Amanha Sera um Lindo dia

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"A inteligência de um indivíduo é avaliada pela quantidade de incertezas que ele é capaz de suportar."
_Immanuel Kant⁠

⁠Quem
não me lê
enquanto estou quente, pode até me julgar um louco.


Há Pensamentos que só podem ser compreendidos no instante em que atravessam nossa alma.


Depois que esfriam, parecem exagerados, desproporcionais, quase estranhos ao próprio sujeito que os pensou.


É que a Razão, quando chega depois da tempestade, costuma encontrar apenas os destroços — e muito raramente consegue reconstruir o céu que existia antes.


Quem me lê apenas depois, talvez encontre palavras duras demais onde antes havia urgência; contradições onde havia conflito; intensidade onde havia ferida.


Pode até concluir que enlouqueci.


Mas talvez eu apenas estivesse vivendo, naquele instante, aquilo que agora parece absurdo porque já não queima.


Existe uma injustiça em julgar o incêndio pela fotografia das cinzas.


A fotografia registra apenas o que restou, mas não explica o fogo.


Somos frequentemente avaliados pela versão fria de nós mesmos.


Esperam que sejamos ponderados enquanto sentimos, silenciosos enquanto doemos, razoáveis enquanto tudo dentro de nós pede passagem.


Como se a lucidez exigisse ausência de paixão.


Como se pensar fosse incompatível com sentir profundamente.


Mas há uma lucidez que só aparece no calor.


Não aquela que grita para ter razão, mas aquela que se recusa a fingir indiferença.


Aquela que, mesmo desorganizada pela emoção, tenta dizer o que não conseguiria dizer em estado de completa anestesia.


Talvez por isso algumas pessoas pareçam loucas quando estão quentes e sábias quando estão frias.


Não porque tenham mudado completamente, mas porque o tempo alterou a temperatura daquilo que sentiam.


E talvez seja justamente aí que devêssemos ter mais cuidado.


Antes de julgar alguém pelo que disse no calor do momento, talvez fosse necessário perguntar: o que estava queimando para que essas palavras precisassem existir?


Porque nem toda explosão de pensamentos nasce da loucura.


Às vezes, é apenas uma verdade que ficou tempo demais abafada.

⁠Felizes são os casais que, ao perderem o sono, encontram a graça de poder tocar a alma um do outro.


Porque há noites em que o corpo pede descanso, mas o coração pede presença.


E, quando duas pessoas se amam de verdade, até a insônia pode se transformar em um daqueles raros momentos em que o silêncio deixa de ser vazio e passa a ser companhia.


É bonito quando, em vez de cada um se virar para o seu lado, existe um olhar que pergunta sem palavras: “Quer conversar?”.


E então surgem confidências, lembranças, medos, planos e sonhos que talvez o barulho do dia nunca tivesse permitido revelar.


Tocar a alma de alguém não exige grandes gestos.


Às vezes, é apenas ouvir sem pressa, acolher sem julgamento, fazer carinho enquanto o outro fala ou permanecer em silêncio, mas deixando claro: “Eu estou aqui”.


No amor, talvez uma das maiores intimidades seja essa: conhecer o que existe por trás dos sorrisos, das certezas e das aparências, e ainda assim escolher permanecer.


Porque dividir uma cama é muito fácil.


Difícil — e até extraordinário — é dividir a vida, os pensamentos, as fragilidades e os silêncios.


E, quando a madrugada chega, o sono vai embora e duas almas permanecem acordadas uma para a outra; talvez não seja uma noite perdida.


Talvez seja a vida lembrando que existem encontros que valem mais do que qualquer hora de sono.

⁠Só uma mente muito educada é capaz de compreender um pensamento diferente do seu sem precisar aceitá-lo ou demonizá-lo.


Vivemos tempos em que discordar parece ter se tornado uma ofensa pessoal.


