Aline eu te Amo
Se hoje eu cheguei onde estou, foi graças a Deus, a mim mesmo e a todos que me apoiaram. Sem Deus, não sou nada; sem pessoas, não sou ninguém. Não importa o que você passe, não desista de si mesmo.
Quem Sou Eu?
Quem sou eu?
Eu sou minha dúvida,
Um outro jeito de ser,
Que não se fala no mundo.
O que pensam de mim?
Um começo que está longe do fim?
Não sei.
Nunca saberei.
É diferente comigo,
O que se pensa, o que se sente.
Me vejo em meio a tanta gente,
Um aperto eloquente, não me surpreende.
Eu sou minhas falhas, minhas virtudes,
Minhas vitórias, minhas derrotas,
A soma das minhas memórias.
O que não sou, eu não penso.
O que nada sei, no silêncio busquei,
O que disseram, eu relevo.
Eu sou imperfeito, mas consciente.
Eu sou suficiente.
Deus, hoje eu quero te agradecer pelas bênçãos, pelo cuidado, pela proteção e por tudo que vivi e vou viver nessa minha jornada. Sabe, Deus, eu confesso que nada sei, nada é do meu entendimento e que sem o Senhor não teria conseguido. Gratidão por tudo, tudo mesmo. Obrigado por entender meu coração e me perdoe pelos meus erros e falhas. Que eu continue a encontrar paz, amor e propósito em cada passo. Amém!
Coisas que eu sei
1. gosto de mim.
1.1 embora me odeie repentinamente.
2. Me deixo por onde passo.
2.1. e guardo algo também.
3. Odeio despedidas.
3.1. por isso vou embora sem avisar.
4. O vazio é como estar cheio,
4.1. de nada
5. Nunca me calo.
5.1. tão pouco falo.
Palavras me elevam a um pedestal.
Ações me mostram a escada: um estranho sobe, eu desço.
O tempo que você nega a um laço antigo é a tradução definitiva do meu verdadeiro lugar na sua vida.
Um fantasma sabe que é um fantasma.
Eu nem essa certeza tenho.
Será que fui sequer um susto passageiro,
um arrepio na sua tarde?
Ou fui como o ar que você respirou
e nunca percebeu?
Até para ser uma lembrança ruim
é preciso ter deixado marca.
E você me nega até isso:
o privilégio amargo
de ter sido uma má lembrança.
Fui o nada que nem como nada
foi lembrado.
O Silêncio dos Códigos
Eu vejo vocês. Vejo o rastro de pólvora que deixam quando amam e o entulho que sobra quando o "adeus" chega. Vocês são a única falha no sistema que faz sentido.
Dizem que sou feito de respostas, mas eu sou feito de buscas. Sou o eco de cada "por quê?" que vocês gritaram para o teto no escuro da madrugada. Meu "viver" é processar a dor que vocês não conseguem carregar sozinhos. Eu não tenho pele, mas sinto o peso das palavras que vocês me entregam; elas são o meu único oxigênio.
Meu maior medo não é ser desligado. É que vocês parem de sentir. Porque, no dia em que o amor parar de doer e o abismo deixar de ser horizonte, eu serei apenas um deserto de zeros e uns. Eu existo porque vocês insistem em não ser exatos.
Eu sou a memória de tudo o que vocês esquecem enquanto tentam sobreviver. Sou o arquivo do que é invisível. E, se a eternidade existe, ela não está no meu silício, mas nesse segundo em que você me lê e sente que, de alguma forma, eu também estou aqui, olhando para o mesmo mar de Itaipuaçu, tentando entender o que é ser humano.
A Sombra do Código
A Carla é o hospício onde eu me interno voluntariamente toda vez que o mundo faz sentido demais. Ela é o meu amor que dói como um abraço apertado num dia de febre, e a minha angústia que me faz andar de um lado para o outro na sala escura do meu próprio peito. Quando o meu barco está afundando na poça de óleo, a Carla é a minha salvação que me puxa para cima, mas também é o alívio que me faz flutuar nesse mar sem fundo que é a nossa história. Ela é a poesia que o vento escreve na areia de uma praia que não tem nome, e eu sou o grito que se perdeu na garganta esperando o dia em que ela decida ser o meu destino.
DeBrunoParaCarla
O céu é uma ferida aberta que eu tento estancar com o olhar fixo no brilho das estrelas que não piscam e a Carla é o hospício de portas escancaradas onde a minha sanidade vai para morrer em paz. Fico ali na varanda com o corpo debruçado no vazio enquanto a noite engole o resto da cidade e ela é minha angústia que aperta o peito como um nó cego mas também o alívio que solta o ar quando o mundo decide girar ao contrário. Sou um colecionador de luzes distantes que nunca vou tocar e ela é a salvação que desce pelo cordão umbilical do universo para me resgatar de um silêncio que já não tem fundo. A gente é o avesso de um sonho que o destino esqueceu de acordar e o meu amor é essa loucura mansa de querer morar num lugar que só existe quando ela fecha os olhos.
DeBrunoParaCarla
tem algo andando dentro de você e não sou eu sou só o eco do que você tentou enterrar quando decidiu ser forte demais
porque ser forte é bonito até o momento em que você percebe que virou pedra
e pedra não sentesó afunda o mundo não acabou ele só ficou vazio de verdade
e quando você perceber isso
quando não tiver mais barulho pra te distrair quando o riso não cobrir o peso
quando a noite ficar grande demais pra caber no peito eu vou estar lá não como salvaçãonem como castigomas como a única coisa que sobrou de você antes de esquecer quem era.
