Amizade Nao se Cobra
A garganta da alma
Deus,
Não Te escrevo com mãos erguidas, te escrevo com o peito no chão, minha alma não sussurra ("quando irei descansar"?).
E ela grita, grita num lugar onde respostas não chegam, onde o silêncio parece mais rápido que a Tua voz.
Silêncio que não conseguem calar os barulhos da tempestade que a em mim
E me vejo que caminhando contigo não tem sido abrigo, pois as vozes da diversidade ecoam mais alto que sua voz, e por longos dias as portas do céu estão sendo de bronze e vendo que o horizonte nunca converge e cada passo parece confirmar que eu estou fora de rota.
Não é que não seja grata, eu só estou ferida, feridas essas que pessoas fizeram
Há uma diferença brutal entre fé e permanência forçada, e me perdoa, mas eu não tenho mais forças para prosseguir e quero insistentemente desistir.
Existe em mim uma dor que não encontra nome, um desespero que não se sacia com oração repetida, orações onde parece que não são ouvidas, lidas por Ti, vivo em uma espera que não amadurece, e apenas me cansa.
O peso de uma promessa e o preço da espera que para obter eu tenho que renunciar a tudo o que gosto e somente por AMOR.
É como ter sede diante de um poço cheio de água que não precisa baixar o balde para pegar
É como um banquete oferecido depois de dias sem comer, tudo isso como se estivesse em um deserto ( onde vira miragem em meus olhos)
Eu me vejo tentando justificar a minha ausência, ausência essa sabendo que sou falha e fica comparando feridas, diminuindo o que sinto como se a dor precisasse de permissão para existir. Querendo muitas vezes que existisse um botão de emoções pra desligar tudo.
Diz-me, Deus:
por que o Teu caminho, que promete paz, e exige que eu caminhe em estado de ruptura constante? Por que tudo em mim precisa sangrar por dentro antes de merecer descanso?
Minha alma está em colapso por causa de um silêncio ensurdecedor
E não explode — afunda.
E o pior afogamento é aquele
em que ninguém vê água.
Me lembro que andou sob as águas, será que nesse mar de águas salgadas ( sem água ) pode me resgatar?
Não sei mais se perseverar é virtude ou apenas medo de admitir que estou exausta demais para continuar fingindo força
Se Te seguir é isso — esse nó permanente no peito, essa divergência entre promessa e realidade — então me explica por que minha alma não encontra repouso nem mesmo quando pronuncia Teu nome.
Eu não estou desistindo em voz alta
Já cair de joelhos e gritei, era só isso o que conseguia dizer.
Deus? E se alguém ler esta carta?
Será que vai ler como um grito que também está saindo da alma ? Porque não quero que leiam como uma teologia.
Que leia como se fosse a própria ferida, que sinta o peso, que chore, que reconheça o grito que a alma deles não tem coragem de dizer em voz alta.
Amar não é se apagar.
Há troca.
Há caminho de ida e volta.
Há o que transborda.
Amor que não troca, cobra.
Amor que troca, cresce.
Sem CLT?
Sem holerite?
Sem caução?
Relaxa.
A marquise aceita todo mundo.
Não pede renda mínima.
Não discrimina.
E, ironicamente, é o único lugar realmente acessível da cidade.
São Paulo não expulsa pessoas.
Ela cobra até elas desistirem
Em algum ponto da vida, percebi que cheguei longe demais para não saber exatamente como cheguei até aqui.
Não te quero mais.
Não é fingimento, nem soberba.
É lucidez depois do cansaço.
Não te quero mais.
Não é lembrança, nem dor tardia.
É silêncio onde antes doía.
Não te quero mais.
Não é aparência, nem mentira ensaiada.
É a verdade cansada de se explicar.
Não quero mais é.
Ter a certeza de de liberdade.
Não quero mais é.
Sabe que estou bem.
Mesmo estando longe e só.
Não te quero mais.
Não é engano, nem jogo emocional.
É o fim do teatro onde eu sempre fui plateia.
Não quero mais verdades que não existem,
nem memórias que nunca viraram saudade.
Não quero a paz que não é amor,
nem o abraço que não carrega confiança.
Não te quero mais.
E, dessa vez,
é definitivo como quem se encontra
e não volta atrás.
Pela lei da correspondência, a vastidão do espaço revela a imensidão que ainda não ousamos explorar dentro de nós.
Quem pratica abandono e maus-tratos com os animais não merece respeito, será que a ignorância destes é tão grande, que não sabem que os mesmos sentem dor, frio, fome, etc.? Como qualquer ser humano, eles têm sentimentos.
No dia a dia, o nosso desafio ativo é não deixar pensamento virar palavra, sem passar pelo crivo da sabedoria.
A maior intimidade não é o corpo.
O corpo qualquer um alcança.
Intimidade é quando eu escuto
o que você nunca disse em voz alta.
Quando eu entendo teus silêncios
antes das tuas palavras.
É ficar.
Mesmo quando você se esconde.
É perceber teu medo disfarçado de riso,
tua força cansada de lutar sozinha,
e ainda assim… não ir embora.
A roupa cai fácil.
A máscara também.
Mas a alma…
só se entrega
a quem sustenta o peso dela.
E quando isso acontece,
não é barulho,
é presença.
Não é pressa,
é domínio tranquilo.
Isso não se encontra.
