Aline eu te Amo
Me afastei pra me auto querer, para que eu pudesse perceber que não preciso de mais nada além de mim para me fazer tão feliz quanto eu posso fazer. Talvez um dia você possa voltar ao meu lado
Para não mais ser parte de mim, mas sim excedente.
Das páginas da vida você foi uma daquelas que eu rasguei, mas parece q me lembro mais detalhadamente
do q as que ali ainda estão, olhar para aqueles retalhos q ficaram e lembrar cada verso meu quanto a você, me faz entender que tentar esquecer é me pôr a lembrar.
Sentirá falta de olhar ao lado e ali eu estar.
Sentirá falta de precisar de apoio no mar e mesmo sem chão eu me afogar para te salvar.
Sentirá falta de todas as noites em que você chorou e eu estive ali pra confortar.
Um dia sentirá falta, mas ali eu nunca mais vou estar
Tenho muitos equívocos mas se existe algo de amor, de alegria em cada criatura, eu quero alcança-los.
Nem sempre oque queremos conseguimos, mais vale a pena tentar e arriscar, se somos aventureiros eu não sei, mais somos poucos que tentam fazer a diferença, abraça a causa ou não fica de braços cruzados.
Se eu não fosse daquele tipo de corrente a que chamam do antes quebrar que torcer, há muito tempo que o cerne da minha consciência já me tinha chamado de cobarde.
Parto sempre em vantagem em relação aos meus opositores, porque eu,
sou sempre eu, e eles, não sabem o que são.
Filhos...
Serão sarilhos
Cadilhos!?…
Eu sei que não!
São apenas estribilhos
Dos coros afinadinhos
Inspirados, rebeldinhos
Da nossa mais bela canção.
É na infantilidade do meu pensar, que eu reconheço que ainda não perdi a alma de menino, a verdadeira.
Eu nunca seria um ser humano consciencioso, se não fizesse perguntas a mim próprio antes de responder aos meus semelhantes.
É mais fácil amputarem-me as pernas que cortarem a raiz do meu pensamento e calarem a razão de eu ser assim.
Se eu amanhã não tiver a esperança noutro depois, é sinal que o meu hoje anda de mal comigo e não me dá futuro.
SAUDAÇÃO DE UM BICHO
Nunca eu vos enganei
Ó gentes do meu amar
Porque haveria eu de vos lograr
Se não sei o que sequer serei?
Tal e sempre por bem vos amarei
Com raízes espetadas no coração
Que alimentam como se fosse o pão
Vivo de esperança, ai, eu o hei!
Trago-vos vivos no meu olhar
Aqueço-vos na minha fogueira
Mesmo que ela apague a noite inteira.
É este o bicho homem a saudar
Outros da mesma massa de amassar
O pão da vida ainda por levedar...
Carlos De Castro
Finisterra, 26-05-2022.
Se eu dissesse que tenho à venda o meu destino a custo zero, seriamente estaria a fazer publicidade enganosa.
O CÃO QUE CANTAVA ÓPERA
Eu já tive um cão
Baixinho como eu que o sou
No destino e na pernada,
Que cantava ópera farsada
Sempre que eu dizia ao serão
Versos de dor a uma fada.
A ópera do meu cão, uivava
Numa voz tão pura de fina
Como alguma jamais encontrada
Em cantares de gente canina.
Tinha um não sei quê de magia
Saída pelos foles da garganta,
Sim, porque um cão triste canta
E encanta
No silêncio da noite vazia.
Um dia de sábado pela manhã fria
O meu cão de ópera já não operou...
Estava rígido, teso, na alcofa
Que ele tinha, meu Deus, tão fofa!...
Nem se despediu de mim
O companheiro amado...
Ele acabou o seu fado
E eu, sozinho assim
Não voltarei a dizer poemas
Porque dão azar e penas!
(Carlos De Castro, in Igreja de Argoncilhe, 22-06-2022)
