Alma do Guerreiro
O amor é a mais doce forma de negligência, onde a lucidez se despede, as dúvidas se calam e a alma, cega e entregue, se lança no abismo acreditando no que se resume em incertezas. Amar é desconhecer o significado das dúvidas, é o sentimento mais transcendental que existe e só o compreende quem, um dia, amou verdadeiramente.
Às vezes, a alma cansada só quer existir sem ser cobrada. Existir sem cobrança é recuperar o direito de ser inteiro antes da demanda alheia.
Deus me fez entender que nem tudo que se perde é perda. Existem perdas que protegem a alma, o olhar de fé nos mostra o valor do que se foi.
O amor é a cicatriz mais bonita que carrego. As marcas do amor permanecem como ornamento da alma, elas embelezam pela verdade que revelam.
Deus deu-me o deserto para ensinar o valor da sombra, é ali que a alma aprende a esperar e a poupar forças.
A alma em paz vale mais do que qualquer vitória. A paz interior supera vitórias ruidosas; ela é a moeda que comprova um coração reconciliado.
Ás vezes a alma não pede respostas, pede descanso, dar-se pausa é escolha de sabedoria, no silêncio a força volta a nascer, descansar é preparar-se para recomeçar.
A alma exausta anseia serenidade, não provas, se extinga o ardor, conceda-se o direito ao descanso. Serenidade não é ensaio perpétuo nem estandarte de guerra, é abrigo, enseada onde o peito aprende a habitar. Permita à alma respirar, ela se recompõe em silêncio, remenda as fendas com dedos de linho, rega o próprio húmus. E, quando enfim abrir as asas, será voo comedido e seguro. um erguimento que aprendeu o peso da terra e a doçura do remanso.
A alma quebrada aprende a amar com cuidado, quem sofreu cuida das feridas alheias com ternura, os gestos pequenos viram cura verdadeira, amar com cuidado é gesto que reconstrói.
O vento traz um nome esquecido, sussurra entre pedras e vales. A alma, ferida, se move, lembrando o que era abrigo. Não há culpa, só saudade, só o desejo de voltar. E na curva do silêncio, o amor começa a falar.
A alma cansada ainda é digna de descanso. Deus não pergunta o motivo da queda, apenas acolhe o retorno. A fé não precisa de força, basta o gesto de voltar.