Muitas vezes, já não ouvimos para compreender; ouvimos apenas para encontrar uma brecha que nos permita responder.


Confundimos diálogo com disputa e opinião com verdade absoluta.


Compreender um pensamento diferente não significa abandonar nossas convicções, tampouco concordar com aquilo que pensamos ser errado.


Significa reconhecer que o outro também possui uma história, experiências, referências e razões que o conduziram até determinada maneira de enxergar o mundo.


Há uma grande diferença entre dizer “eu penso diferente” e afirmar “você não pode pensar assim”.


A primeira frase revela consciência; a segunda, frequentemente, revela apenas a dificuldade de conviver com a diversidade de ideias.


Uma mente verdadeiramente madura não precisa transformar toda conversa em uma batalha.


Ela consegue escutar sem se sentir ameaçada, questionar sem humilhar e discordar sem desrespeitar.


Sabe que mudar de opinião quando encontra novos argumentos não é sinal de fraqueza, assim como permanecer firme diante de argumentos contrários não precisa ser sinônimo de arrogância.


Talvez a verdadeira inteligência não esteja em convencer todos a pensar como nós, mas em desenvolver a capacidade de transitar por pensamentos diferentes sem perder a própria identidade.


Afinal, uma sociedade em que todos pensam exatamente da mesma maneira pode até parecer harmoniosa, mas dificilmente será uma sociedade livre.


Pensar diferente é um direito.


Ouvir o diferente é maturidade.


Compreendê-lo é educação.


E respeitá-lo, mesmo sem aceitá-lo, talvez seja uma das mais belas formas de inteligência.

⁠Só há um jeito de escapar do abraço apertado da Solidão: aprendendo a abraçar a Solitude bem apertado.


Há uma diferença muito silenciosa entre estar só e sentir-se sozinho.


A Solidão pesa porque parece abandono; a Solitude, ao contrário, pode ser escolha, refúgio e encontro.


Uma nos faz procurar desesperadamente alguém para preencher o vazio; a outra nos ensina que nem todo vazio precisa ser preenchido — alguns precisam apenas ser compreendidos.


A Solidão costuma nos convencer de que precisamos de presença para nos sentirmos inteiros.


Faz barulho dentro da cabeça, cria ausências onde talvez existam apenas distâncias e transforma o silêncio em prova de que fomos esquecidos.


A Solitude, porém, nos convida a permanecer.


A sentar conosco mesmos, sem a obrigação de fugir, distrair ou procurar imediatamente outra voz para calar a nossa.


Aprender a estar só é descobrir que a própria companhia também pode ser um abrigo.


É tomar um café sem precisar fotografá-lo para alguém.


É caminhar sem destino e perceber os próprios pensamentos.


É assistir ao pôr do sol sem sentir a urgência de compartilhá-lo.


É ouvir o silêncio e, pouco a pouco, perceber que ele não está vazio: está cheio de nós.


Talvez amadurecer seja justamente isso: deixar de exigir que o mundo esteja sempre cheio de pessoas para que a nossa vida faça sentido.


Porque há momentos em que precisamos de abraços, conversas, encontros e afetos — e não há nada de errado nisso.


Somos seres de vínculo.


Mas também precisamos aprender que ninguém consegue nos acompanhar em todos os lugares, em todas as horas e, principalmente, em todos os nossos silêncios.


Quem aprende a abraçar a Solitude deixa de aceitar qualquer companhia apenas para não ficar sozinho.


E essa talvez seja uma das maiores liberdades: descobrir que estar só não significa estar abandonado.


Às vezes, significa finalmente estar presente para si mesmo.


No fim, a Solitude não é a ausência do outro, mas a presença inteira de quem somos quando não precisamos representar nada para ninguém.


E, quando aprendemos a fazer dessa presença um lar, a solidão perde parte do seu poder.


Porque já não estamos esperando alguém chegar para nos salvar do silêncio.


Estamos aprendendo a morar nele.

