Aline eu te Amo
Garfo, colher e faca
A faca tem um caso de amor
O garfo desconfia,
A colher também desconfia
A faca faz dupla com o garfo
E a colher se morde de ciúme
A colher sofre
A faca é misteriosa
O garfo acha que a faca ama a colher
A colher acha que ama o garfo
A faca não ama ninguém
Caixa de correio
O correio está vazio
Estou aflita
O correio está vazio
Não consigo me concentrar
O correio está vazio
Minha carta não chega
O correio está vazio
Não compreendo este atraso
O correio está vazio
A preocupação me domina
O que acontece?
O correio está vazio
Despertador quebrado
O trabalhador chegou cansado
O trabalhador olhou seu despertador
O trabalhador tomou banho e se vestiu
O trabalhador programou o seu despertador
O trabalhador dormiu
As horas passaram
O despertador não despertou
O trabalhador perdeu hora
O despertador quebrou
Que neste ano
Que neste ano Cronos aja com discernimento.
Que neste ano Astéria veja somente contentamento.
Que neste ano Palas lute a favor dos resilientes
Que neste ano Leto revele a voz dos indigentes .
Que neste ano Austreu não termine em tribulação.
Que neste ano Oceano limpe toda a degradação.
Que neste ano Hélio nasça com igualdade para todos .
Que neste ano Selene brilhe com equidade para todos.
Que neste ano Atlas não caia como lama sobre os vulneráveis.
Que neste ano Perses que puna os depravados.
Que neste ano Epimeteu nos ensine a ser florescentes.
Que neste ano Crio seja misericordioso com os necessitados.
Que neste ano Prometeu ilumine os ignorantes.
Que neste ano Eos seja igual para todos.
Casa abandonada
Os tijolos estão desgastados
As telhas estão quebradas
Os vidros estão embaçados
As pessoas se foram
A casa ficou abandonada
Os soldados chegaram
Os soldados partiram
Os tijolos continuam desgastados
As telhas continuam quebradas
Os vidros continuam embaçados
A casa ficou abandonada
Vizinhança desocupada
As crianças correm
As mulheres tricotam
Os homens lêem seus jornais
As crianças não estudam
As mulheres não trabalham
Os homens não produzem
Os adolescentes estão nas praças
As mulheres estão em casa
Os homens estão nos bares
O gafanhoto
O gafanhoto é curioso
O gafanhoto gosta de observar
O gafanhoto é astuto
O gafanhoto pousa entre as brechas
O gafanhoto gosta de observar
O gafanhoto viu o homem fugir
O gafanhoto pousou sobre o corpo fresco
O gafanhoto não compreende as ações humanas
O gafanhoto somente assiste
O gafanhoto vê os homens chegar
O gafanhoto gosta de observar
Espelho velho
O espelho é velho
Há décadas que não é usado
O espelho está embaçado
Há tempos que ninguém o contempla
O espelho é antigo
Há anos que ele não é limpo.
O espelho está trincado.
Amor
Transcende tempo
Traspassa alma
Vai
Volta em pensamentos
Sente de sentimentos
Dor
Cor
Alma é negra
Mas o amor transcendeu a tudo
E juntos com o passar da vida
Em outra vida retorna
Juntos outra vez o amor
Juntos outra vez a cor
Na transparência
Na transparência
Da liquidez
Rasga-se o véu
Brisa suave
Que vem na transparência do sentimento
Juntos caminhando passo a passo
Com a liquidez da alma
Eternidade
A mulher não sabe o que é eternidade
O homem não conhece a eternidade
O rapaz não anseia pela a eternidade
O menino não compreende a eternidade
Eternidade pode ser alcançada?
A bebida quente
A bebida quente deliciosa foi posta na garrafa
Todos passam e bebem a bebida quente
A bebida quente cheira bem
Todos se deliciam com a bebida quente
Criança que chega
Criança chega
Traz sorrisos
Traz felicidade
A criança chega vem as alegrias
A criança chega todos ficam contentes
A criança chega todos estão satisfeitos
Som que viaja
No dedilhar entre brancas e pretas
Mãos finas e suaves retiram o som
E no vai e vem das valsas
Leveza e poesia
Enche a sala
O som toma conta da alma
Sai pela janela
Escapa entre os campos
Levando a sutileza das notas
Dando carinho ao ouvido dos que os ouvem
Fazendo com o que os corações dos amargurados
Retornem o brilho da alegria
Montanhas distantes
Entre uma leva e outra existe duas montanhas
Uma verde com linda vegetação rasteira
A outra possui enormes árvores
O vento transita entre elas
O vento leva e traz novidades
O vento é o carteiro
Entre uma leva e outra existe duas montanhas
Uma é alta e esguia
A outra é baixa e roliça
O vento transita entre elas
O vento vai e volta
As montanhas distantes conversam
O vento é o carteiro
Números impares
O número um gosta da solidão
O número três somente vive em triângulos amorosos
O número cinco só trabalha nas quintas feiras
O número sete sempre aposta na sorte
O número nove odeia quando o chamam de seis
Carteira
A carteira tem um telefone
A carteira tem um cartão de visita
A carteira tem três fotos
A carteira tem um estrato
A carteira tem um medalhão
A carteira não tem dinheiro
Enfeite na sala
O enfeite foi ganho
O enfeite não possui beleza
O enfeite foi ganho
O enfeite é brega
O enfeite foi ganho
O enfeite está na estante
O enfeite é feio
O enfeite foi ganho
Ninguém gosta do enfeite
A velha da esquina
Segredos não guardados
A velha da esquina é a portadora
Ela sabe quem vai
Ela sabe quem vem
A velha da esquina somente observa
A astuta mulher guarda muitos segredos
As pessoas temem a língua dela
A velha da esquina é estranha
Ela não tem amigos
Ela não tem parentes
Ela é a velha da esquina
O relógio de Morgan e o espelho de Esmeralda.
