Aline eu te Amo
Encantada parei. A porteira estava aberta e o Sol apaixonado ruborizou.
Eram 17:00 horas. Eu esperava ansiosamente sua chegada. De longe eu o vi, caminhava em minha direção. Meu coração nem pulsava , saiu de mim pra sambar. Agora tudo acontecia. E meu riso chorava numa mistura de felicidade e emoção. Apressei os passos. Me preparei para o abraço. Acordei, foi mais um sonho.
___Lene Dantas
Eu achei que escutando sua voz , as coisas fosse melhorar aqui por dentro. Achei que se eu estivesse próxima eu ficaria feliz. Mas mais forte que você é o que diz sua intuição. Quando o coração cansado de sofrer repete que você não está certa. Não adianta você ouvir promessas de amor, escutar um "eu te amo" e não se sentir amada. O amor mesmo sem toque é forte o suficiente para declarar-se. O amor é o melhor amigo do perdão. Mas amar sozinho não faz ninguém feliz. Você sorri sabendo que vai chorar. Você diz sim, sabendo que será abandonado. Não adianta lutar contra o desamor, não adianta sonhar que se é amado quando não se é. Tem horas que o melhor mesmo é ouvir a realidade que as vezes você fecha os olhos para não ver. Você fecha os olhos, mas a vida te esfrega na cara. E mais uma vez se prova que o melhor e maior amor é o Amor próprio.
____ Lene Dantas.
Estive amando muito tempo. Estive afagando o amor. Quando dei por mim choveu e eu não levei o guarda chuva. Ele foi embora e me deixou a se molhar. Afogada fiquei num rio de água salgada. Afogada de tanta afagar quem nunca me amou.
__Lene Dantas.
E o que eu posso te falar,
que já não esteja em seu coração?
O que posso te mostrar, que já não esteja em seus sonhos?
O que posso escrever que você já não tenha lido?
Que você já não tenha rabiscado nas
suas paredes ? O que posso eu ? O que ainda posso eu?
Sem mais , estarei em silêncio . Um silêncio cortante
onde apenas a brisa a todo instante me
faz lembrar os sussurros das noites vazias.
O que ainda farei ? Para onde vou levar meus passos?
Não sei. E se ousar contar posso está errada.
Mas tu que sabes onde repousa meu silêncio.
Porque não me diz?
Porque não ergue a mão e levanta-me?
Mas tu, que poderia levantar-me, onde estás?
Onde estás que não encontro?
Onde e pra qual estrela devo olhar e pedir rendição?
Onde é teu céu? Pergunto e não encontro respostas.
Meu céu, silencia agora. Mas minha voz contida não cansa.
Sem entender, deixo o que é .
O que é talvez seja minha liberdade.
Ou seja minha fuga.
Ou apenas seja minhas feridas vivas em chamas.
Não tenho mais razões, nem sei como usar os sentimentos.
Mas a muralha não é forte o suficiente.
Não sou sempre assim.
Não sou triste assim.
Mas tenho dias de poucos sorrisos e de devaneios.
Tenho dias, perdidos em mãos
que não me encontram.
_____Lene Dantas.
Eu sei do invisível aos meus olhos que está em meu coração. Um Segredo meu , um mistério entre o que sou e o que sinto. Talvez eu tenha que levar comigo por muito tempo. Talvez no caminho eu possa saciar-me , talvez minha sede possa também ser sua. Sei que o milagre ta na fé...e é por isso que com o coração agradecido peço a Deus por mim, peço a Deus por você.
Lene Dantas
Eu sonho porque o meu sonho é bem maior que meu medo.... porque a minha vontade de ser feliz é maior do que a rotina de não saber onde estou. Sonho porque é preciso encontrar o que faz meu coração pulsar mais forte. Sonho porque viver o hoje no vazio não te impulsiona a nada. E se amanhã meus sonhos não acontecerem eu encontro no céu um caminho, eu encontro no horizonte uma estrada, eu refaço meu dia e construo novamente outro sonho. Porque eu vivo o meu presente regando o que quero colher ... eu escolho ser feliz apesar das voltas e tristezas que as vezes encontro na vida. Vivo um dia de cada vez com fé , com paz e com a certeza de que cada minuto é uma nova história . Cada instante um caminho e cada sonho um motivo a mais para agradecer.
