Amanha Sera um Lindo dia

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O verdadeiro artista é apenas um mediador por meio do qual Deus contempla sua criação de uma perspectiva particular.


(Byung-Chul Han)

O movimento é sempre precedido de um pensamento que acione o seu comando. Sem o pensamento, não há ação. E, sem ação, não há giro de energia, nem produção de calor, nem elevação de potência, nem mudança de posição das moléculas, nem realce da cor em luz. Sem cinesia, a vida se desbota.

A própria ciência da saúde já aceita a consciência como um recorte da realidade. O fluxo da consciência, por sua vez, percorre o que chamamos de tempo. E o tempo forma, junto com o espaço, uma estrutura por meio da qual os eventos materiais se desenrolam.

O conhecimento é, então, como um salvo-conduto ou uma palavra-passe para ingressar no território da realização.

Escrever requer coragem, pois quem escreve se expõe, se colocando, assim, em um lugar de real vulnerabilidade.


Pensar em vulnerabilidade significa pensar em fragilidade, mortalidade e finitude.


Nesta altura, podemos compreender a rede de sustentação da vida como o conjunto em que habitam nosso corpo, nosso entorno e nós mesmos.

O estado melancólico nos transporta para um lugar diferente:


É um lugar que é mais propenso às meditações íntimas.


Durante a experiência melancólica, realizamos um mergulho mais profundo.


Nele, somos capazes de acessar substratos que somente se encontram nessas regiões.


Os resíduos que são encontrados neste estado são as pulsões mais significativas que temos em nosso interior.

A literatura é um acontecimento artístico vivo, vívido, pulsante e possante.

Há que se pensar na literatura como um agente cultural da sociedade.


Os livros revelam os nossos modos de viver, valores, crenças e costumes.


A escrita é, portanto, uma parte substantiva da sociedade.

E o meu irmão
sabe
muitas coisas.
Sabe, por exemplo,
que um grama de pólen
é como um grama de si mesmo,
docemente predestinado ao lodo germinal,
ao mistério daquilo que se erguerá vivo de ramos,
de frutos e de filhos, com a bela certeza das transformações,
do começo inevitável e do necessário final, porque o que é imutável
encerra o perigo do eterno, e só os deuses têm tempo para a eternidade.

Eu fecho os olhos e estou andando, sabe? É um lugar escuro, frio, e no chão há muita água.


E sabe que eu, quando suspiro, escuto o eco do meu vazio, e é DE UMA IMENSIDÃO TÃO EXTENSA que chega a ser reconfortante estar em um lugar onde o vazio parece ser menor que o meu. Fecho os olhos e percebo que os meus pensamentos me consomem, que sentimentos me levam a caminhar cada vez mais por um caminho escuro, ao invés de procurar um apagador e acender a luz.


Estou sentada à mesa, cercada por um mar de papéis — folhas pálidas que se acumulam diante de mim como fragmentos de pensamentos mortos. Afundo-me entre papéis espalhados, como se cada folha guardasse um pedaço esquecido de mim. A madeira permanece em silêncio, testemunhando o caos que lentamente me engole. Me sinto completamente soterrada por papéis que parecem lápides de pensamentos que nunca encontraram descanso.


AVISO⚠️






não tire nada do lugar


estamos falando da minha mente, ok?


sei onde cada coisa está.

Dê valor no que você tem,talvez seja oque muitos querem,poucos terão e por um descuido você nunca mais o terá!

Em um degrau acima da preservação, há também o desejo de felicidade, que representa a aquisição de um conjunto de realizações individuais e algumas realizações coletivas. Na grande festa da vida, ninguém quer ficar o tempo todo sentado.

A descoberta de que somos um resultado de reações orgânicas bioquímicas poderia nos fazer questionar a nossa pretensa superioridade em relação às demais formas de vida da natureza.

O corpo humano é um verdadeiro poço alquímico de estruturas que regulam nossas emoções e que orquestram os nossos movimentos físicos.

O caráter de um pensador consiste em conservar a curiosidade da infância, a vivacidade de impressões, a tendência em enxergar tudo sob o ângulo do mistério e, ainda, em encontrar em qualquer parte surpresas a serem fecundadas.

Brincante


Fez-se luz onde era sombra
Fez-se festa onde era tédio
Foi um lapso de esperança
Que brotou em meio à seca
Feito riso de criança




(Fernanda Santoro)

Sou um negro septuagenário e periférico, ignorante em formação e movimento constante no combate a epistemicídios.

Quanto vale um prato de lentilhas?


Texto base: Gênesis 25:29–34


Esaú tinha algo de grande valor: o direito de primogenitura. Mas, diante de uma necessidade momentânea, trocou aquilo que era eterno por algo que satisfazia apenas a sua fome daquele momento.


Ele disse: “Eis que estou a ponto de morrer; para que me servirá a primogenitura?”


