Amar um Inutil
DOR SOCIAL
(um poema solidário)
Demétrio Sena - Magé
Não entendo essa gente que bajula,
porque tem que ficar do "melhor lado",
coagula o carinho, a identidade,
por agrado a quem dá maior status...
Cuja escolha faz contas, avalia
os perigos do ético e do justo;
da real amizade, a promissória
ou o custo por não se tabelar...
Beija pés de patrão contra o colega,
se desvia do amigo por prestígio;
menospreza os afetos por "imagem"...
Vim aqui te abraçar, correr os riscos
desses fiscos cobrados ao redor,
nessa dor social que te sufoca...
... ... ...
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FANATISMOS
Demétrio Sena - Magé
Um ateu, agnóstico ou cético fanático (que impõe sua linha de raciocínio ao outro, geralmente aos gritos - porque todo argumento fanático é frágil) não é melhor do que um religioso de qualquer segmento, igualmente fanático. Ambos os lados são falastrões e repressores. Um obriga os seus a não acreditar em nada na direção oposta e o outro a acreditar em tudo na sua "cartilha" ou direção, sem nenhum questionamento; nenhum raciocínio independente acerca do que lhe é apresentado.
Sou o tipo de ateu que não determinou a não existência de Deus. Não acredito no Deus (ou nos deuses) que as religiões me apresentam, mas não arrogo saber nem provar o contrário. Não tenho tese definitiva, corporativa nem isolada. Não transformei meu ateísmo em um segmento e não frequento grupos de ateus. Minha não fé no sobrenatural é de cunho particular e intransferível. Jamais preguei. Conheço ateus que, se conseguissem, entrariam nos ônibus, por exemplo, para pregar aos gritos o ateísmo, com ofensas a quem não é ateu. Exatamente como fazem os evangélicos mais ostentadores, que se impõem com gritos e ofensas a quem não é evangélico.
Questões de fé e não fé não estão assentadas sobre provas absolutas e palpáveis. São baseadas em teses, bem fundamentadas ou não, porém teses, ou na aceitação pessoal plena do que não vê, mas crê. E crê que sente, pautado por escrituras supostamente sagradas com as quais se emociona, mediante pregações ou esplanações especializadas em tocar nas feridas... nos pontos fracos... nas emoções à flor da pele, que fragilizam profundamente a alma. De ambos os lados, não há como rotular alguém de imbecil. Ninguém prova em sã consciência, com a frieza natural de quem domina o saber, que Deus existe ou não.
Quando critico o fanatismo religioso, não é a religião. É o fanatismo. E faço isso nos meus espaços legítimos de fala (meus livros, meus perfis em redes socias, meu blog), para que só leia quem se habilite a entrar nesses espaços. Quem convive comigo no dia a dia familiar, no trabalho e outros ambientes de convivência física não sofre nenhuma crítica minha; nenhuma ofensa ou forma de repressão, retaliação, ironia, indireta... seja o que for. Nesses meios coletivos, domésticos ou não, trato a todos com o respeito que exijo.
Em meu núcleo familiar, existe uma diversidade maravilhosa: Sou ateu, minha esposa é católica, minha filha mais velha pende para o espiritismo, mas, quando criança, foi batizada na igreja católica, por decisão de minha esposa. Na sua adolescência, quis fazer crisma e a levei a todos os processos. Minha filha mais nova, também quando criança, quis frequentar igreja evangélica e, da mesma forma, quem a levava era eu. Sem crise.
Hoje, cada filha segue o que deseja. Ambas não mais frequentam grupos religiosos. Não "se converteram" ao meu ateísmo, mas têm algumas visões parecidas com as minhas, mesmo eu nunca tendo "catequizado" nenhuma delas. Repressão não combina com opinião formada e tranquilidade sobre a visão pessoal de tudo. Imposição no grito é insegurança. Não creio no Natal, mas minha casa é enfeitada na ocasião, por esposa e filhas. Elas são indivíduos. Têm seus direitos individuais.
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SEM RESSENTIMENTO
Demétrio Sena - Magé
Constatei numa ida que não trouxe vinda,
em um tímido aceno pra te resgatar,
que não vais dar um passo pra fora do andor
nem calar a razão que sempre tens que ter...
Esse meio caminho que perfiz pra ti
não te fez repensar e perfazer teu meio;
consenti ao meu peito relevar a mágoa
ou achar esse freio da fuga sem fim...