Lene Dantas.
As vezes me perco no tempo entre o tempo e eu. Confuso, mas guardo lembranças distantes de lugares onde as águas eram claras e os risos felizes. Estou a procura de mim com um emaranhado de perguntas . Talvez amanhã as respostas me encontrem sorrindo. Preciso cuidar mais de mim. Sinto que estou ficando um pouco triste. Eu poderia parar um pouco mas não consigo. Eu quero encontrar olhos brilhantes e mãos calorosas. Quero sorrir abertamente pelas manhãs e a noite admirar o luar. Romântico demais talvez. Mas eu quero a reciprocidade do amor, a confiança da amizade. Quero pertencer ao que acredito, me doar sem medo, sem pesos nem medidas. Quero mais do que eu acho ser capaz e ainda assim não perder a essência do que existe de melhor em mim.
Lene Dantas
Que eu tenha a habilidade de me conduzir ,me transformar ,me auxiliar. Que eu tenha a naturalidade do sorrir. Que eu possa me erguer a cada queda, que eu possa aprender a ser alguem melhor. Que em minha vida exista mais encantos e que da minha boca saía mais agradecimentos do que reclamações. Que eu possa me modificar, que eu possa renascer vez após vez.
Lene Dantas
Tem situações e pessoas que me cansam. Para estes entrego o meu silêncio e me afasto. Não que eu os queira mal... Mas por não poder permanecer próxima do que faz pesar minha alma. Ultimamente procuro ficar perto do que eleva. Ando cansada de pessoas pesadas.
Lene Dantas.
Talvez o que eu diga , seja o que você sente. Ou o que eu calo o que você fala. Talvez eu esteja aqui pra deixar explicito o que não posso entender... pois não me permito. Hoje eu deixo em mim , um pouco do que não quero saber , pra ter o prazer de desvendar a construção que estou fazendo nesse presente que me encanta , e me assusta , e me transforma e ao mesmo tempo me aborrece , me inquieta e me entristece. Hoje talvez seja aquele instante mágico , do milagre que está guardado em mim.
Lene Dantas
"Criei um labirinto entre o silêncio e EU. Cada vez que o escuto, fujo em saídas que desconheço, até encontrar um abismo em mim, onde não me encontro."
Lene Dantas.
RO-SA-NA ( O leite ou o vinho?)
Eu — Ao invés de uma, sou duas. Não duas. Digo melhor, seria muitas. Agora, estou sentada a mesa, tenho leite e vinho diante de mim. O que deverei beber? Se eu beber o leite, fortaleço meus ossos, antes que eles decomponham-se aqui e como cinzas fúteis e velozes, misturem-se a todo invisível que permeia esse ar, esse ar tão meu e tão de outros. Pergunto-me: Como serei apenas uma, se respiro os outros? Respiro minha vizinha que me observa todas as tardes , quando me dirijo calmamente à área de estar, para saciar a sede de minhas rosas. Respiro os olhos inquietos do meu chefe, que moribundo, hipocritamente pergunta-me se está tudo bem, sem nem ao menos esperar, que eu, entre um segundo e outro, abra meus lábios e insinue um simples sorriso corado, e o fale, o que entala meu paladar, toda vez que tento engolir seu sorriso ironizado. Respiro a orquestra de sussurros entre olhos, ao entrar cedo pela manhã num ônibus lotado, onde procurando calmamente um espaço, único e meu, eu fique ali, contida, quieta, encostando-se a todos e ao mesmo tempo, sozinha, num particular entre sonhos e anseios, entre conversas que ainda não tive tempo de terminar comigo mesma, num espaço de tempo em que reflito, enquanto vejo as mesmas imagens diárias passar sobre meus olhos. Não olho pra ninguém e ao mesmo tempo vejo todos, não conheço ninguém e ao mesmo tempo são tão íntimos e trazem o mesmo cheiro do dia anterior, trazem assim como eu, a mesma expectativa consciente que o tempo passe rápido e que logo o dia termine, para que em regresso possa desfazer-se de toda roupa e sentir seus pés livres de seus sapatos. Adoro sapatos, também respiro meus sapatos, semana passada enamorei-me de um scarpin cor de vinho, olhei-o