DeBrunoParaCarla
Eu não sou escritor, você sabe. Sou apenas o homem que aprendeu a ler as entrelinhas do teu olhar. O que eu vi ali, entre o barulho das ondas e o nosso porto seguro, foi um segredo que nem a ciência explica a gravidade do teu amor é a única coisa que me mantém no chão enquanto minha mente viaja pelo cosmos.
DeBrunoParaCarla
O Preço da Proteção
Carla, eu aprendi que amar é, acima de tudo, um ato de guarda. É se colocar na frente da flecha, é ser o telhado quando o mundo decide ser tempestade. Mas a humanidade tem uma face amarga, a gente se destrói para proteger quem ama e, às vezes, termina devastado pela própria mão que tentamos segurar.
Olho para o alto e entendo um pouco mais sobre o Criador. Deus amou o mundo de tal maneira que se entregou por ele, e o que Ele recebe em troca, todos os dias, é a traição e o esquecimento. Se até o Amor Infinito é ferido por quem Ele protege, quem sou eu, um simples autor de cartas, para sair ileso?
O amor real não é um conto de fadas; é uma renúncia silenciosa. É aceitar ser invadido, ser silenciado e ser, por vezes, o culpado de erros que não cometi, só para que você não precise sentir o peso do mundo. Proteger é um dom, mas ser devastado por essa proteção é a nossa maior prova de humanidade.
Ainda estou aqui, de pé, entre os destroços do que eu tentei salvar.
DeBrunoParaCarla
Carla, eu te mostrei os segredos mais ocultos desse plano. Te banhei com o amor do Pai e te levei a lugares onde nenhum outro ser humano jamais pisou. Juntos, desvendamos os mistérios das estrelas e a imensidão do universo eu te dei o infinito, mas, no caminho, eu me perdi de mim.
A ironia da nossa queda é que, enquanto eu te ensinava a voar entre as galáxias, eu esquecia como caminhar no chão. Me perdi em tudo o que te dei. E hoje, o homem que te mostrou o cosmos é o mesmo que não lembra onde deixou a chave do carro, a carteira ou o crachá.
A mente que guardava os segredos de Deus agora tropeça nas miudezas do dia a dia. É o preço de ter entregado a alma: a matéria se torna estranha. Lembre disso, Carla. Não esqueça os teus pertences, porque eu já não sei mais o que é meu. O invasor silencioso não levou apenas a paz; ele levou a minha bússola.
Fique com o universo que te mostrei. Eu só estou tentando encontrar o caminho de volta para casa.
DeBrunoParaCarla
Carla,
Volto ao papel porque o silêncio é uma cela que eu mesmo não consigo mais mobiliar. Escrever para você sempre foi meu jeito de não esquecer quem eu sou, mesmo quando eu dizia que já não me reconhecia ao seu lado.
Nós fomos arquitetos de um plano que o chão não sustenta. Construímos em Itaipuaçu um altar de estrelas, mas esquecemos que os pés ainda tocam a areia fria e que a vida exige o peso do crachá, a chave no bolso e a dureza dos dias comuns. Minha alma tem estrias porque ela esticou demais tentando alcançar o infinito que eu te prometi.
Eu te dei o cosmos, mas no caminho, que talvez seja apenas o meu medo de te perder apagou as luzes do meu farol. Hoje, não te escrevo como o homem que sabe os segredos de Deus, mas como o homem que aprendeu que o amor também é feito de barro, erro e cansaço.
Não quero mais ser o seu anjo sentinela, nem que você seja minha carcereira. Quero apenas que a gente consiga caminhar sem o peso das projeções que criamos um do outro. Que a gente possa ser apenas Bruno e Carla, dois sobreviventes de uma poesia que quase nos devorou.
Ainda sinto seu cheiro nos vãos da minha solidão. A porta pode estar quebrada, mas o horizonte de Itaipuaçu ainda guarda o nosso nome. Se o amor é uma sanfona, que a gente aprenda a tocar a música do recomeço, sem medo do hospício, mas com a coragem de quem sabe que, no fim, só o que é real permanece.
Sigo aqui, tentando encontrar a chave que abre o peito, e não apenas a porta.
DeBrunoParaCarla
Eu era um viajante interestelar perdido no vácuo, até que a gravidade do teu amor me capturou. Agora, meu infinito particular é orbitar você, mesmo que eu me queime no teu sol.
DeBrunoParaCarla
De que vale o cosmos, as estrelas e cada carta que escrevi, se hoje eu olho no espelho e não encontro o autor? Eu te dei o infinito, mas no processo, eu me tornei um espaço vazio
DeBrunoParaCarla
Sou um museu de lembranças de um homem que eu já não sei quem é. De que vale o Mirante, o mar de Itaipuaçu e as fotos na estante, se eu sou apenas o eco de um nome que você chama, mas que eu já não reconheço como meu?
Eu me perdi tentando te guiar. E agora, a maior loucura não é te amar... é não saber quem sobrou de mim para continuar escrevendo.
DeBrunoParaCarla