⁠Brincar de ser Cristão também é um Direito — acreditar que o Encardido faça o mesmo é só outra Tolice.


Há quem vista a camisa da fé como se veste uma fantasia: para impressionar os outros, para parecer melhor do que é, para esconder contradições que, à luz de uma consciência honesta, seriam difíceis de sustentar.


Fala-se muito de Deus com a boca, mas nem sempre se permite que Ele alcance aquilo que realmente precisa ser transformado.


Ser Cristão, porém, nunca foi um concurso de aparências.


Não está nos gestos ensaiados, nas palavras decoradas, na quantidade de correntes e versículos publicados ou na facilidade com que alguém aponta o pecado alheio.


A Fé verdadeira costuma ser muito menos barulhenta e muito mais exigente: começa quando ninguém está olhando.


Porque é fácil parecer bondoso diante de uma plateia.


Difícil é ser misericordioso sem esperar a recompensa do aplauso.


É muito fácil defender a Verdade quando ela nos favorece.


Difícil é reconhecê-la quando nos confronta.


É fácil falar sobre perdão; difícil é abandonar o prazer mórbido de permanecer ressentido.


Talvez por isso exista tanta confusão entre professar uma fé e vivê-la.


O Discurso Religioso pode ser usado para esconder vaidades muito pouco religiosas.


O que não falta são pessoas se valendo do Santo Nome de Deus e da Igreja para se esconder, aparecer e se promover.


E há uma ironia quase sutil nisso: quanto mais alguém precisa provar aos outros que é Cristão, talvez menos tempo esteja encontrando para examinar o próprio coração.


Também não deixa de ser curioso esperar que o “encardido” respeite aquilo que nós mesmos transformamos quase sempre em espetáculo.


O mal não precisa necessariamente destruir uma crença; às vezes basta torná-la superficial, transformando convicção em aparência, espiritualidade em vaidade e religião em instrumento de julgamento.


No fim, a fé não deveria servir para nos colocar acima de ninguém, mas para nos lembrar de quem somos quando tiramos as máscaras.


O verdadeiro Cristianismo talvez comece justamente nesse ínterim desconfortável em que deixamos de representar e admitimos nossas próprias Misérias.


Porque brincar de ser Cristão pode até ser um Direito.


Mas viver como um — exige-nos muita coragem para deixar de brincar.


Despertai-vos!

⁠Ah, se por um Descuido a justiça brasileira ficasse cega, despretensiosa e desapaixonada!


Cega para os nomes, os cargos, as ideologias e os interesses que se escondem por trás das causas.


Despretensiosa, sem a necessidade de provar força, autoridade ou superioridade.


E desapaixonada, porque a justiça, quando se deixa seduzir pelas paixões, corre o risco de confundir convicção com verdade e vontade com direito.


Talvez, então, voltasse a enxergar aquilo que realmente importa: os fatos.


Porque justiça não deveria precisar de torcida.


Não deveria ter lado, aplauso ou vaia.


Não deveria ser celebrada quando alcança alguém de quem discordamos e questionada quando alcança alguém de quem gostamos.


Se o critério muda conforme o réu, o partido, a influência ou a conveniência, já não estamos diante da mesma justiça — estamos diante de interpretações moldadas pelas paixões humanas.


O problema não é a justiça ter poder.


Ele começa quando o poder se acostuma a não prestar contas a ninguém.


Uma sociedade madura não precisa de uma justiça que pense como ela.


Precisa de uma justiça capaz até de contrariá-la quando a lei assim exigir.


Precisa de magistrados que suportem a solidão de decidir contra a maioria, contra os amigos, contra os poderosos e, sobretudo, contra as próprias convicções pessoais.


Talvez a verdadeira cegueira não esteja nos olhos da justiça, mas na nossa incapacidade de enxergá-la sem as lentes da paixão.


Quando defendemos uma decisão apenas porque favorece o nosso lado, não estamos defendendo a justiça.