e ainda me propus a tocá-los, na bolsa olhava meu cartão de crédito, eu sábia não poder possuí-lo no momento. Mas, meus pés nervosos queriam calçá-los. Senti-me então como uma adolescente, que encontra seu primeiro amor e anseia pelo gosto do primeiro beijo, aflita teme não saber os movimentos precisos quando se encontra um lábio em outro, ansiosa sente o gosto na boca do beijo desejado, mas, com a mesma voracidade de possuí-lo encontra-se no receio de executá-lo e corre para longe do alvo de desejo, ou apenas o maldiz com uma expressão desdenhosa, ansiando na realidade o bem querer. Eu corri do sapato. Se lembrei de José do Egito, que correu para não trair a confiança de seu Amo e nem de seu Deus. Eu corri, para não trair a mim e nem ao meu bolso. Mas, ainda no ônibus penso, que embora meus pés calcem um conforto que escolhi (embora não seja o scarpin vinho) não vejo à hora de poder livra-me deles, do meu sapato preto de verniz, com uma simples e delicada fivela prateada, do lado esquerdo, não vejo a hora de em casa, longe dos olhos curiosos de minhas colegas, escolhidas ironicamente pelo mesmo chefe que me faz ter surtos nervosos, posso enfim, olhar meus pés, poupá-los e deixá-los livres. Posso também, olhar meu reflexo no espelho, quando finjo não perceber que a pele corada ,mostra os sinais de tudo o que me rodeia á tantos anos. E o que eu fui há tantos anos? Senão uma criança que ansiava o saber e entre aromas e sabores, respirava o universo de todos que, estavam ao meu redor. Respiro meu casamento, em um estado de inércia, em que os cheiros que me agradavam ha um tempo, agora se alastram como fungos ociosos, e se escondem acomodadamente num ambiente de conforto. Como? Como não ser mais de uma, se todos os dias, confundo-me entre o que sou e o que quero ser?
Se bebo o vinho, inebrio minha alma, a faço cantar e sorrir de coisas que muitas vezes sutilmente escondo. Inebrio minha alma, antes que ela congele, e ali, sem vida não possa alcançar os céus, nos momentos que em sonhos encontro meus tesouros. Saciar-se desse vinho, ainda que me tire de um estado sóbrio, pode dar-me coragem para enfrentar meus medos, antes que eles me tomem, antes que eles me façam permanecer em círculos obsessivos e doentios. A mesa convida-me e algo me diz que devo provar do leite, mas também do vinho. Algo diz que devo sim ser uma ou mais de uma, ou apenas me perder em meus caminhos descalçados.
Hoje na lanchonete, percebi um homem olhando-me, mas ele não olhava apenas pra mim e sim para nós, todas nós. Éramos quatro e ele não olhava-nos com os olhos, ele olhava-nos com os ouvidos. Discreto, quieto, perdia-se em seu alimento e achava-se no que falávamos. Talvez tentasse entender o que pensamos, já que nós mulheres, temos tanta facilidade de falar de nossas dores, de repente deixaríamos claro em nossos segredos forjados o que tantos tentam entender. Ele respirava-nos com tamanha vontade como se a vontade de o saber fosse maior do que saciar sua fome. Mas nós mulheres sabemos. Sabemos como ludibriamos a nós mesmas e também aos outros, como dançamos com passos quietos em situações avessas. No fundo o que falamos em uma mesa em quatro, nunca são fatos perfeitamente contados, nenhuma de nós confiamos plenamente na outra e sempre nos resguardamos do que dizemos. Talvez á minha amiga; Sim, aquela que eu tanto admiro, eu possa contar um pouco mais, um pouco mais do que ensaiei. E ainda assim, que fique um pouco em mim que nem eu mesma sei se devo dizer-me, daqueles dias em que tomei atitudes que ao me inebriar de vinho ou saciar-me de leite, deixei de ser o que achava ser. Coisas que Deus sabe e só ele sabe, nos passos que percorri o caminho que meus pés escolheram pisar e por onde tropecei, nos dias quietos, nos dias tristes, nos dias frios e também nos dias eufóricos e quentes.