E assim, por um prato de lentilhas, Esaú abriu mão de algo que valia muito mais.


Talvez o problema de muitos hoje não seja falta de conhecimento de Deus, mas falta de discernimento sobre o valor daquilo que receberam de Deus.


Há pessoas fazendo coisas que parecem certas aos seus próprios olhos, mas que não têm valor diante de Deus.


A Bíblia diz:


«“Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte.”
— Provérbios 14:12»


Nem tudo que parece certo é aprovado por Deus.


Nem toda oportunidade é uma bênção.
Nem toda porta aberta deve ser atravessada.
Nem todo aplauso significa aprovação.
Nem tudo que satisfaz a carne alimenta a alma.


Esaú estava com fome, mas tomou uma decisão que não deveria ter tomado.


Quantas vezes fazemos o mesmo?


Trocamos princípios por conveniência.
Trocamos propósito por prazer.
Trocamos comunhão com Deus por aprovação das pessoas.
Trocamos aquilo que é eterno por aquilo que é momentâneo.


A pergunta não é apenas: “O que eu estou ganhando?”


A pergunta é:


“O que estou perdendo para ganhar isso?”


Talvez você esteja recebendo um “prato de lentilhas”, mas está entregando sua paz, sua integridade, seu chamado, sua família, seu testemunho ou sua comunhão com Deus.


E então vem a pergunta que precisa ser feita:


Quanto você vale?


Você vale mais do que aquilo que o mundo está oferecendo.


Você não foi chamado para viver negociando sua identidade, seus valores e sua fé em troca de coisas passageiras.


Jesus perguntou:


“Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?”
— Marcos 8:36


O mundo pode colocar um preço em você, mas Deus não mede o seu valor pelo preço das coisas que você possui.


Seu valor está no fato de que Deus o criou, o conhece e o chamou para algo maior.


Por isso, cuidado com os “pratos de lentilhas” da vida.


Eles podem parecer pequenos, simples e até inofensivos.


Mas algumas escolhas aparentemente pequenas podem nos fazer abrir mão de coisas que são grandes demais para serem negociadas.


Não venda por um momento aquilo que Deus preparou para a eternidade.


Antes de tomar uma decisão, pergunte:


“Isso parece certo aos meus olhos ou realmente está certo diante de Deus?”


Porque nem tudo que tem preço tem valor.


E algumas das coisas mais valiosas que Deus nos deu não podem ser compradas de volta depois que as perdemos.


Pense nisso:


Qual é o seu prato de lentilhas hoje?


O que está tentando fazer você trocar seu propósito por satisfação momentânea?


Não venda seu valor por qualquer preço.

Da corrida, do poder e da miopia oligárquica: um ensaio Geleiocratico de fomento ao uso do dicionário!


Acompanho, com não dissimulada estupefação, a celeuma que se erige em torno de um ato tão comezinho quanto o de um aspirante ao governo potiguar que, no curso de suas caminhadas eleitorais, se permite correr e pular. Sim. Correr. Há quem interprete esse gesto de trivialidade atlética como uma espécie de transgressão inominável, uma quebra dos protocolos tácitos que regem a liturgia da política tradicional, como se o ímpeto de acelerar o passo, transpor uma via ou adentrar um terreiro para um cumprimento constituísse um desvio comportamental merecedor do mais agudo escrutínio.


Ora, essa reação, longe de significar mero escárnio, revela-se sintoma caudaloso de uma miopia estrutural — e, quiçá, de um mal-estar muito mais profundo, que reside não no ato em si, mas naquilo que ele simboliza. A vitalidade de um postulante é execrada precisamente no instante em que ele ousa disputar os proscênios do poder, espaços historicamente reservados a estirpes que nele adentram já revestidas de sobrenomes ilustres, patrimônios vultosos, capital social consolidado e uma aura de mando que se pretende incontrastável. É sintomático, outrossim, que os mesmos círculos que toleram com complacência quase obsequiosa a ostentação do privilégio mais inquinado se mostrem visceralmente incomodados diante da pujança física e da energia desmedida de alguém que construiu sua trajetória a contrapelo das circunstâncias adversas.


Duas experiências civilizacionais, pois, se contrapõem: a daqueles que aprenderam a caminhar pelos corredores do poder, amparados por estruturas de proteção que lhes suavizaram a jornada; e a daqueles que, desprovidos de tais muletas, precisaram correr para alcançar os mesmos patamares. Não se trata de erigir a pobreza em virtude ou a riqueza em vício — simplificação tosca que repudio —, mas de reconhecer que a origem social produz repertórios, sensibilidades e temporalidades distintas. Quem germinou em solo fértil de privilégios dificilmente compreenderá, em sua plenitude, a urgência de quem conhece o preço de cada degrau conquistado. E é precisamente essa incomensurável distância ontológica que parece atormentar os detratores.


