Amar um Inutil
Ei calma, é só mais um daqueles ventos fortes que parecem querer levar embora tudo de bom que você tem. É só mais um daqueles ventos fortes que te deixam com um pouco de medo. É só mais um daqueles ventos fortes que parecem nunca cessarem. É só mais um daqueles ventos fortes que levam o que precisam levar, e deixam com você o que precisam deixar. É só mais um daqueles ventos fortes que vêm pra te fazer perceber o quanto és forte e consegue permanecer de pé mesmo que esses ventos te deixem de pernas bambas. É só mais um daqueles ventos que te balançam, e vão embora.
Casa vazia. Silenciosa. Ninguém dentro dela, à não ser eu. Um livro na mesa, e uma xícara de café quente na mão. Frio que fazer arrepiar. Você na minha cabeça. Inspiração batendo na porta. Vontade louca de escrever tudo que sinto. Vontade louca de alguma coisa. Vontade louca de ter que você aqui pra tomar café quente comigo, e assistir um filme enrolados num cobertor grosso.
O amor que é livre e feliz no pensamento, na alma sem dor e sofrimento,é um amor que sorri por amor somente...
Sinto por ti uma ansiedade incógnita,um voo gaivota, uma chama trêmula,um arrepio na pele,o amor..?
Não sei...
Mas o desejo...
DESCRIÇÃO
O salto deixa o chão delicadamente
E volta a tocá-lo
Como um cetim caindo sobre a pele
O chão ganha desenhos imaginários
De círculos imperfeitos
Mas que ficam em harmonia
Com os outros muitos
Que há pouco foram desenhados
Segundo as regras dadas pelo ar
Ar pesado de ritmo.
Círculos perfeitos roubam a cena,
A atenção e tudo mais
Olhos atentos aos olhos alheios
-Nossa primeira dança-
JAVALI
Como quem lamenta muito ela me disse e eu imediatamente questionei:
- Um javali? Por que justo um javali?
Ela não tinha uma resposta, simplesmente deu de ombros e suspirou. Com tantos bichos no mundo ela queria justamente um javali?! Não fazia sentido algum para mim:
- Por que não um gato felpudo ou um cachorrinho pidão? Um coelho branquinho ou ainda uma chinchila?!
Ela jogou-me um silêncio que ecoou pela sala. Pensei que poderia dar-lhe mais opções:
- Tem gente que cria iguanas ou miquinhos. Já vi até cobra e aranha tratados a pão-de-ló!
Ela olhou-me fixamente:
- A escolha já está feita!
Eu dirigia e ela indicava o caminho. Faria a sua vontade, mas não teria como entender a estranha preferência. Pensava nos possíveis motivos... nada parecia razoável! Quem sabe não estava em busca de algum animal mais selvagem? Um tigre não seria melhor, nesse caso? Pelo menos seria extremante belo e com porte de felino, ao contrário de um porco desengonçado e peludo! Ela olhava através da janela ansiosa pela chegada, estava deveras decidida, mas eu ainda via um lamento naquele olhar:
- Tudo bem, nós vamos buscá-lo, eu respeito a sua decisão. Não precisa ficar assim...
- Você não entende... Eu quero muito esse javali, mas ele não me quer!
Pulou do carro nesse instante quase junto com a parada dos pneus! O lugar era aberto, um grande pasto. Ela andou devagar se aproximando de uma touceira e logo apareceram dois pequenos olhos no meio da vegetação. Eu não precisava de mais nada! Estava claro feito o sol... Cinco segundos olhando nos olhos do animal para entender o que ela sentia. Duas horas inteiras para concluir que eu também não saberia explicar!
Antes que se pudesse pensar, o javali sumiu por entre as árvores que rodeavam o pasto.
A FALTA
Um vazio de palavras que não suporto! Os sentimentos por vezes são tantos que os pensamentos não acompanham de modo algum. Correm, mas não chegam! Indecifráveis verdades rondam meus dias... e as noites são absolutamente mudas. Dê-me ao menos notas ou sorrisos e lágrimas! Grite, mas esteja! Desvende meus olhos, oras! Mas, faça-me o favor: explique-me... se as palavras sumiram no exato momento da sua ausência, não acha que em algum bolso seu elas devem estar? Como então devo falar-te da falta que me faz se tudo o que me resta são letras esparsas? Complicado te encontrar... mais complicado ainda te deixar.
Tinham cinco estrelas perto do chão, cada uma com um brilho diferente e o céu contemplava a luz que subia intensa!
Eu não vivo de poesia, vivo na poesia... dentro de um poema louco, com pitadas de poetas e poetisas... temperado com a eventual falta de censura de Bilac, o magnetismo de Fernando Pessoa, o abstrato de Drummond, as borboletas de Quintana, o amor de Vinícius de Moraes, a verdade invasiva de Martha Medeiros, as canções de Lya Luft, as contradições de Clarice Lispector, juntos todos e misturados, num roteiro de filme de Almodovar...
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