Afiaste a vingança contra o que fizeste,
porque tens que fingir que na verdade fiz
e lançar uma peste na minha Sodoma...
Mas no fim me fez bem dar o braço a torcer,
ao vencer o meu brio e sentir a leveza
pra voar sem correntes de ressentimentos...
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BRASIL SÉCULO XXI
- Perdeu! Perdeu! Mãos na cabeça! Isto é um DEUS, PÁTRIA E FAMÍLIA!
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QUALQUER POESIA
Demétrio Sena - Magé
Escrever um poema nos faz desguar
um riacho rebelde, uma foz inquieta,
no mistério profundo, insondável do mar
que parece viver pra servir ao poeta...
Ou lançar no infinito essa mágica seta
(que o silêncio conduz numa esteira de ar),
sem um alvo preciso pra chamar de meta
quem apenas fomenta seu dom de voar...
Mesmo assim, um poema nunca soa inútil;
pode até parecer desantenado e fútil,
entretanto algum verso vai ferir alguém...
Social ou político (tantos de amor),
com enlevo, ironia ou com senso de humor
tocará muitas vidas a força que tem...
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ALÉM DOS OLHOS
Demétrio Sena - Magé
Era gago na fala e fluente nos olhos;
tinha sempre um discurso de afeto ocular;
escrevia sem pontos, coesão, acentos,
mas errar com pessoas não era o seu texto...
Lia mal; porém lia o caráter de gentes;
sempre foi um leitor impecável da vida;
tinha dentes escuros e o sorriso franco
de pressoa da qual não havia suspeita...
Foi alguém bem além do letreiro da faixa;
era fora da caixa; da bolha; do ringue;
seu swing nos meios foi solto e sem notas...
Teve tanta elegância, saber tão profundo,
que ninguém neste mundo lhe causou inveja;
ele ria, por dentro, de quem ria dele...
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PROPRIAMENTE
Demétrio Sena - Magé
Eis um aviso próprio de um ex-proprietário que não se apropriou de modo apropriado, da própria propriedade: Aproprie-se, apropriadamente, da propriedade da qual você é o proprietário. Digo, propriamente com toda a propriedade, que: qualquer propriedade da qual o seu proprietário, apropriadamente, não se apropria, pode ser, também bem apropriadamente, desapropriada.
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DIGNIDADE PESSOAL
Demétrio Sena - Magé
Olhe; não tenha medo de se misturar com um amigo, por causa de um patrão, ex-patrão ou qualquer pessoa que você bajule por posição social - real ou fictícia -, que não goste desse seu amigo. Pense que, a pessoa que você bajula não tem medo de ser vista com você e com qualquer outra pessoa que você ame ou deteste, pois sabe que não perderá sua bajulação por nada nem por ninguém deste mundo. Além de ser uma questão de afeto e de sinceridade, é também uma questão de foro intimo e de um dedinho de dignidade pessoal. Pense nisso.
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VERSOS ANTI-CURRAL
Demétrio Sena - Magé
Um governo está sempre devendo ao país;
não entendo quem ache que tudo está bom;
só um povo infeliz enaltece a quem paga,
sem sentir os efeitos de pagar impostos...
Multidões sempre sofrem com desigualdades;
há governos melhores por comparação,
mas nenhuma nação é feliz por completo
nem há povo que tenha por que festejar...
Os heróis que aclamamos debocham de nós;
temos voz emprestada pra brincar de gente
nessas frentes de lutas por cidadania...
Nosso voto recente nos livrou dos bichos
que roíam direitos e cavavam caos;
mas louvar menos maus não nos dignifica...
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CACTO E CAQUI
Demétrio Sena - Magé
O caqui que caiu cá no cacto,
fez um pacto tático com ele;
que caiu, porque cair caiu bem,
pois intacto, alguém o comeria...
No impacto prático, o caqui,
diz que aqui só caqui é consumido,
porque coco, sumido do consumo,
não é rei da cocada, já faz tempo...
E o cacto, amigo do caqui,
fez do pacto e sua ruptura
com crítica e sólida solidão...
Pacto do impacto compacto,
é que cacto e caqui castigarão
quem comer o caqui que aqui está...
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GADO POVINO
Demétrio Sena - Magé
Há um povo tão povo, no pior sentido,
que defende seus lobos e persiste ovelha;
tem a velha doença de fugir da cura
para males e vícios de suas veredas...