Estamos defendendo o resultado que desejávamos.


E quando condenamos uma injustiça somente porque foi cometida pelo adversário, mas silenciamos diante da mesma injustiça praticada pelos nossos, não estamos defendendo princípios.


Estamos apenas escolhendo conveniências.


No fim, talvez seja esse o maior desafio de qualquer democracia: aprender a desejar uma justiça que seja justa até quando nos contraria.


Porque a justiça que só parece justa quando vence o nosso lado não é justiça.


É torcida usando toga.

Com tantos Apaixonados disputando uma Eleição, só um eleitorado igualmente Apaixonado para suportar tanta confusão.


Talvez o maior espetáculo de uma eleição não esteja nos palanques, nos discursos inflamados ou nas promessas meticulosamente embaladas para conquistar votos.


Está quase sempre no modo como nós, eleitores, transformamos políticos em personagens de uma paixão quase pessoal.


De repente, discordar de um candidato passa a ser interpretado como ofensa a quem o apoia.


Questionar uma proposta parece traição.


Admitir um acerto do adversário soa como fraqueza.


E, assim, a política deixa de ser um espaço de ideias para se transformar em uma disputa de identidades, afetos e certezas fabricadas.


O problema é que paixão, quando ocupa o lugar da reflexão, nos faz enxergar apenas aquilo que confirma o nosso viés.


O candidato de nossa preferência ganha justificativas para seus erros; o adversário, condenações até para seus acertos.


E talvez seja justamente aí que esteja a maior confusão: não são apenas os candidatos que disputam uma eleição.


Nós também disputamos narrativas, brigamos por versões variadas da realidade e, muitas vezes, esquecemos que nenhum político merece de nós uma devoção que deveria ser reservada aos nossos próprios princípios.


Eleição não deveria exigir apaixonados.


Deveria exigir cidadãos atentos.


Porque políticos passam, mandatos terminam, partidos mudam e promessas se perdem no tempo.


O que permanece é a responsabilidade de cada eleitor pelas escolhas que faz — e, principalmente, pela capacidade de continuar pensando depois que a paixão termina.


No fim, talvez a pergunta mais importante não seja “de que lado você está?”, mas “o que você consegue enxergar quando deixa o seu lado de fora por alguns instantes?”


Talvez seja nesse ínterim entre a paixão e a reflexão que comece, de fato, a Liberdade de Escolher.

⁠Quem liga o som para a vizinhança inteira ouvir é só um qualquer um que pode votar em qualquer outro.


Parece apenas uma simples frase sobre barulho, mas talvez diga muito mais sobre nós do que gostaríamos de admitir.


Porque, no fundo, o problema nunca foi apenas o volume da música…


É a ideia de que o meu prazer pode ocupar o espaço do outro sem eu precisar perguntar se ele concorda.


Há quem aumente o volume do som porque pode.


Há quem fale mais alto porque acredita que sua voz merece prevalecer.


Há quem acelere no trânsito porque considera o tempo dos outros menos importante que o seu.


E há quem escolha seus representantes pelo mesmo impulso: não pelo que constroem, mas pelo que gritam.


A Democracia, curiosamente, coloca nas mãos desse mesmo “qualquer um” um poder enorme: o direito de escolher quem falará em nome de muitos.


E talvez seja justamente por isso que pequenas atitudes cotidianas deveriam nos fazer pensar.


Antes de exigir respeito dos que governam, seria razoável perguntar quanto respeito oferecemos a quem divide espaço conosco na rua, no prédio, no bairro e na cidade.


O voto acontece de tempos em tempos.


A convivência acontece todos os dias.


Talvez maturidade cidadã comece quando percebemos que liberdade não é fazer tudo aquilo que podemos fazer.


É compreender que, ao nosso lado, existem outras pessoas com os mesmos direitos, os mesmos incômodos e a mesma dignidade.