Alysson Bezerra — e aqui o tomo como paradigma do que se discute — não emerge da política como produto acabado de uma engrenagem oligárquica. Sua trajetória, forjada em uma casa de taipa na zona rural de Mossoró, constitui uma ruptura simbólica com a vetusta noção de que os espaços de mando possuem donatários naturais, ungidos por berço ou por batismo social. Essa origem não o torna automaticamente superior a ninguém, mas tampouco o desabilita a ocupar qualquer posto de relevância. Distinção elementar, mas que insiste em ser repetida, pois o Brasil ainda é uma sociedade onde a desigualdade não se manifesta apenas no patrimônio, senão também na permissão tácita — ou na interdição velada — que diferentes indivíduos recebem para ocupar determinados lugares.


Quando o debate se desvia dos escólios técnicos — planos de governo, indicadores fiscais, projetos estruturantes, política orçamentária — para concentrar-se no corpo, no gingado, no fôlego ou na origem do candidato, estamos diante de um fenômeno que exige nomeação precisa: a indigência argumentativa sendo compensada pelo expediente torpe da desqualificação ad hominem. Há nisso uma sofisticação da arrogância — não a espalhafatosa, mas a mais insidiosa, aquela que se traveste de superioridade cultural ou intelectual e que, em sua essência, não passa da tacanhez de quem não suporta ver o "outro" adentrar o sancta sanctorum do poder sem haver solicitado a devida licença histórica.


É o velho pressuposto, ainda sobrevivente em nossas endogâmicas elites, de que certos indivíduos parecem predestinados a mandar, enquanto outros deveriam contentar-se em assistir, mudos e obsequiosos, ao espetáculo. Quando um desses "outros" transpõe a porteira, galga o tablado central e ainda ostenta a pujança de correr de uma residência a outra para aproveitar cada átimo de sua agenda extenuante, a reação de alguns oscila entre o riso mofado e a crítica olímpica. Talvez porque estejam diante de uma coisa que não se aprende nos manuais de administração pública: a premência de quem sabe, com todas as fibras do espírito, o peso de uma oportunidade.


Não se trata, aqui, de desmerecer a carreira pública sólida, a formação acadêmica elevada ou a estabilidade funcional de quem quer que seja. O problema germina quando o privilégio de origem é sublimado em pretensa superioridade de essência, como se o acaso do nascimento conferisse ao indivíduo um atestado de capacidade inata. Ora, ninguém escolhe a família em que nasce, mas cada qual elege, em alguma medida, o uso que faz dos dotes ou das penúrias que recebeu. É por isso que me causa estranheza ver determinados segmentos políticos, tão ciosos de suas credenciais, recorrerem a expedientes retóricos tão comezinhos para diminuir alguém. Se a crítica é política, que se exerça no terreno das propostas; se é administrativa, que se funde em dados; se há incompetência, que se demonstre; se há irregularidade, que se prove. Mas transformar o vigor físico, a origem social ou a maneira de se movimentar durante uma caminhada em instrumento de ridicularização é atestado de pobreza crítica — e não daquele tipo que dignifica.


Prefiro, pois, a política que se movimenta, que suarenta e ofegante alcança o povo, àquela que, enclausurada em sua ufania estática, contempla o próprio umbigo enquanto a realidade se esvai em desigualdades. Não é a corrida, em si, o pomo da discórdia; é a quebra do protocolo invisível que ancora a crasta endogâmica do poder. A democracia possui essa característica subversiva e ingente: permite que pessoas oriundas de lugares que jamais frequentaram os salões áulicos adentrem pela porta da frente. E, quando adentram, não precisam assimilar os trejeitos, os vícios e os tiques daqueles que estavam lá antes. Podem continuar sendo o que são. Inclusive correr.


Ao fim, a diferença monumental reside entre quem corre para chegar mais longe e quem precisa correr apenas para não ser alcançado e tragado pela própria história. Eu, particularmente, alinho-me com os primeiros — com aqueles que, em vez de se imobilizarem na contemplação narcísica do poder, preferem o fôlego, o suor e o movimento perpétuo de quem sabe que o chão se conquista com os pés, não com os títulos. Porque o corpo em movimento é, em última instância, a única antítese possível à estagnação do espírito e à paralisia das estruturas que teimam em permanecer imóveis enquanto o país corre — para trás ou para frente, conforme o vento da história.

Gosto de escrever. Sempre gostei. Muitas vezes, as palavras são um refúgio para eu me conectar comigo mesma e tentar colocar os meus pensamentos em ordem. Escrevo sem técnica, sem roteiro. Escrevo simplesmente seguindo minha intuição e minhas emoções. Meu intuito não é ser escritora. Quero apenas ser eu mesma e isso já exige muito de mim.