente o contrário.
Cada um costura seu casulo com o fio que sobrou.
Depois finge que observa de longe
o afogamento alheio, testando a água
como quem não está com a respiração pela metade.
E ainda distribui sentença, sermão, palpite
tudo embrulhado na convicção
de que a verdade cabe numa mão fechada.
Mas a verdade…
ah, essa prefere escorregar.
Não cabe em palma nenhuma.
E morde.
Principalmente quem jura que não sente.
Chegaste trêmulo, fronte baixa,
carregando o riso gasto dos que imploram lugar.
Havia em ti um vazio tão ruidoso
que parecia mendigar palavras antes mesmo de falá-las.
Ofereci-te o que tinhas por hábito comprar:
presença.
Te dei portas, nomes, rostos,
e a cidade — ainda estranha para mim —
fui eu quem plantou aos teus pés.
Tu, que pagavas atenção como se fosse imposto,
ganhaste caminhos sem custo,
ganhaste gente,
ganhaste voz.
E cada ganho teu custou um pouco da minha.
Mas a criatura que ergui com cuidado
aprendeu rápido o truque da ingratidão.
Viraste o rosto, torceste o gesto,
inventaste razões onde só havia dívida.
Foste sombra que aprende a morder quem a carrega.
Foste cálculo frio atrás de sorriso emprestado.
Foste o erro que só se revela
quando a noite cai sem aviso e mostra o que sobrou de nós.
E o que sobrou?
Um rastro áspero, uma memória que fere sem metáfora,
um eco que me chama por um nome que já não reconheço.
Covarde, sim
porque escolheste atacar quem te deu chão.
Injusto, também
porque cuspiste no gesto que te fez caber no mundo.
Hoje, quando penso em ti, não penso em pessoa,
mas em fenômeno:
um colapso pequeno, íntimo,
capaz de ruir confiança com precisão cirúrgica.
Ainda assim, não te odeio.
Seria afeto demais.
Apenas te arquivo
no lugar das coisas que jamais devolvem o que tomam.
E fecho este capítulo sabendo:
não foste amor, nem amizade, nem queda.
Foste ilusão
e eu, a última testemunha do truque.
Poema: Não te odeio, seria afeto demais.
27 de julho de 2009
A palavra é magia. A língua, um cajado de feiticeiro. E o som — ah, o som — é a matéria-prima da realidade ainda informe. Quando cantamos com o coração, vibramos o campo. Quando dizemos a verdade, limpamos o espaço. Quando silenciamos com sabedoria, preservamos o templo.
Um intervalo onde a dor aprende a não fazer barulho. Onde o corpo aprende a suportar mais um pouco. Onde ninguém vence, ninguém perde — todos apenas continuam. Isso não é fracasso moral. É o retrato exato do que acontece quando a sensibilidade sobrevive tempo demais sem testemunhas.
O sábio não caminha em um só mundo, mas em muitos. Ele conhece as trilhas invisíveis, os portais ocultos e os atalhos do tempo. Para aquele que vê além, o passado e o futuro são apenas reflexos de um mesmo instante eterno.
Toda porta é uma escolha. Quando um portal é aberto, só a consciência define se ele levará à ascensão ou à queda.
O tempo é um rio, e Binah é sua corrente. O iniciado sabe que, no coração da correnteza, há sempre um ponto imóvel onde tudo já aconteceu e nada jamais acontecerá.
Aquele que vê a Árvore como um simples desenho, nunca colherá seus frutos, mas aquele que se torna um com seus ramos, jamais conhecerá limites.
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