No fim, aquele que liga o som para a vizinhança inteira ouvir continua sendo apenas um qualquer um.


Mas é justamente esse qualquer um que, diante da urna, ajuda a decidir os rumos de todos.


E talvez a pergunta mais incômoda não seja em quem ele vai votar.


Seja que tipo de cidadão ele escolhe ser quando ninguém está contando os votos.

⁠Quem fura fila, sobretudo para votar, é só um qualquer um que pode votar em qualquer outro.


A frase parece muito dura, mas talvez seja justamente a dureza que nos faça pensar.


Porque furar uma fila não é apenas passar à frente de alguém.


É afirmar, silenciosamente, que o meu tempo vale mais que o do outro, que a minha urgência merece privilégio, que a regra pode ser relativizada quando me convém.


E, quando isso acontece justamente na hora de votar, a contradição se torna ainda maior.


O voto é um dos poucos momentos em que, pelo menos em princípio, todos deveriam estar em condições de igualdade.


Na fila, diferimos em histórias, opiniões, profissões e escolhas; diante da urna, cada cidadão deveria carregar o mesmo Peso Democrático.


Mas há quem queira igualdade no resultado e privilégio no caminho.


Talvez o problema não esteja apenas em quem fura a fila, mas na mentalidade que permite a alguém pensar que pode ou merece mais do que os outros.


É uma pequena transgressão que revela uma grande concepção de sociedade: a de que as regras existem só para os outros.


E é assim que a cidadania vai se desgastando.


Não necessariamente nos grandes escândalos, mas nos pequenos gestos cotidianos em que cada um decide que pode abrir uma exceção para si.


Quem não respeita a fila talvez não esteja escolhendo apenas quem vai governar o país.


Está também revelando, naquele instante, o tipo de país que considera aceitável construir.


Porque a Democracia não começa na urna.


Começa antes — na capacidade de esperar a sua vez, respeitar o outro e compreender que nenhum direito verdadeiro precisa nascer da humilhação ou do prejuízo de alguém.


No fim, votar em qualquer outro também é um direito.


Respeitar a fila é um dever…


E talvez uma sociedade mais justa comece justamente quando aprendemos a não confundir liberdade com licença para passar por cima dos outros.

⁠A Miséria Intelectual é uma das maiores e mais ignoradas Feridas Abertas de um povo que abraça Soluções Simplistas para quase tudo.


Talvez porque seja mais confortável acreditar em respostas prontas do que enfrentar a complexidade das perguntas.


Pensar dá muito trabalho…


Exige dúvida, leitura, comparação, disposição para rever certezas e, sobretudo, a Humildade Intelectual para admitir que podemos estar errados.


A Miséria Intelectual não se manifesta apenas na falta de conhecimento.


Ela aparece, principalmente, na recusa em conhecer.


Está no indivíduo que transforma opinião em verdade absoluta, no cidadão que compartilha antes de compreender, no discurso que reduz problemas históricos a culpados convenientes e na certeza de quem nunca se deu ao trabalho de investigar.


Vivemos tempos sombrios nos quais a velocidade da informação atropela frequentemente a profundidade do pensamento.


Opiniões são produzidas em segundos, indignações são distribuídas em massa e argumentos complexos são maldosa e propositalmente comprimidos em frases de efeito.


Quanto mais difícil é compreender determinado problema, maior parece ser a tentação de encontrar uma explicação simples — e, de preferência, alguém para culpar.


O problema é que sociedades não se transformam com slogans.


Desigualdade, educação, violência, corrupção, pobreza, desenvolvimento e justiça não cabem em respostas de uma simples linha.


Quando aceitamos Soluções Simplistas para problemas complexos, não estamos necessariamente resolvendo alguma coisa; muitas vezes estamos apenas tornando nossa ignorância mais confortável.


E talvez a Ferida mais profunda esteja justamente aí: não naquilo que não sabemos, mas naquilo que julgamos saber sem nunca termos investigado.