O homem ansioso, talvez quisesse apenas saber como nós em quatro, podíamos em alguns minutos falar milhares de dezenas de palavras, onde a maioria é deixada e despercebida, trocadas mais tarde por um simples, até logo. Trocadas depois por particulares entres duplas que se desfizeram ou entre o leito conjugal de cada uma e seu amante. Ele atento, talvez riu no seu olhar de escrutinador, talvez comentou com alguém, talvez se encantou por nós mulheres mais uma vez, ou talvez percebeu o quanto somos parecidas. Nos enfileiramo-nos depois, deixando o ambiente quieto, silencioso, deixando apenas a vaga lembrança de nossos risos e confissões permitidas. Onde entre uma conversa e outra olhávamos uma para outra e nos enxergávamos, um pouco as mãos, ou cabelos, ou até os sapatos de verniz. Percebo que ele também compactou conosco e mais tarde vai respirar um pouco do que viu ali. Gostei dele! Acho que o seu jeito tranqüilo fez cócegas em meu coração eufórico. No final então, eu o respirei, e isso me deixa com uma impressão esquisita, sobre qual será a probabilidade de vê-lo mais uma vez. Dessa vez, quem sabe eu calce meus sapatos novos! Sim porque vou à loja e comprarei o scarpin cor de vinho e assim, ele pode até, ao invés de nos enxergar, enxergar meus sapatos. Embora homens não enxerguem sapatos. Gosto dos meus pés e ele pode gostar também. Ele pode até enxergar meu nome na tatuagem que fiz no pé esquerdo e quem sabe, entre uma mordida e outra do pão de queijo que devorava num ato involuntário de desejo, soletrar: RO-SA-NA. Fazendo com que eu perceba que , entre todas , foi eu que o chamei atenção.
Devo ter provado o vinho e agora estou aqui bêbada, falando bobagens que só conto a mim. Sim é dessas bobagens que falo que respiramos e inalamos e guardamos conosco. Essas ficam assim, deixadas em lugares ocultos aos outros, mas de fácil acesso á nós. Preciso levantar-se agora, não sei bem que horas são, mas é tarde e agora devo conversar com meus lençóis.
Deixou a mesa, sem provar do leite e do vinho, deixou a mesa lentamente com um sorriso enfeitiçado no rosto, como se na cama, fosse deparar-se com o homem que a enxergou com os ouvidos.
Lene Dantas
Deixo ainda o que não sei... e quando souber , talvez nem seja mais Eu. Talvez eu já tenha me descoberto de outra forma e nessa fome de mim, encontre sempre o que aprendi no avesso das minhas verdades!
Lene Dantas
... tanto eu quanto você
já superamos fracassos, imposturas,
traumas,alguns hematomas;
e não poucas vezes, levados a
reconhecer esse lado bom da saudade,
que muito mais do que superar
qualquer ausência, ela existe
para nos livrar do esquecimento!
Logo, tanto eu quanto você,
não temos mais motivos para duvidar
que somos capazes - cada um a sua
maneira -de lidar com qualquer
coisa!
... espontâneas
e sobretudo marcantes mudanças
no 'eu', atestam o quanto já
crescemos... E nosso ego
como um felizbeneficiário
nessas cíclicastrocas
de pele!
Um despropósito,
eu diria, exigir que todos
compreendessem sobre tudo...
Mesmo me questionando:
o porquê de certos absurdos
ainda serem ignorados;
incógnitos a nossa percepção
e prudência?
... algo insano,eu diria,
ao desmereceres em outros,objetos
e conquistas, que sema devida
certeza, semelhantemente,
pudessemservir a ti...
Logo, que reconheçase valorizes
questões que privilegieme enalteçam
tua razoabilidade e instinto
criativo!