É um povo tão povo, na pior versão,
sem a dignidade que não sabe ter,
pois o seu coração já se rendeu às dores
de não ver o que olha; como todo gado...
Elogia os que tiram suas lãs e peles,
põe os lombos à mostra para chibatadas,
dá risadas nervosas e louva seus donos...
Esse povo tão povo definhou em pé,
é rebanho empalhado que parece vivo,
sua fé virou cinza de apagar futuros...
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HERÓI BANDOLEIRO
Demétrio Sena - Magé
Há um chão, mas não sinto sob o pé,
tenho ar e meus brônquios não aspiram;
nem há fé, mesmo havendo no que ter;
os instintos conspiram contra mim...
Eis o mundo, entretanto, caos e treva,
tanta vida e nenhuma em meu olhar,
porque neva em minh'alma solitária
sobre o mar onde o nada faz a onda...
Não há dor nem há gozo, e isso dói;
sou herói bandoleiro em debandada
na vertigem da própria solidão...
Levo sonhos, mas neles, pesadelos;
meus novelos tricotam mil novelas
entre as telas da minha realidade...
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VELHA ESSÊNCIA
Demétrio Sena - Magé
Se as coisas não são as mesmas coisas,
um afeto não tem o mesmo afeto,
há um teto pra gestos e palavras
que fluíam sem medos e cuidados...
Onde os olhos deixaram de ser francos,
não há risos abertos entre os lábios,
muitos flancos expõem como é frágil
tudo quanto foi denso, fundo e forte...
Nesse tempo em que o laço for tão frouxo
que uma brisa consiga desfazer,
sei que todo prazer se perderá...
Porque tudo se torna sem sentido,
quando nada mantém a velha essência;
somos caso perdido desde sempre...
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MENTIRAS SOCIAIS
Demétrio Sena - Magé
Há um eu pequenino no meu eu,
que se cala; que apenas observa;
sou a erva serena sobre o chão
do qual vejo florestas de vazios...
O meu eu pequenino pra minh'alma
vê desfiles de músculos, motores,
vê o trauma da própria humanidade
se vestir de mentiras sociais...
Meu silêncio pro mundo tem a vida
numa bolha da qual consigo ver
a ferida que vai em cada peito...
Tem um eu pequenino em cada eu;
sei do eu do meu eu acomodado
onde sempre doeu estar no mundo...
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CONSTRUINDO LEMBRANÇAS
Demétrio Sena - Magé
Hoje eu disse a um aluno, que ele não "pisaria" mais na biblioteca. Tenho utilizado a biblioteca de "minha escola" como endereço de meus estudos para projetos culturais locais. E como forma de compensação pela minha ociosidade parcial como arte-educador, recebo os alunos tanto da rede estadual - da qual sou funcionário - quanto da rede municipal, que por ora ocupa o segundo piso do prédio.
Quando o aluno saiu, depois de ouvir de mim, palavras duras pelo que aprontara no ambiente (xingou uma colega, me disse desaforos, fez ameaças veladas e vinha aprontando outras, fazia tempo), meu coração ficou apertado. Eu expus aquele jovem perante os outros alunos e acenei para ele com uma promessa de exclusão. Logo eu, que tive uma adolescência e uma juventude marcadas pela exclusão e pela exposição pessoal que muitos me impuseram. Principalmente, logo eu, que "aprontei" muito mais do que aquele jovem, por quase metade da minha vida.
Não tive sossego, enquanto não chamei o aluno para conversar com calma. Para reconhecer que agi como acho que muitos têm agido com ele em casa e nas ruas. Dizer que não o excluiria; que a exclusão é algo terrivel. Que ele podia, sim, e poderia, mesmo que eu não quisesse, continuar frequentando a biblioteca. Só lhe pedi (não ordenei, realmente pedi) que tentasse agir com pouco mais de bons modos. Permito as conversas, disponibilizo jogos de mesa e deixo até que fiquem à toa, cochilando no ambiente, mas acho importante o respeito pelos colegas e por mim.
Olhando bem para ele, vi um sorriso iluminiar seus olhos de jovem marcado por conflitos familiares... traumas e problemas comuns às famílias onde além do básico para sobreviver, faltam amor, presença, compreensão. Meu dia teve momentos de choro secreto, recordações pessoais amargas e a certeza de que, por pouco, não passei a fazer parte das futuras lembranças traumáticas daquele jovem.