Uma sociedade Intelectualmente Saudável não é aquela em que todos pensam da mesma maneira.


É aquela em que as pessoas conseguem discordar sem transformar o outro em inimigo; conseguem mudar de opinião sem enxergar isso como derrota; conseguem ouvir argumentos contrários sem sentir que sua identidade está sendo atacada.


Pensar criticamente não significa desconfiar de tudo; isso é Ceticismo Apaixonado.


Significa aprender a perguntar: quem está dizendo isso?


Com quais evidências?


O que está sendo omitido?


Existe outra interpretação possível?


Talvez uma das principais formas de resistência aos tempos atuais seja justamente essa: recuperar o Direito de Pensar antes de reagir.


Porque, quando uma população abandona o esforço de compreender, qualquer narrativa bem embalada pode ocupar o lugar da realidade.


E, quando o pensamento crítico desaparece, a manipulação encontra terreno fértil.


No fim, a Pobreza Intelectual não empobrece apenas quem não sabe ou não quer saber.


Empobrece o Debate Público, deteriora as relações, fragiliza a Democracia e transforma problemas que exigiriam maturidade em disputas movidas por paixões, preconceitos e certezas fabricadas.


Por isso, talvez devêssemos falar menos sobre quem tem a resposta certa e mais sobre como chegamos às nossas respostas.


Porque uma sociedade que pensa pode até errar.


Mas uma sociedade que deixa de pensar corre o risco de aceitar qualquer erro — desde que ele venha acompanhado de uma “boa” explicação.

⁠Talvez um dos maiores riscos da Preguiça de Pensar seja nos apaixonarmos pelos que fingem fazê-lo.


Há algo perigosamente sedutor em quem fala com muita convicção sobre aquilo que não compreende.


A voz firme, a frase de efeito e a certeza absoluta muitas vezes ocupam o espaço que deveria pertencer à dúvida, à reflexão e ao esforço de compreender.


Pensar dá muito trabalho…


Exige tempo, confronto com as próprias certezas e, sobretudo, humildade intelectual para admitir que podemos estar errados.


Por isso, é tentador terceirizar o pensamento para alguém que nos ofereça respostas prontas, inimigos convenientes e explicações simplistas para problemas complexos.


É nesse terreno medonho que prosperam os Falsos Pensadores: aqueles que não nos convidam a pensar, mas a concordar.


Não ampliam nossa compreensão; apenas organizam nossos preconceitos em discursos aparentemente sofisticados.


Não desafiam nossas convicções; oferecem argumentos para permanecermos confortavelmente presos a elas.


E talvez o perigo maior não esteja em sermos enganados por quem finge pensar, mas em desejarmos ardentemente que ele pense por nós.


Quando isso acontece, deixamos de admirar ideias e passamos a venerar pessoas.


Trocamos a Liberdade Intelectual pela segurança de pertencer a uma certeza coletiva.


Já não perguntamos se algo é verdadeiro; perguntamos apenas se foi dito por alguém de quem gostamos.


Pensar, entretanto, é justamente preservar a capacidade de discordar até de quem admiramos.


Porque uma mente verdadeiramente livre não precisa de Idolos Intelectuais.


Precisa de inquietação.


Precisa de perguntas.


Precisa da coragem de mudar de opinião quando os fatos exigirem.


Afinal, quem pensa por conta própria pode até errar sozinho.


Mas quem entrega o próprio pensamento a alguém, corre o risco muito maior de errar apaixonadamente — acreditando, ainda por cima, que finalmente encontrou quem pensa por ele.

Que a nossa Criança Interior não pode morrer — é um fato; que ela não pode matar a Criança dos outros — é outro.

Há uma certa beleza em conservar dentro de nós a capacidade de brincar, sonhar, acreditar, rir de coisas simples e se encantar com o que a vida, aos poucos, vai tornando comum.