Se reconhece.
Melhor continuar sozinha ... Não adianta insistir em alguém que sempre arruma motivos para ficar distante, cansei de ser sempre a segunda opção.
Me mostrou, percebi, pedi desculpa, mas sigo sozinha. O pedido desculpas não resolve tudo, infelizmente
GRANDE VENTO
Oh grande vento!!! Que não se mede os lados, nem o comprimento... que és forte, mas fraco em algum momento... que é muito e às vezes encontramos poucos... pode ser frio como pode ser quente;
Oh grande vento!!! Que não espera por ninguém e é esperado por todos... que não depende de ninguém para viver e aos poucos está morrendo
Oh grande vento!!! Que seca roupas, lágrimas, barro e cimento, que traz a chuva, mas também a leva, que muda de direção sem errar os caminhos, que anda só, mas nunca sozinho;
Oh grande vento!!! Que é calmo feito o amor, mas como o ódio pode ser violento, que ensina a todos, mas poucos adquiri seus conhecimentos.... Que não tem cor nem sabor, mas em tudo te sentimos, em tudo te vemos;
Oh grande vento!!! Quando é ausente, vive procurado e quando chega às pessoas, vive se escondendo
Oh grande vento!!! Muitos não o entendem, eu já o compreendo... Oh grande vento implacável feito o tempo, mais forte que todos os sentimentos, conhece o dono do conhecimento, não para sequer um momento e é chamado de vento!
Oh grande vento!!! Mesmo que não espera, espere um momento, enquanto lhe respiro por fora, você me enche por dentro... sem você ninguém existiria e para mim é um sentimento
Oh grande vento!!! Chamado de alguns nomes, mas por nenhum eu atendo, como pode ser doce e salgado ao mesmo tempo?
Oh grande vento!!! Que sopra o fogo pelo ar... a água por um momento faz tempestade com areia e brinca com todos os elementos
Oh grande vento!!! Como que se mistura a tudo sem se misturar em nenhum momento? Oh grande vento... quem te explica de tudo já está sabendo, quem fala que o domina não sabe o que está dizendo... é hipocrisia dizer: cadê o vento?
Oh grande vento!!! Peço em oração para que leve todo tormento, que refrigere a alma para que possa dar seguimento, para que seja meu amigo até quando estiver morrendo
Oh grande vento!!! Não se compra, não se faz e alguns estão vendendo.... se tivesse olhos como se esconder de ti em algum momento?
Oh grande vento!!! Tudo está se acabando e sei que está vendo... é chamado de silêncio, mas grita alto enquanto estou escrevendo... se fosse surdo para quem estou lendo?
Muitos querem vários amigos, eu quero só mais um pouco de vento...
Oh grande vento, Oh grande vento... um dia andarei nas suas asas feito minhas palavras e será o meu mais feliz momento;
Oh grande vento!!! Amigo da vida, mas anda com a morte ao mesmo tempo....
Oh grande vento!!! Enquanto vou falando, você vai batendo
Oh grande vento... Oh grande vento... espere só mais um momento.... Oh grande vento!
17 anos.
Ah… meus 17 anos.
Foi ali que algo em mim despertou. Não como um grito, mas como um sussurro insistente dizendo quem eu era — e, com ainda mais clareza, quem eu jamais seria.
O mundo parecia pequeno e infinito ao mesmo tempo. A escola seguia seu ritmo previsível, enquanto eu me perdia em risadas altas com amigas insanas, em novos rumos improvisados, em horizontes que surgiam sem pedir licença.
Fugíamos para a Floresta da Tijuca como quem foge do destino traçado, inventávamos aventuras dentro de ônibus em movimento e dividíamos lanches simples, sempre banhados em Natasha com limão, como se aquilo fosse um ritual secreto da juventude.
Meu primeiro emprego veio com cheiro de essência. Numa fábrica de sabonetes artesanais, meus dias eram feitos de lauril, flores esmagadas, ervas secas e mãos úmidas de criação.
Eu já carregava a natureza entranhada na alma, mas ali ela me atravessou de vez. Quis saber os nomes das plantas, seus segredos, suas curas invisíveis. Algo em mim se abriu. Meu lado espiritual floresceu sem pedir permissão, e mergulhei inteira em uma tenda espírita, como quem retorna a uma casa esquecida.
Dois anos passaram como um rito de passagem. Foram anos de aprendizado, de quedas e renascimentos silenciosos. Crescia em mim uma urgência quase dolorida de viver segundo meus próprios ideais — ideais que batiam de frente com o mundo que me havia sido dado.
Minha mãe vivia uma vida de Amélia: mãos ocupadas, coração devoto, fé firme em Nossa Senhora… em todas elas. Cuidava da casa, das filhas, do marido, como quem se anula por amor e tradição.
Meu pai era feito de samba e ausência. Sambista nato, mulherengo incurável, espalhava traições como quem espalha confetes pelas madrugadas, uma mulher diferente a cada roda de samba.
E eu… eu não cabia naquele cenário.
Minha alma era livre demais, sonhadora demais, inquieta demais para suportar aquele cotidiano repetido. Eu precisava de direção, mas não de limites.
Precisava de caminho, mas não de cercas. Ainda não sabia o que queria ser, porque eu não queria ser apenas uma coisa.
Eu queria o mundo inteiro.
Eu queria tudo.
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