Era uma vez...
Acima das altas colinhas verdejantes de um reino encantado, existia uma simples e minúscula província que se localizava acima do firmamento, próximo das nuvens uma cidade chamada Aion. Este lugar era somente destinado a seres que podiam voar outras criaturas do plano terrestre não podiam adentrar em Aion.
Certo dia duas criaturas que voavam em direção a Aion se encontraram em seu percurso no céu, e então a criatura alada branca logo de cara reconheceu a criatura verde, com isso começaram a dialogar:
-Bom dia senhora Esmeralda Verde do espelho! Percebi que a cada dia você está mais bela! Disse ele feliz.A ave verde olhou para ele, observando as novas e caras roupas, e reparando o tão sofisticado eram suas vestimentas, e o tão belo era o relógio que ele portava em seu pescoço, ela após o fuzilar com os olhos sentiu um pingo de inveja e então o respondeu:
-Bom dia senhor do Relógio Morgan, vejo que está com tempo hoje. A última vez que o vi, quase não pude te alcançar pelo céu. Meu espelho mágico me disse que agora você possui três empregos! Como você consegue?
Morgan continuou a bater suas asas então a respondeu: - Sim agora trabalho para a corte, sou responsável também pelos horários do Rei Alado Vermelho e cuido da agenda do General Rapina Azul. Minha vida está bastante apressada!
Esmeralda cega de inveja pelas conquistas recentes de Morgan decidiu render a conversa, e para se sentir melhor disse palavras para desanimar a outra ave.Com o coração trasbordando de fúria disparou contra ele seu ódio:
-Que interessante! Morgan me diga uma coisa, do que adianta você correr deste jeito, mesmo possuindo seu relógio mágico, e não ter tempo para cuidar de si mesmo. Olha só para você está envelhecendo precocemente, suas penas não possuem mais o mesmo brilho, você está magro e sua beleza está o deixando. Diariamente meu espelho sempre me previne acerca de cuidar de mim mesma, acordo tarde, me alimento nos horários que quero, cuido de minha beleza, todos os dias o meu espelho me fala sobre as pessoas de Aion, me deixando a par das notícias, e pelo que percebi de todos da cidade você é o que menos se diverte.Eu não conseguiria ter uma vida igual a sua, trabalhar demais não faz bem, pelo contrário faz mal !O Deus dos espelhos me presenteou bem, pois sempre que vejo o meu reflexo olho para alguém que está bem. Estou satisfeita com o que tenho, o pouco que eu tenho já me faz feliz.
Morgan que não era tolo batia suas asas, e enquanto voava observou Esmeralda e refletiu nas palavras da ave verde. Então ele falou discordando do ponto de vista dela:
- Quando o senhor Cronos me presenteou com meu relógio mágico, certa vez me falou que as pessoas portadoras dos relógios seriam pessoas ocupadas ao extremo, e que raramente usaria a magia para alterar o tempo em prol de seus objetivos, e que o relógio serviria somente para lembrarmos que o nosso tempo somos nós que o conduzimos.
Esmeralda ouvindo aquilo retrucou, e com raiva falou: - Morgan não seja tolo, sei de como os relógios mágicos são raros, o que você não entende que quando você toma a decisão de portá-lo você abre mão de sua vida, veja o que você se tornou.Livre-se deste objeto, pois ele será a sua ruína.Do que adianta crescer e conquistar as coisas se você não pode usufruir de sua vida.
Morgan sorriu dizendo:- Senhora Esmeralda, não são os objetos mágicos que destroem as pessoas e sim as decisões delas, Cronos me alertou sobre isso também, todo objeto mágico poderá ajudá-lo ou destruir-lo, vou exemplificar falando sobre os espelhos mágicos. Quando o senhor dos Espelhos a presenteou certamente ele a alertou sobre os riscos, vaidade e inveja cercam aqueles que são portadores dos espelhos.
Ao perceber que estavam chegando ao seu local destinado, Esmeralda cega dentro de sua própria e mesquinha realidade irritada se calou após ouvir as palavras de Morgan.
Ambos voaram por cima das nuvens chegando até Aion, pousaram sobre as ruas daquela mística cidade, as aves transformistas mudaram os seus aspectos, Morgan se tornou um rapaz de cabelos grisalhos e Esmeralda uma senhora de cabelos verdes brilhantes, após o elegante pouso, então lado a lado começaram a caminhar e a continuar o seu diálogo:
Esmeralda continuou a falar furiosa e andando disse:- Não existe nada de errado nos espelhos mágicos!Vivo minha vida em equilíbrio. Ao contrário de você Morgan, que voa de um lado para o outro trabalhando e não tem tempo para mais nada!Minha vida é perfeita, tenho pena de pessoas como você que se mata de tanto trabalhar.
A ave branca caminhou dizendo: - Equilíbrio! Ora não diga bobagens, você não trabalha, não faz nada chama isso de equilíbrio! A ave verde se olhou no espelho ajeitando suas penas, ela simplesmente falou: - Bem parece que não chegaremos a lugar nenhum com essa conversa! Ao contrário de você, eu não trabalho, vou para casa tirar minha soneca de beleza.
Morgan olhou para seu relógio e encerrando a conversa disse:- Bem, vou indo, pois tenho muito a fazer, e muito a conquistar! Veja à hora já estou atrasado.
Fim...
Moral da história: Quem despreza e crítica, quer ter, algo ou a pessoa.
Autoria: Aline de Alencar Rosa