Crescer não deveria significar abandonar completamente a criança que fomos.

Talvez amadurecer seja justamente aprender a carregá-la pela mão.

Mas existe uma diferença entre preservar a nossa criança interior e permitir que ela governe todas as nossas escolhas.

Porque a criança que existe em nós também pode ser ferida, carente, impulsiva, possessiva…

Pode querer tudo para si, não saber ouvir um “não”, confundir desejo com direito e liberdade com ausência de limites.

E, quando deixamos que essas feridas conduzam nossas atitudes, corremos o risco de transformar nossas dores em feridas para os outros.

É aí que a reflexão do Dia das Crianças ganha um sentido ainda maior.

Não basta dizer que amamos crianças.

É preciso perguntar que mundo estamos construindo para elas.

Que palavras estamos ensinando?

Que exemplos estamos oferecendo?

Que tipo de adulto estamos sendo diante de seus olhos?

Uma criança aprende muito mais com aquilo que presencia do que com aquilo que lhe ordenamos ou ensinamos.

Ela aprende quando vê um adulto pedir desculpas.

Aprende quando percebe que uma diferença não precisa virar desprezo.

Aprende quando testemunha respeito, generosidade, honestidade e limites.

Mas também aprende quando vê humilhação, intolerância, mentira, violência e pessoas usando sua própria dor como justificativa para ferir alguém.

Por isso, talvez preservar a criança interior seja também assumir a responsabilidade pelo adulto que nos tornamos.

Que nunca percamos a capacidade de brincar, mas que aprendamos a não brincar com os sentimentos alheios.

Que continuemos sonhando, sem destruir os sonhos de ninguém.

Que tenhamos coragem de defender nossa criança interior, sem transformar nossas frustrações em condenação das crianças que estão chegando.

Porque cada criança que nasce traz consigo uma possibilidade: a de que o mundo seja um pouco diferente amanhã.

E talvez nossa maior obrigação não seja apenas impedir que a criança dentro de nós morra, mas impedir que ela se torne tão ferida, tão egoísta ou tão amarga que passe a matar, nos outros, aquilo que um dia também tivemos: a esperança.

Feliz Dia das Crianças — às que ainda brincam, às que já cresceram e, principalmente, aos adultos que não se esqueceram de que toda criança merece encontrar um mundo um pouco mais gentil do que aquele que encontramos.

A gente luta pra alcançar um objetivo e quando alcançamos não podemos parar de lutar por ele.

Inserida por gusmazza

Ir pra lua é um objetivo que pode ser alcançado, mas o seu amor...

Inserida por MattMaaXD

E por que te amo tanto? E porque quando você passa um enorme sorriso se abre na minha boca? E porque me bloqueia se sabe que te amo?Não entendo, tem algo de errado comigo? Nem olha mais na minha cara, nem lembra mais que um dia esse "palhaço" já te fez feliz

Inserida por MattMaaXD

Tudo tem um tempo determinado, e o tempo de Deus nas nossas vidas, não é como determinamos que seja.

Inserida por julianarocha20

Os desejos de uma vida feliz,não se resumem a um término de um amanhecer,apenas começam sobre o inicio de um anoitecer

Inserida por viniciusdoreggae

A alegria do palhaço depende muito do estado do espirito do espectador,é impossivel voce arrancar um sorriso de algum coração que expressa dor,isso é relativo antes se medica o coração,depois o estado emocional,não se pode curar uma ferida da tristeza com um band aid da alegria

Inserida por viniciusdoreggae

O fundo do poço de um homem é a saudade,porque a saudade nos leva ao profundo do sofrimento,a saudade em si corroi nossa alma,destitue nossos sonhos e mina nossas esperanças

Impossivel se refugiar de uma saudade,a saudade praticamente ela entra na nossa vida,sem permissão,aterroriza o nosso coração e disseca uma paixão!

Inserida por viniciusdoreggae