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FICÇÕES BASEADAS EM FATOS
Demétrio Sena - Magé
Ao assistir a mais um daqueles filmes de super vilões que se tornam intergaláticos, dominam planetas e apavoram a raça humana com destruição em massa, para depois dominá-la, repeti meu chichê: 'Esse filme é baseado em fatos' (preciso dizer reais?). Quem assistia comigo riu, como se fosse brincadeira. Minha fala pareceu ainda mais absurda, porque nesse filme o vilão transformava humanos em robôs infinitamente mais fortes, dominados por ele, para derrrotarem os resistentes; os heróis.
Pensem nos líderes mundiais que sempre tentam dominar o mundo pela força... nos genocídios de países que atacam outros países e violam todas as regras que regem as guerras... guerras que já são um absurdo. E pensem até nas figuras deploráveis que vão à procura de governantes externos para conspirarem contra os próprios paises, na produção do caos... da fome... do desespero, na intenção de futuramente se apossarem de seus países e pagarem pelos "favores", entregando as riquezas naturais, as tecnologias e a própria soberania, em razão da dependência.
O mundo tem, realmente, super vilões capazes de cometer grandes atrocidades... como tem os vilões rasteiros e medíocres, dos quais falamos agorinha, capazes das piores atrocidades, auxiliados pelos super vilões, em negociatas escusas. Sobre os possíveis exageros (possíveis, porque hoje temos muitas tecnologias usadas principalmente para o mal, que no passado foram ficção), continuo a dizer que são baseados em fatos. Trata-se de filmes que, neste aspecto, são baseados no que o ser humano será capaz de fazer... quando for plenamente capaz de fazer.
Sobre os heróis? Não. Não há heróis. Os que se apresentam como tais, são vilões sonsos. Há resistências humanas, de líderes e liderados conscientes de seus limites e com códigos de justiça, ética e humanidade. Esses, o tempo e a verdade podem tornar bem sucedidos, de forma lenta e gradual, com muitas desvantagens no caminho. A vantagem típica dos vilões está no fato de eles serem capazes de tudo; qualquer atrocidade ou golpe baixo para conseguirem sucesso em seus projetos pessoais.
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Um verdadeiro tradutor não deve usar a tradução como profissão de fé, senão a fé como profissão, onde a própria alma consegue sentir e expressar a cultura do traduzido. Toda tradução, por melhor que seja, é falha e tem data de validade (salvo a Bíblia que foi o único livro que atravessou séculos intacta), sabendo que hoje não se fala da mesma maneira que se falava a algum tempo atrás, um leitor da atualidade seria, talvez, incapaz de desvendar um livro afetado pelo tempo. Tudo isso é maior que um processo linguístico, quando se traduz um texto, se traduz a cultura e os contextos, não somente a linguagem.
Há dias em que caminho um pouco perdido, olho para o vago, me perco um pouco no vazio, fico um pouco sem rumo. Então, eu olho para mim mesmo e vejo o quanto a vida conspira a meu favor, o quanto sou cercado de pessoas iluminadas, o quanto sou feliz com tudo que tenho. Aí reencontro meu caminho e você faz parte dele, que sorte a minha!
Aos pais que não podem pagar um professor, nem escola particular ao filho. Comprem livros, muitos livros, ensine a criança a ter gosto pela leitura. Não deixem que a criança se afunda na ignorância, esse é o caminho mais triste e difícil. Pode ser que ele não terá um excelente trabalho, nem será tão bem sucedido no futuro, mas certamente terá decência, e poderão agradecer um dia pelo investimento daqueles que acreditaram que ele não seria mais um cidadão medíocre deixando a vida simplesmente passar.
A gente passa por um Adestramento Social,pela educação,pela cultura,pela publicidade,...Começa nas crianças,você mete uma criança na escola ela já vai ser enquadrada,não pode ter alegria enquanto aprende,por quê?.Adulto não pode ter alegria enquanto trabalha.Você vai deixar para viver nas horas vagas...Não vale a pena você fazer o que não gosta por dinheiro,porquê com o tempo você se adoece,vai precisar do dinheiro pra se tratar.A gente não precisa de muita coisa,a gente precisa de "satisfação de viver".A adolescência é "problemática" porquê a pessoa tem a intuição da criança e tá recebendo a pressão do enquadramento pra ser adulto...Você abre mão da sua individualidade,você abre mão do seu prazer,você abre mão de si pra poder satisfazer o Mundo.
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